<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989</id><updated>2012-01-28T23:13:27.367-08:00</updated><category term='Voyerismo'/><category term='de profundis'/><category term='Desaforo'/><category term='velha(ca)ria'/><title type='text'>O Ferro Velho de Zé da Goma</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>135</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-5889915834232298782</id><published>2011-08-12T08:06:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T03:16:40.413-07:00</updated><title type='text'>Nota de falecimento</title><content type='html'>Aos enventuais transeuntes e curiosos, informo sem muito lamentar, o falecimento de Zé da Goma - ainda não morreu, para ser exato, mas está exalando os últimos suspiros à medida que escrevo essas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem à noite, procurando estrelas em um céu nublado, Zé abriu um largo sorriso diante de uma estrela cadente que rasgava o espaço em direção a essa nossa terra. Seu sorriso ampliou-se ainda mais ao perceber que o meteorito vinha em sua direção. "Alexandres, Alcebíades, meus irmãos, aqui estou!", teria dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tivesse assistido ao último filme de Lars von Triers, algumas precauções haveria de tomar. Porém, não foi isso que ocorreu. A estrela cadente arrancou-lhe os dois braços, chamuscou horrivelmente o lado esquerdo do peito, levando para dentro da terra também um pé esquerdo e seu tamanco. Em torno do buraco que se formou com o impacto vê-se uma massa compacta e ensaguentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a oportunidade de tentar socorrer o meu amigo recente. Levei o que sobrou dele ao hospital, onde o deixei desenganado pelos médicos. Há pouco, uma enfermeira veio até mim e transmitiu com emoção burocrática suas últimas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Horror! Horror! E SAMBA!"&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-5889915834232298782?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/5889915834232298782/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=5889915834232298782' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5889915834232298782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5889915834232298782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/08/nota-de-falecimento.html' title='Nota de falecimento'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8639310756929019878</id><published>2011-08-10T19:33:00.000-07:00</published><updated>2011-11-11T07:14:25.142-08:00</updated><title type='text'>Pulsar</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Do espaço cósmico vem essa luz mirrada e fria. Escorre lenta e desde sempre, iluminando-me e ao homem de neanderthal, tocando as retinas infeccionadas de Alexandre e depois as de Aníbal - que olhava o infinito e mijava sobre a areia morna enquanto calculava provisões, deslocamentos, batalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa cintilação persistente pulsa o breu, moldura de tudo que brilha, nos olhos de um escravo núbio, cruelmente chicoteado. Saberás por acaso sua história? Sem distinção, aquele brilho lambe o sangue coagulado sobre o corpo quase morto e as lembranças de sua alma. Como terá se chamado? Sei apenas que em sua terra natal, entre o deserto e o rio, seus muitos irmãos erguem-se também em direção a esse brilho quebradiço e a essa agonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fogueiras, urina, labaredas, promessas de vitória e de retorno, tudo é guardado nessa cintilação branca e inatingível. Com amor e com a devoção fria de um fogo distante. Incansavelmente e sem alvoroço. Veloz, silencioso, frio e eterno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite qualquer, tu também olharás esse pulsar de cristal e agonia e pensarás: em algum lugar, no distante dessa luz mortiça, meus filhos e os irmãos do escravo núbio, os exércitos de Alexandre e de Aníbal olham-se nos olhos. E seguirão a se mirar nas retinas dessa dor infinita e cósmica que lateja. Haja o que houver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tudo guardará a distância dessa frieza que goteja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois seu brilho triste e cristalino é apenas a condensação do desespero que sempre passa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8639310756929019878?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8639310756929019878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8639310756929019878' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8639310756929019878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8639310756929019878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/08/pulsar.html' title='Pulsar'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-759279450863645446</id><published>2011-07-30T18:29:00.001-07:00</published><updated>2011-07-31T13:04:13.593-07:00</updated><title type='text'>O poeta</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ai, minha amada, deixe-me falar do amor urgente e sem medida, embriagado na luz vertical do meio dia, bêbado quando todos trabalham, gargalhando em meio ao funeral, ébrio e reto como o desejo.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;E, no entanto,  esse amor não é meu, velho já, dissimulando o tremor de agarrar  com tanta força o oco dos dias. Tomo-o emprestado.&lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Ai, minha amada, deixe-me falar de um amor que cancela todos os vôos, da vida em estado de sítio, da emergência sem amanhã e sem demora, da carne que pulsa dentro e fora da poesia – como um lagarto capaz de paralisar a luz do sol que lhe queima e aquece. Sonhemos, por agora, com a coragem e generosidade de poder simplesmente dizer: de lado a felicidade; não será a vida uma dádiva suficiente? Ai amada, deixe-me falar da vertigem e beleza em que o amor sempre se precipita.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Porém, esse amor  não é meu, vaso tenso, copo vazio, esperando indefinidamente o  gozo dos vinhos que virão, recolhendo a migalha dos bons amores  vãos. Compro-o junto com a pasta de dentes e o sabão. Compro-o a prestação.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Estrela, estrela, quem te reconhecerá minha, o peito finalmente aberto, na explosão em que tudo se consumirá?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-759279450863645446?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/759279450863645446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=759279450863645446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/759279450863645446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/759279450863645446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/07/o-poeta.html' title='O poeta'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-18877978325703545</id><published>2011-07-18T12:42:00.000-07:00</published><updated>2011-07-20T10:38:08.024-07:00</updated><title type='text'>Pichação</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm; color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sonhei contigo, fantasma, e não deveria. O que dizer, agora, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a noite&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; já em agonia? A Deus nosso Senhor decerto praz fazer de uns gente, outros concriz. E a mim, não distinguir por onde caminho. Se ouço vozes humanas ou trinos de passarinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-18877978325703545?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/18877978325703545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=18877978325703545' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/18877978325703545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/18877978325703545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/07/pichacao.html' title='Pichação'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1819305462229602739</id><published>2011-07-04T11:19:00.000-07:00</published><updated>2011-07-09T06:09:26.093-07:00</updated><title type='text'>Uma foto</title><content type='html'>O tempo reverbera e ecoa nas coisas paradas.&lt;br /&gt;- Mas onde exatamente tal eco e tremor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue por sobre o que permanece.&lt;br /&gt;- Mas quando quando essa dobra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renova-se naquilo que lentamente empalidece.&lt;br /&gt;- Imagem em fuga que conduz para dentro do olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a foto acendendo a pira do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelar que não cessa; hemorragia que não estanca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1819305462229602739?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1819305462229602739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1819305462229602739' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1819305462229602739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1819305462229602739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/07/uma-foto.html' title='Uma foto'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1346300746388045831</id><published>2011-04-11T14:25:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T15:07:48.199-07:00</updated><title type='text'>Kazuo</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Em volta de uma flor de pano, suas mãos quase tremem.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;- Considere a vida que explode em cor e logo em palidez.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Tudo que é frágil dança, queima luz adentro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1346300746388045831?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1346300746388045831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1346300746388045831' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1346300746388045831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1346300746388045831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/04/senhor-o.html' title='Kazuo'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4669214745612359335</id><published>2011-04-10T17:07:00.001-07:00</published><updated>2011-04-21T08:16:30.266-07:00</updated><title type='text'>Pina</title><content type='html'>&lt;style type="text/css"&gt;p { margin-bottom: 0.21cm; }&lt;/style&gt;  &lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Não é da ordem do dizer e, mesmo assim, digo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Que o corpo jovem da bailarina segue passo a passo por um campo coberto de neve – manto branco sob o qual o musgo e outra paisagem aguardam. Seus dedos enregelados tocam um velho acordeão e de sua boca uma canção vem com o vento. Seu corpo é precário e  notícias distantes – um coelho foge, um mendigo já não pode resistir, uma árvore sacudida pelo inverno - sopram glaciais por entre a trama de seu vestido - absurdamente fino para tanto frio. Seja. Que ela segue mesmo assim. Sua voz não treme, nem procura se impor sobre o branco imenso onde seus pés quase nus afundam. Que assim, súbito, a dança começa. Não porque o corpo quer voar, mas por aceitar sua gravidade. E o campo é amplo e o frio intenso e a bailarina dança para passar como o tempo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4669214745612359335?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4669214745612359335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4669214745612359335' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4669214745612359335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4669214745612359335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/04/pina.html' title='Pina'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4552101245441431456</id><published>2011-02-19T10:27:00.001-08:00</published><updated>2011-05-05T15:11:08.586-07:00</updated><title type='text'>Dona Virgínia</title><content type='html'>Quando dona Virgínia canta é como se minha sombra batesse à porta, meu sangue se tornasse mais denso e a tristeza se alongasse no sofá - gato perdido de toda pressa. Ai, soprar um instrumento tão delicado, farfalhar e rumorejar, onda que se quebra para sempre e lentamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro de tudo, no cheio do mundo, a jóia mais preta, a me chamar inteiro, gravidade que habita o coração de todo homem bom, língua que lambe toda luz. &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ai, dona Virgína, deixe-me deitar no seu colo, minha mãe e meu amor, e adormecer um pouco pensando em tudo que é bom.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4552101245441431456?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4552101245441431456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4552101245441431456' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4552101245441431456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4552101245441431456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2011/02/dona-virginia_19.html' title='Dona Virgínia'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4097818822072648757</id><published>2010-10-12T14:41:00.000-07:00</published><updated>2010-10-12T14:42:41.611-07:00</updated><title type='text'>Concrete Jungle (Marley &amp; the Wailers)</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/nAYyK5nX3YE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nAYyK5nX3YE?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4097818822072648757?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4097818822072648757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4097818822072648757' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4097818822072648757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4097818822072648757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/10/concrete-jungle-marley-wailers.html' title='Concrete Jungle (Marley &amp; the Wailers)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1210933091303055759</id><published>2010-09-19T17:33:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T11:14:41.191-07:00</updated><title type='text'>Crônica Suburbana</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TJav95yAT4I/AAAAAAAAAUU/bE88qsO23FA/s1600/dusty.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TJav95yAT4I/AAAAAAAAAUU/bE88qsO23FA/s320/dusty.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5518791871406559106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais ou menos três semanas, a imagem do homem morto, sob o sol escaldante daquela rua sem árvores na Iputinga, retorna - ela vem até mim precisamente nos momentos do dia em que o tempo faz uma concha. Dizer “mais ou menos três semanas” não é tanto um registro da dureza do meu coração, remetido, à minha revelia, àquele estrangeiro que fala incerto da morte de sua mãe, ao filósofo iluminista que titubeia diante do número de seus filhos mortos, aos olhos de Kafka a flanar distraidamente pelo quarto de um Gregor Samsa transformado em enorme inseto. É que o tempo, onde realmente importa, resiste ao calendário. E, no entanto, agora me lembro, foi no dia 6 de setembro em que vi o saco de acúcar sobre o corpo de um defunto negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não o cheguei a ver propriamente e aqui confesso: sou tímido diante da morte. A imagem que me acompanha é parcialmente imaginada, portanto. Tomei conhecimento do ocorrido pela boca de meu pai, que eu visitava, e pela narrativa curta do Pinto, que encontrei por acaso. "Passou dois dias internado no hospital e quando saiu voltou à rotina de sempre. Não sei como resistiu até hoje a tanta aguardente". Era um dos fregueses de seu Paulo - ele próprio meio enlouquecido pela fidelidade canina daqueles poucos à sua barraca. Disseram-me então o nome do morto, e este me soou familiar. Incertamente, fui tendo a confirmação de que se tratava de um colega de infância com quem jogara futebol nas tardes poeirentas de nosso bairro. Ali, no deserto. Preservou da meninice o rosto furioso, uma raiva profunda com a qual sempre me olhou, particularmente na idade adulta, quando o encontrava invariavelmente embriagado, entorpecido, maltratado pelo sol intenso e pela indiferença do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma ambulância do SAMU chegou para o socorrer; ainda a vi estacionada, mas já era caso de chamar o barqueiro, de entregar o corpo ao IML. Ficou jogado junto ao lixo durante toda a tarde e lá permaneceu quando me dirigi para casa, evitando olhar para o lado de onde o morto ex-posto pudesse me lançar pela última vez seus olhos de vidro. (Olhar sem intensidade, sem interioridade e que, no entanto, grita: "o mundo! o mundo!") Nesse intervalo de tempo, seus companheiros de sina e de cachaça sentaram-se juntinhos do outro lado da calçada, onde já havia sombra, e decidiram não beber o morto. Entre eles estava o irmão do defunto, soube pelo Pinto, mas não consegui de modo algum reconhecer naquela figura esquálida o colega de quebra-canelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro bêbado, reunido ao grupo com certo atraso, estancou na esquina e com um gesto rápido de mão indicou que aquele jazia na poeira entre os dejetos já ia tarde. Ninguém chegou a sorrir da pantomima daquele retardatário. Eu, quase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim. Nenhuma comoção se fez perceber sequer entre as crianças que rapidamente se interessaram por seus assuntos sempre urgentes. Apenas a abstinência de algumas horas dos bêbados enlutados dava um ar melancólico ao final da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre comentários curtos e conversas desviadas, chamou minha atenção um garoto de 15 anos, se muito, passeando um filhote de pitbull pelas ruas hoje asfaltadas onde já rolaram milhares de bolas de futebol. Meu pai o indicou com o queixo e certa displicência: “Não chega aos dezoito”. Olhei-o procurando uma explicação: “É o segurança da boca que o pai tem no final da rua. Vendem craque”. "E esse progresso já chegou aqui?" "Ma !..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aguardente, craque, que importa? Recordei então de teu corpo branco, teu sexo pequeno, tua bunda firme de negra e me agarrei a essas imagens como me agarro à lembrança da voz grave e tranquila de minha mãe, como me cubro com o humor de meu pai. Abracei tudo isso com força quase desesperada, ameaçando despedaçar esses fantasmas frágeis com meu tanto querer. Pedi, então, ao Deus que já não existia para o homem negro e morto que me guardasse com as minhas memórias boas, meus tesouros de criança grande, do granito impermeável e quente da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1210933091303055759?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1210933091303055759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1210933091303055759' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1210933091303055759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1210933091303055759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/09/cronica-suburbana.html' title='Crônica Suburbana'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TJav95yAT4I/AAAAAAAAAUU/bE88qsO23FA/s72-c/dusty.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2361482685823636815</id><published>2010-08-20T16:42:00.000-07:00</published><updated>2010-09-17T19:32:29.010-07:00</updated><title type='text'>A dobra</title><content type='html'>Sob a sombra de árvores que dançaram o assobio dos ventos, por entre o barulho e a prata de folhas há muito decompostas, Braz sorri e sua voz canta. Aqui estou catando o tempo que se condensou em cacos de vidro, grãos de milho, pedras sobre as quais sangraram lagartos, melodias aprendidas, a capa de um disco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo reverbera e ecoa nas coisas paradas. Sobre a foto, emaranhada nas fibras de papel - que sei eu da tecitura da matéria? -, uma letra muito redonda me chama pelo primeiro nome e me fala de um amor tanto. Azul fino, frio sobre os tons sépia, desmaiado sobre o brilho do papel. Há ali uma assinatura, em torno dela uma mulher e segurando sua mão outras tantas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[O que importa se impõe com o tempo.]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fundo, no meio do pomar, o sol de outrora e de ouro teima e chama. E eu quase respondo ao eco dessa luz que me aguarda. Por dentro das notas da música antiga, quase acaricio o zumbido úmido por onde os besouros deslizaram suas muitas cores. Na companhia das formigas, invocando a chuva, dentro deste que cintila sob meus olhos, quase danço em quintais ainda mais remotos - com seus gritos idos, suas mulheres sorridentes, o cheiro bom do almoço pronto e posto, crianças fazendo algazarra e um burrico que escoiceia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quintais que chamam quintais que chamam quintais que me chamam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas assim: onde o tempo faz festa e uma e outra dobra sobre si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2361482685823636815?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2361482685823636815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2361482685823636815' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2361482685823636815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2361482685823636815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/08/dobra.html' title='A dobra'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1277803661662868263</id><published>2010-08-01T16:49:00.000-07:00</published><updated>2010-11-15T03:59:46.667-08:00</updated><title type='text'>O Cão sem Plumas</title><content type='html'>Definições negativas são sempre precárias, como o prova a famosa tentativa: o homem é um bípede implume. Basta que algum gaiato tenha a ideia de depenar um galo vivo, e eis-nos diante diante de uma contestação do conceito passeando em meio ao nosso banquete. Mas há algo mais interessante naquela definição do que a gaiatice permite antever: a suspeição de que o ser humano é fundamentalmente um ser desprovido de algo. O ser humano é um ser sem qualidades, aprendemos do mito de Prometeu e de Epimeteu. E por isso um ser a quem a técnica é uma questão de vida e morte. Um ser indireto, disse Hegel nos seus primeiros escritos. Ou seja, aquele que quer um caju e procura uma vara. O resto da macacada pula nos galhos e morre de rir diante desse absurdo, dessa falta de consequência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso também dele se diz dele ser o primata enlouquecido, aquele que pinta cavernas, faz simulacros do mundo real. Aqui também teríamos uma definição negativa: aquele a quem falta o tino, o desviante. Isso diz Bataille, num pequeno livro sobre as pinturas rupestres nas cavernas de Lascaux. Para ele a loucura da arte é o dado decisivo de nossa humanização - e não a técnica como supunha Hegel. O ser da falta é também o das possibilidades infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que é uma definição antropológica, ou ao menos gosto de pensar que seja assim, que João Cabral tem em mente quando fala sobre um certo “cão sem plumas”. O ser da falta profunda, a quem algo rói profundamente, aquele que raspa com os dentes até o que não há.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por isso também é o ser melancólico, o ser triste. A que a vida em bando está associada nos humanos senão à tristeza? Antes da fala, o luto. "O calor da putrefação” no qual nos aquecemos, para usar uma frase de Wedekind. Mas não é o luto o dado primeiro. É a tristeza. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, o ser humano é o ser para quem a vida se abre em duas possibilidades: a vida em bando ou o antidepressivo. No primeiro caso, descobrimos o riso como possibilidade secundária; no segundo, voltamos às árvores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1277803661662868263?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1277803661662868263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1277803661662868263' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1277803661662868263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1277803661662868263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/08/o-cao-sem-plumas.html' title='O Cão sem Plumas'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2121346411717767436</id><published>2010-07-20T13:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-21T14:49:49.655-07:00</updated><title type='text'>Sobre um motivo de João Cabral</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TEYCtyRxXwI/AAAAAAAAARk/RMrdzmf-aZw/s1600/rat.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 284px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TEYCtyRxXwI/AAAAAAAAARk/RMrdzmf-aZw/s320/rat.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496083380865949442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rato entrou em meu quarto de homem maduro e se pôs a roer. Os livros primeiro, e ali se deteve a tossir a poeira do tempo, a regurgitar uma ou outra passagem obscura. Aplicou com afinco seus dentes em algumas gravuras, depois na foto de minha filha, roeu-a por completo junto com a moldura e a escrivaninha. Desfez a memória de tardes vadias, a pouca mobília, os lençóis e travesseiros usados, o colchão, as paredes brancas e o assoalho onde sua fome roedora se sustentava. Tendo devorado tudo que valia e que não valia, passou a roer as coisas que ali faltavam. E neste prato principal demorou-se longamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2121346411717767436?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2121346411717767436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2121346411717767436' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2121346411717767436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2121346411717767436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/07/sobre-um-motivo-de-joao-cabral.html' title='Sobre um motivo de João Cabral'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/TEYCtyRxXwI/AAAAAAAAARk/RMrdzmf-aZw/s72-c/rat.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7509657391970031517</id><published>2010-03-18T15:36:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T03:07:40.913-07:00</updated><title type='text'>Uma estória de amor</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6KrlX0pnyI/AAAAAAAAARc/t-zvBfPfe6I/s1600-h/3083681192_1e09a0c43c.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 282px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6KrlX0pnyI/AAAAAAAAARc/t-zvBfPfe6I/s320/3083681192_1e09a0c43c.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5450107157610077986" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada lembro de minha infância, exceto do cheiro doce e bruto do rio. Devo ter sido desalojado de suas margens durante uma dessas enchentes que retornavam a cidade ao seu útero de águas barrrentas, ao odor de folhas apodrecidas. Só consigo recordar de mim já como habitante daquele quintal espaçoso, com suas enormes mangueiras, jambeiros, jaqueiras em cujas copas os sabiás cantavam e os sanhaçus exibiam sua  plumagem festiva. Órfão, ou abandonado, encontrei abrigo e alimentação entre as fruteiras daquele amplo pomar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali me acomodei como pude sob os escombros de enormes máquinas destroçadas que ficaram para trás sem que ninguém viesse reivindicar a sua propriedade. Talvez imprestáveis para os outros. Abriguei-me ali como pude, comi as frutas que tinha à minha disposição, construí alguns túneis onde pudesse me proteger do acaso e a vida não era má.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evitei apenas me aproximar da grande casa que se impunha no fundo do quintal. Impenetrável. Cerrada. Morta, com suas enormes janelas azuis, seu teto precisando de reparos e seus ruídos noturnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma madrugada, porém, fui acordado pelos gemidos do velho portão de ferro que se abria. Através dele um burrico passou, com seu passo miúdo e ritmado, e atrelado a este uma carroça carregando uma mulher, uma criança e alguma, pouca mobília. Havia também o carroceiro em meio àquela gente e objetos, mas tão logo ele se desembaraçou de um guarda-roupa pequeno, uma mesa, duas camas e algumas cadeiras, retirou-se levando consigo seu burro e a carroça. Cuidei de não ser percebido e por uns dois dias observei os novos habitantes acomodarem-se no casarão. Que águas os teriam trazido até ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ou quarto dia fui descoberto em meu abrigo. O garoto foi quem primeiro me viu. Pareceu assustar-se muito com minha presença pois correu muito excitado para dentro da casa, para voltar logo em seguida acompanhado da mãe e esta de uma vassoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ali, debaixo do torno mecânico.&lt;br /&gt;- Deixe-o, não há de fazer mal a você. Coitado, está magro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca havia percebido minha magreza e a fome que tinha. O que é estranho de se constatar. Passei o resto do dia examinando os meus ossos, andando um tanto aflito para frente e recuando, ansioso com aquela descoberta, com aquele diagnóstico. Fiquei assim outros tantos dias, olhando para o tempo com os meus olhos saltados, comendo uma ou outra manga, um ou outro jambo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa manhã, ao acordar, descobri em frente a mim um prato com inhame e leite. Da janela da sua casa a mulher me olhava e sorriu quando aceitei a sua oferta. Comi com gosto o quitute e no meu íntimo agradeci uma bondade tão inesperada. A gentileza se repetiu com a regularidade do cuidado. Após algumas semanas, decidi me aproximar da casa e agradecer àquela mulher que eu via apenas à distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era bela como nenhum sanhaçu, como não cantam os sabiás, nem lampejam os colibris. E fiquei paralisado ali, em frente à sua porta sem saber o que dizer. Recuei e voltei para o meu abrigo. Mas escutei ainda sua voz grave e terna dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixe-o, ele ainda está assustado. Mas a comida está lhe fazendo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após uma semana de tentativas frustradas finalmente consegui encarar minha benemérita. E que pernas, que coxas, que seios, meu Deus, que olhos tinha aquela mulher. Ela então estendeu a mão em minha direção. E eu estendi para ela a minha pinça num gesto de reconhecimento e de cortesia. Foi então que sua mão fez em torno de mim um movimento rápido, preciso e inesperado. Com a ponta de seus dedos graciosos prendeu firmemente minha carapaça, levou-me até uma pia, escovou-me, antes de me mergulhar numa panela. E a última coisa que escutei foi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hoje teremos pirão de guaiamum no almoço!&lt;br /&gt;- Ôba! A patola é minha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui coberto por tomate, cebola, cebolinha, sal e alho. Tudo picadinho, com muita água e sal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7509657391970031517?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7509657391970031517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7509657391970031517' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7509657391970031517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7509657391970031517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/nada-lembro-de-minha-infancia-exceto-do.html' title='Uma estória de amor'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6KrlX0pnyI/AAAAAAAAARc/t-zvBfPfe6I/s72-c/3083681192_1e09a0c43c.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-514783967407887981</id><published>2010-03-16T18:12:00.000-07:00</published><updated>2010-03-16T18:30:03.827-07:00</updated><title type='text'>Adoniran e os Demônios da Garoa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6At4mmDJtI/AAAAAAAAARU/676_nRoLSNM/s1600-h/2C8991_1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6At4mmDJtI/AAAAAAAAARU/676_nRoLSNM/s320/2C8991_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5449405999574361810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprecio muitíssimo o sotaque paulistano do Samba de Adoniram Barbosa. Comprei a semana passada o CD &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Os Demônios da Garoa interpretam Adoniram Barbosa&lt;/span&gt; por uns poucos Reais. Excelente compra, não escuto outra coisa no carro. A Sinfonia Fantástica, de Berlioz, que também havia comprado na ocasião, regência de James Levine, foi pras picas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo o disco com as músicas do velho Adoniran. Só senti falta daquela música da Inês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inês saiu, dizendo que ia&lt;br /&gt;comprar pavio pro lampião.&lt;br /&gt;Pode me esperar, Mané,&lt;br /&gt;que eu já volto já.&lt;br /&gt;.....................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procurei no hospital e no xadrez,&lt;br /&gt;andei a cidade inteira&lt;br /&gt;e não encontrei Inês.&lt;br /&gt;Voltei pra casa triste demais,&lt;br /&gt;o que Inês me fez não se faz.&lt;br /&gt;Pois no chão bem perto do fogão&lt;br /&gt;encontrei um papel escrito assim:&lt;br /&gt;Pode apagar o fogo, Mané,&lt;br /&gt;Que eu não volto mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-514783967407887981?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/514783967407887981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=514783967407887981' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/514783967407887981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/514783967407887981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/adoniran-e-os-demonios-da-garoa.html' title='Adoniran e os Demônios da Garoa'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S6At4mmDJtI/AAAAAAAAARU/676_nRoLSNM/s72-c/2C8991_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4509376676275097844</id><published>2010-03-14T17:02:00.000-07:00</published><updated>2011-05-15T15:06:39.628-07:00</updated><title type='text'>A Carta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S516OZfDcjI/AAAAAAAAARM/IhIEiH0VNa0/s1600-h/carta-de-amor.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 252px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S516OZfDcjI/AAAAAAAAARM/IhIEiH0VNa0/s320/carta-de-amor.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448645511966061106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns meses mantive em meio ao caos de minha escrivaninha a tal carta. Em envelope azul, caligrafia bem cuidada, diariamente lia o nome Maria Luísa e, logo abaixo, como o mesmo esmero, o endereço onde eu morava. Rua Ourém tal, tal, tal. Ao lado um selo carimbado pela Agência Centro dos Correios no Recife e que custara 65 centavos. Decorridos alguns dias da chegada do envelope, perguntei aos vizinhos se eles conheciam alguém que correspondesse àquele nome sem sobrenome; alguém que houvesse habitado o meu apartamento antes de mim, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morava naquele apartamento havia pouco mais de quatro anos. Deveria exisitir alguém na vizinhança cujo nome fosse ao menos próximo ao da destinatária, argumentou um dia a minha namorada. Não encontrei sequer uma Maria entre nós. O mais próximo que cheguei foi a descoberta de uma Maryanne Lima, que envidentemente não era a moça da carta. Os vizinhos antigos também não se recordaram de ninguém com aquele nome. Meu apartamento, segundo vim a saber, sempre fora alugado por solteirões. Nenhuma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas os rapazes que moraram aí sempre foram mais simpáticos e bonitos que o senhor – revelou-me uma moradora antiga do Edifício A., ela própria não muito simpática e bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha namorada, de qualquer modo, discordou da vizinha. Considerei devolver ao correio aquela carta, mas percebi que isso seria inútil. O nome do remetente estava ilegível, estranhamente borrado, num envelope que, no mais, permanecia imaculado. Justifiquei desta forma, para mim próprio, o fato de não ter me livrado de uma correspondência que não me dizia respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou aquele pedaço de papel misturado a outros muitos que perambulam no meu escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não o perdi de vista.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convenci-me, não sei bem como, ser a tal destinatária uma mulher jovem. E o simples fato de chegar a essa conclusão, algo como os rudimentos de uma identidade, já era um indício claro de que eu desenvolvera algum tipo de ligação com aquele envelope lacrado, endereçado ao apartamento que ocupava. Ao apartamento, não. A alguém, a uma mulher, talvez jovem, a Maria Luísa. Mas o erro que eu cometia era sintomático, algo já próximo a um artifício retórico, argumentou na ocasião minha namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir do terceiro mês, passei a ter sonhos regulares com uma mulher que eu surpreendia em meu banheiro, ou lendo os livros desavergonhados que tenho e também leio, ou ainda abrindo a porta da geladeira, de onde pegava uma fruta. Realizava esses gestos comezinhos sempre usando uma de minhas camisetas, e mais nada, à vontade sempre, como eu nunca consegui estar em meu próprio lar. Em todas essas circunstâncias em que acreditava surpreendê-la, ela sempre me olhava com uma familiaridade desconcertante, sorria um sorriso bom e eu acordava. Nestas ocasiões, sempre me acometia a mesma constatação absurda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eita! Esqueci de perguntar-lhe como ela é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, era-me impossível lembrar da aparência da tal mulher, embora não tivesse problema em recordar seus gestos, atitudes, jeito de caminhar e pegar coisas. Não posso dizer que a recorrência desses sonhos me perturbasse. Nem mesmo o tal lapso de curiosidade me incomodava muito. Não deixava de ser estranho, todavia, aquela sensação de estar me tornando íntimo de alguém que eu não conhecia, que eu sequer ousava enxergar nos meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que decidi abrir a carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso me levou ainda algumas semanas. Confesso que o que menos me incomodava era o crime que iria cometer, abrir correspondência alheia. De certo modo, Maria Luisa  - pois quem mais poderia ser a mulher de meus sonhos? - tornara-se íntima, a trafegar pelo meu apartamento apenas de camiseta, a comer as maçãs, bananas que eu sonhava, a banhar-se nas águas que eu imaginava. Abri a carta muito lentamente, milímetros diários que finalmente expuseram uma única folha de papel, azul como o envelope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta dizia:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;“Querido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem deve ser rápido e corajoso em tudo na vida. Mesmo ao decidir abrir uma carta que aparentemente não lhe diz respeito, deve fazê-lo sem vacilar. Gosto muitíssimo de você, mas não posso pensar numa vida em comum com um homem que levará, como sei que você levará, semanas para realizar um desejo tão básico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, seu cagão!”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, eu levei meses para abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assinava: Fulana de Tal. E Fulana de Tal era o nome de minha namorada. Como naquela peça de Nelson Rodrigues, ela fugira com o amante paraguaio, que não havia entrado ainda na estória.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4509376676275097844?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4509376676275097844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4509376676275097844' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4509376676275097844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4509376676275097844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/durante-alguns-meses-sobre-minha.html' title='A Carta'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S516OZfDcjI/AAAAAAAAARM/IhIEiH0VNa0/s72-c/carta-de-amor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7418275421265459465</id><published>2010-03-13T14:29:00.000-08:00</published><updated>2010-05-10T05:44:33.527-07:00</updated><title type='text'>Oito deitado v. 2.0</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5095Z-jkII/AAAAAAAAAQ8/UNdUdErg-Tg/s1600-h/The+old+blind+woman.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5095Z-jkII/AAAAAAAAAQ8/UNdUdErg-Tg/s320/The+old+blind+woman.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448579180623270018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó, já beirando os oitenta anos, rosto de maracujá de gaveta, olhos esbranquiçados pela idade e pela catarata, peito ampliado pelas terríveis crueldades de que era capaz, olhou-me, com os excelentes ouvidos que tinha, subir numa goiabeira e ali permanecer por toda a manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu notícias do mundo. Porém, eu nada disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei que as coisas ao meu redor se mirassem em minha pele, retina, cabelos, nos calções que usava. Eu sequer contemplava. Confundia-me antes com as coisas ao meu redor. Vento vindo do rio, cheiro de mangue, grito de mulher, correria da meninada na Rua da Saúde, a poeira subindo na Rua General Mena Barreto, as folhas, os vários tons de amarelo dos frutos, o sol intenso, um ou outro passarinho, e coisinhas assim, em cujo emaranhado eu me escondia. Subi na goiabeira para ser folha, fruto e bico de passarinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó apenas conferia o rastro sonoro de minha existência semi-alada, a macaquear uma ou outra manobra segura entre os galhos da fruteira. Eu ainda não havia descoberto o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferia dizer de mim, mas não para ela, pelos rastros que deixava no quintal: montículos róseos de sementes quase mastigadas, cascas, uns galhinhos muito verdes, que sem querer eu arrancava, e minha sombra que mudava de lugar e forma com as horas do dia. De mim, sabiam as galinhas, a manducar o que eu cuspia e a se proteger do sol dentro do enorme caranguejo que eu projetava sobre o barro vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó pediu-me novas das cores dos pássaros, que ela apenas ouvia, porém eu nada disse. Um que estava eu com o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aaaahhh! PESTE! Um dia estarás tão só que precisarás me inventar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mundo transcorria em mim - como correm muitos rios em um rio, com seus sons e tons e cheiros -, indiferente à minha sina.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S50-Apg8YzI/AAAAAAAAARE/S61xdVMznzU/s1600-h/old_lady.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 308px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S50-Apg8YzI/AAAAAAAAARE/S61xdVMznzU/s320/old_lady.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448579305053119282" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7418275421265459465?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7418275421265459465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7418275421265459465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7418275421265459465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7418275421265459465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/o-oito-deitado.html' title='Oito deitado v. 2.0'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5095Z-jkII/AAAAAAAAAQ8/UNdUdErg-Tg/s72-c/The+old+blind+woman.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-6594054104639941006</id><published>2010-03-11T03:02:00.000-08:00</published><updated>2010-03-11T12:45:49.586-08:00</updated><title type='text'>Dúvida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5jkh29v-UI/AAAAAAAAAQs/3pLXRxgx8TU/s1600-h/2203250246_af06cddc67.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 245px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5jkh29v-UI/AAAAAAAAAQs/3pLXRxgx8TU/s320/2203250246_af06cddc67.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447355019645942082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora revele-me com a mesma simplicidade: por que duas linhas e não mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque o que realmente importa deve caber no bolso da camisa . Deve acomodar-se entre uma e outra batida do coração. Deve ter a forma apaixonada das paralelas que se orientam e se acalantam em aceno mútuo. Não importa quão distantes estejam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-6594054104639941006?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/6594054104639941006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=6594054104639941006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6594054104639941006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6594054104639941006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/duvida.html' title='Dúvida'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5jkh29v-UI/AAAAAAAAAQs/3pLXRxgx8TU/s72-c/2203250246_af06cddc67.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-9056914618354527035</id><published>2010-03-10T16:58:00.000-08:00</published><updated>2010-03-11T04:32:37.987-08:00</updated><title type='text'>Glosa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5h496_66LI/AAAAAAAAAQk/Hd83BzJP9Fw/s1600-h/no-ceu-da-boca.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 294px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5h496_66LI/AAAAAAAAAQk/Hd83BzJP9Fw/s320/no-ceu-da-boca.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5447236754509326514" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em duas linhas, não mais. Em duas magras linhas, diga-me algo que mereça ser ouvido. Coisa certa, vento que alvoroce e que afague, clamor de muezim do alto de um minarete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Longa pausa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada me ocorre, além do silêncio. Pois em seu casulo tudo ainda aguarda ser dito. Mantras. Sussurros com longas asas de seda. Palavras mágicas feitas de cera em cujo oco o bronze do amor possa endurecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(E depois, ter entre as mãos essa jóia antiga e os golpes de martelo que a transformem)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-9056914618354527035?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/9056914618354527035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=9056914618354527035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9056914618354527035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9056914618354527035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/03/glosa.html' title='Glosa'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S5h496_66LI/AAAAAAAAAQk/Hd83BzJP9Fw/s72-c/no-ceu-da-boca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8603580325344162376</id><published>2010-01-11T16:15:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T16:15:47.251-08:00</updated><title type='text'>Monty Python - the four Yorkshiremen</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Xe1a1wHxTyo&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Xe1a1wHxTyo&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8603580325344162376?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8603580325344162376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8603580325344162376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8603580325344162376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8603580325344162376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/01/monty-python-four-yorkshiremen.html' title='Monty Python - the four Yorkshiremen'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4540373935042221648</id><published>2010-01-05T06:03:00.001-08:00</published><updated>2011-07-05T11:27:42.001-07:00</updated><title type='text'>Águas passadas (v 2.3)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0NGwlP_LmI/AAAAAAAAAQU/cGRmhhWQm4E/s1600-h/1184584667_f.jpg"&gt;&lt;img style="cursor: pointer; width: 290px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0NGwlP_LmI/AAAAAAAAAQU/cGRmhhWQm4E/s320/1184584667_f.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423256176731041378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um momento quase perdido de meus treze anos, a tragédia escancarou os portões do quintal de goiabeiras, jambeiros e mangueiras frondosos onde vivíamos - quintal sob o qual um fogo antigo jazia. E digo goiabeiras, mangueiras e fogo antigo como os pregoeiros anunciariam “bananas maduras”, “goma de mandioca”, “cuscuz”. Digo tudo isso em um sentido exato que não permite a liberalidade da metáfora. Esclareço portanto, de pronto, o que sei de modo visceral, como conheço o arranco de meu corpo quando goza: o trágico é sempre uma decisão entre a vida e a morte. Uma decisão que transforma a vida de todos a quem ele banha nas cinzas, ou nas águas, do sacrifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1975, enfrentei, junto com minha família, e toda a população recifense, uma das tristíssimas enchentes que arrasavam periodicamente nossa cidade. Aos que nunca viveram nada parecido, revelo: o subir das águas, sua loucura, sua negação do que seja margem, monumento, propriedade, é quase uma alegria. E o era inteiramente para as crianças pobres que encontravam festa no mundo a soçobrar, num dilúvio que por vezes também as levava, como aos porcos, aos troncos de bananeira, às camas velhas e aos colchões que flutuavam na superfície da correnteza. Tudo aquilo era de certa forma festa, delírio dos elementos, vertigem, carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, mesmo as crianças não passavam ao largo da imensa tristeza que era voltar a um lar arrasado pelas águas e pela lama.  Em muitos casos, óbvio, não havia para onde voltar. Esse era sempre o caso de Cosma, dona Maçu, Pampão, Zefa e Jurandir, seu Zeca do Pesão, Maria Doida, Tulúia e seu Manoel, seu Tatá e tantos outros habitantes dos casebres de taipa que formavam a paisagem do bairro onde vivíamos. Nomes hoje sepultados sob a espessa lama do tempo.&lt;br /&gt;&lt;div class="pre-spoiler"&gt;&lt;br /&gt;&lt;input onclick="if (this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display != '') { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = '';this.innerText = ''; this.value = 'Ocultar'; } else { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = 'none'; this.value = 'Leia Mais';}" id="xs" value="Leia Mais" style="margin-left: 50px; padding: 0px; width: 80px;" type="button"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="spoiler" style="display: none;"&gt;&lt;br /&gt;Lembro com cores particularmente vivas, tantos anos já idos, de adentrar com meu pai nossa casa, procurando fazer o rescaldo da fúria da natureza. E tudo, das paredes aos móveis, ao quintal, ao tronco das mangueiras, tinha a tonalidade única do massapê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela última grande enchente a arrasar os bairros pobres da cidade do Recife, ganhei uma imagem que  me acompanhou vida a fora. Aberta a porta de entrada de nossa casa, ao lado da mesa onde jantávamos, a gaiola dos nossos papagaios cobertas de lama. Dentro dela, uma fotografia pavorosa: os dois louros que amávamos tanto, agarrados no teto de sua gaiola, rígidos, numa tentativa inútil e desesperada de fugir das águas que subiram lentamente. A gaiola havia sido deixada sobre a mesa - vejo ainda claramente seu tampo de fórmica azul. Bem cedo o movimento das águas deve tê-la derrubado daquele tampo liso, pois  os animais ainda tiveram tempo de subir até a parte mais alta de sua prisão e ali esperar, os bicos projetados para fora, o que não tinha mais esperanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da constatação das perdas, havia o momento de expulsar as cobras, ratos e limpar com água, vassoura e rodo a lama toda do mundo. Um trabalho civilizador cujo principal objetivo era o de reconstituir fronteiras. E era tudo em grande quantidade, bichos fora do seu lugar, água, lama. Não sei ao certo se já dispúnhamos de água encanada em nossa casa, ou se por algum motivo ela não estava disponível em nossas torneiras naquele dia. Mas recordo perfeitamente de ter ido pegar água na casa de um amigo de escola, que morava a uns cinquenta metros de nossa casa, com duas latas enormes. Havia ali uma fila, mas não esperei muito. Uma correria vinda do Leste e gritos se impuseram à urgência de nossa tarefa. “A barragem de Tapacurá estourou!”, isso foi o que ouvimos. Todo recifense com mais de trinta sabe, ao menos de ouvir falar, do que se seguiu àquele boato. Pânico geral na cidade, as pessoas correndo como loucas pelas ruas tentando chegar a um plano mais alto de nossa cidade historicamente pantanosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos instantes minha família estava reunida dentro da velha kombi alaranjada de meu pai. Toda a família exceto minha irmã mais velha, que não conseguíamos encontrar em parte alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora o  rompimento da barragem tenha se revelado um boato, nunca ninguém soube onde nem como começou, meu pai teve de decidir entre o que julgava ser a morte de todos nós ou a salvação de alguns - e a provável morte de minha irmã. Essa foi a primeira vez que o vi chorar. Repetia: “Onde está aquela magra dos diabos?!” Protestante que era, a blasfêmia indicava o desespero. Por fim decidiu: sacrificava-se Isaac pelo bem do povo de Israel. Partimos para o alto do Ibura levando a tiracolo a família de Waldo (o Pinto) e uma ausência. Meu pai ia pelo caminho abrindo passagem entre a multidão que corria em desespero, tendo de recusar carona a tantos quanto lhe pedissem. Não havia mais espaço dentro da kombi. A louca de nossa rua insistia, soube anos depois, em entrar na casa de um major do exército, acreditando que as águas não ousariam desrespeitar tão alta patente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em poucos minutos estávamos na Avenida Caxangá, a imagem do caos. Em meus pesadelos por vezes aquela cena se repete com alguns toques mais dramáticos. Além dos carros atravessando canteiros, subindo sobre calçadas, há ali também a queda dos postes, o que efetivamente não ocorreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha irmã ficara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém dizia nada, a não ser Waldo que procurava acalmar meu pai. “Calma, homem, senão a gente não chega lá”. Mas chegamos e tão logo a kombi nos deixou na parte mais alta do Ibura, que nem é tão alto assim, ela rumou de volta para o bairro onde vivíamos. Pinto  assumiu novamente o banco do carona e eu, dos meus treze anos, julguei que já deveria tomar uma atitude de homem e pedi para ir junto. Seria mais um nas buscas. Meu pai recusou com a raiva de quem sabe reconhecer a bravata e ordenou que eu ficasse onde estava. Eu agradeci aos céus que a minha macheza não tivesse sido levada a sério, apesar do fato de adorar minha irmã. De resto, eu pouco poderia fazer para ajudar, ao menos foi assim que procurei me consolar por não ter insistido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai encontrou minha irmã a caminho de casa. Tinha ido visitar uma amiga na Avenida do Forte. Já então sabia que todo aquele pânico nada mais era que um boato. Parecia calma e compreensiva, mas teve de conviver com a decisão que meu pai tomara, pouco importa se no final das contas à toa. Ela tinha sido sacrificada. Quando lembro desse episódio de nossas vidas, lembro também do que minha irmã escreveu em giz num barrote que suportava o teto daquela mesma sala onde fazíamos as nossas refeições: “Moro nessa casa. Moro nessa casa. Moro nessa casa”. Seu depoimento permaneceu ali por muitos anos, não importa quantas vezes nossa casa tivesse sido pintada. Respeitado como se respeita um grito vindo do fundo do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o melhor e o pior, nossa vida não foi mais a mesma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4540373935042221648?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4540373935042221648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4540373935042221648' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4540373935042221648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4540373935042221648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/01/em-um-momento-quase-perdido-de-meus.html' title='Águas passadas (v 2.3)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0NGwlP_LmI/AAAAAAAAAQU/cGRmhhWQm4E/s72-c/1184584667_f.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7645466193705417669</id><published>2010-01-04T06:43:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T07:07:32.365-08:00</updated><title type='text'>As cinzas do passado redux</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0ICChOwOdI/AAAAAAAAAQM/TmjOpMfrlPw/s1600-h/ashes+of+time+redux+leslie+jacky.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 210px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0ICChOwOdI/AAAAAAAAAQM/TmjOpMfrlPw/s320/ashes+of+time+redux+leslie+jacky.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5422899143610743250" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assisti também ao "Cinzas do passado" (Ashes of Time redux). Apuro estético etc., mas ainda não sei do que se trata realmente. É que como o meu mandarim está tão enferrujado quanto o meu cantonês, e posto que as legendas foram adicionadas ao filme para provar definitivamente minha precaríssima alfabetização em português, perdi 70% dos diálogos do filme. Em todo caso, encontrei mais esse filme de Wong Kar-Way na Livraria Cultura por um preço razoável (R$ 32,00). Talvez sua alfabetização, leitor, seja melhor que a minha, ou o seu mandarim tenha sido certificado recentemente, ou você é compulsivo também e vai assistir até ler todas as legendas - não vale trapacear apertando o pause. De qualquer modo, há de valer a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7645466193705417669?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7645466193705417669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7645466193705417669' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7645466193705417669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7645466193705417669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2010/01/as-cinzas-do-passado-redux.html' title='As cinzas do passado redux'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/S0ICChOwOdI/AAAAAAAAAQM/TmjOpMfrlPw/s72-c/ashes+of+time+redux+leslie+jacky.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2592327368859871608</id><published>2009-12-30T08:17:00.000-08:00</published><updated>2009-12-31T10:04:27.816-08:00</updated><title type='text'>Uma crônica de Natal (parte 1)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Szt90EHv-sI/AAAAAAAAAP8/Au7JebpE7fM/s1600-h/weihnachten_kuenstler.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 257px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Szt90EHv-sI/AAAAAAAAAP8/Au7JebpE7fM/s320/weihnachten_kuenstler.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421064909883439810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das duas da tarde, minha irmã me ligou. Queria confirmar minha participação na ceia de Natal. Estranhei um pouco esse novo telefonema, pois já havia dito 'sim' anteriormente e todos sabem em minha família o quanto sou tediosamente previsível no que concerne aos convites que aceito. Vou a todos os compromissos, levando a tiracolo meia dúzia de estórias surradas, um número maior de gafes e alguns serviços úteis, para os quais me requisitam, mas que sempre faço de modo insatisfatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E a gente estava querendo saber também se tu toparias ser o Papai Noel da festa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí. Chegamos ao ponto: “a gente” já indicava minha responsabilidade diante das massas. Esse então seria o raio de ingresso que eu teria de pagar – e já começo a blasfemar pensando no aniversário do Cristo. A justificativa para o encargo confiado em boa fé seria o fato de, vinte anos atrás, eu ter sido palhaço das festas dos meus sobrinhos e sobrinhas - e cuspidor de fogo renomado, contorcionista ocasional, tudo isso com a mesma falta de talento. Ainda lembro da cabeleira linda de uma loirinha que chamusquei durante uma exibição de meus pendores circenses. Mas parece que Papai Noel é um papel menos arriscado e por isso o convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei de minha aposentadoria precoce, das artrites múltiplas que me privaram do prazer de tocar com o nariz em minha própria bunda, da asma que arruinou o meu ato como dragão humano e finalmente conclui por uma inadequação evidente para incorporar tão nobre personagem. O “physique du rôle” até que eu tenho desenvolvido ao longo dos anos, mas estou mais para Tio Barnabé do que Santa Klaus. É claro que havia uma má-vontade evidente nas minhas reticências, mas quem já viu Papai Noel afro-descendente em qualquer propaganda de TV, anúncio, outdoor etc? Desconversei dizendo que seria o momento de abrir espaço para novos talentos e, por via das dúvidas, perguntei se o convite para a ceia ainda estava de pé. Estava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conseguiram um outro Papai Noel, um sobrinho que não via havia exatos doze anos e que mora hoje no Alasca, o que significa dizer que ele é vizinho do bom velhinho. Deve conhecer todas as renas pelo primeiro nome, saber de cor a placa do famoso trenó. Enfim, uma escolha perfeita, não fosse o fato de nosso Santa estar vindo de uma temperatura de menos vinte graus abaixo de zero para uma temperatura amena de trinta acima, sem ter tido tempo de fazer a barba, por uma roupa mais confortável, utilizar a farta mão-de-obra local desempregada para carregar o seu enorme saco de brinquedos. Os primeiros efeitos dessa mudança brusca não tardaram a se mostrar. E as criancinhas começaram a chorar quando viram que Santa parecia meio embriagado, deprimido e finalmente choraram a valer quando ele quase desmaia de calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Papai Noel está bêbado, mamãe”, disse uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria delas, pequenos demais para sequer reconhecer a figura de barba torta, roupa vermelha, barriga enorme estava definitivamente assustada. Foi-se pela porta dos fundos o bom velhinho, mas não precisou de atendimento médico, como suspeitávamos. Ficamos a sós com nossas conversas por colocar em dia. Santa, abanado pela bela esposa jordaniense que havia conquistado entre um vôo para a América do Sul e outro ao Oriente Próximo, logo se recuperou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2592327368859871608?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2592327368859871608/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2592327368859871608' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2592327368859871608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2592327368859871608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/uma-cronica-de-natal-parte-1.html' title='Uma crônica de Natal (parte 1)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Szt90EHv-sI/AAAAAAAAAP8/Au7JebpE7fM/s72-c/weihnachten_kuenstler.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3019921681372175242</id><published>2009-12-24T12:09:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T11:31:42.838-08:00</updated><title type='text'>"La barca en que me iré 2: el império contra ataca"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SzPLRm8Pe2I/AAAAAAAAAP0/l7xBfvkVFoE/s1600-h/StarWarsEpisodeIII_1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 196px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SzPLRm8Pe2I/AAAAAAAAAP0/l7xBfvkVFoE/s320/StarWarsEpisodeIII_1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418898280028273506" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois então me queres santa? Congelada nesse nicho, nessa reentrância da matéria bruta, onde me puseste ao abrigo da merda e da história. Prisioneira. Sempre carregando esse sorriso bom, essas tetas que não fenecem nem aleitam, esse corpo que não sua nem se suja, essa bunda de madeira, essa vagina que já não serve para nada, essa boca que sempre repete a mesma ladainha que te ninou a vida inteira”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Agora te rebelas, meu anjo? Achas pouco o incenso, a mirra, as velas, lágrimas e todo esperma que verti aos teus pés e dentro de ti? Todos esses versos em prosa sem saber já ao certo se exististe tal e qual, sem poder imaginar sequer o quanto haveria sobrado de ti sob tantas demãos de tinta, tanta seda boa comprada na Viana Leal... O que poderias mais querer de mim?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Morrer. Deixa-me morrer como tudo que vale a vida. Sob a tinta e a tinta, por entre as bijuterias e  os mantos de cetim barato, por dentro dessas pequenas ofertas de menino grande. Deixa-me morrer como tudo que é bom ”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Como morre uma personagem? Dize-me tu que talvez o saibas melhor que eu, a me reinventar dentro de ti.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Assim. Transformando o que foi dádiva santa em pão e semeadura; alimentando essa vida frágil que não para nem dura.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3019921681372175242?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3019921681372175242/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3019921681372175242' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3019921681372175242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3019921681372175242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/la-barca-en-que-me-ire-2-el-imperio.html' title='&quot;La barca en que me iré 2: el império contra ataca&quot;'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SzPLRm8Pe2I/AAAAAAAAAP0/l7xBfvkVFoE/s72-c/StarWarsEpisodeIII_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-6882432380839100977</id><published>2009-12-20T15:57:00.000-08:00</published><updated>2009-12-29T02:26:24.688-08:00</updated><title type='text'>“La barca en que me iré”</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sy67rmliB1I/AAAAAAAAAPU/Vb5hjV8v2mo/s1600-h/window.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 231px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sy67rmliB1I/AAAAAAAAAPU/Vb5hjV8v2mo/s320/window.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417473759540021074" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho vinte anos sob esta janela. Do interior de sua moldura carcomida, teus cabelos castanhos lambem o vento. Teu sorriso, de pedras polidas sob essa correnteza incerta, e teu olhar vário, bicho que não se distingue da folhagem, convidam-me casa a dentro. Pressinto, então, apenas pressinto, o que dizes baixinho, num afago grave, à minha sombra triste - e não a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo para sempre secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali parado, viola numa mão, na outra um choro desesperado, imploro aquilo que nunca me negaste e que eu não posso aceitar. Estrangulado. No colo do paradoxo, hei de te amar rua afora, décadas inteiras, nos becos onde cair meu corpo cambaio, toda fodida hora em que minha alma limpar a lama de pés ligeiros, junto ao corpo quente da voz de Chavela. Sempre que me alegrar a vida e o amor me for ofertado ou vendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá e agora, naquele abraço maldito. Quietinho, os olhos fechados, a respiração curta, indiferente ao mundo a girar e ao tempo a consumir ruas inteiras, o hálito das promessas, o calor de tantos corpos, a alegria de outros carnavais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ali sempre haverá de se voltar meu vulto precário. Meca de minha alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-6882432380839100977?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/6882432380839100977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=6882432380839100977' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6882432380839100977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6882432380839100977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/tenho-vinte-anos-sob-essa-janela-de.html' title='“La barca en que me iré”'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sy67rmliB1I/AAAAAAAAAPU/Vb5hjV8v2mo/s72-c/window.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3752447029831446536</id><published>2009-12-16T12:30:00.001-08:00</published><updated>2009-12-16T12:43:11.427-08:00</updated><title type='text'>Chavela Vargas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SylGU-K1r9I/AAAAAAAAAPE/TFut1sao7wA/s1600-h/Chavela02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 251px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SylGU-K1r9I/AAAAAAAAAPE/TFut1sao7wA/s320/Chavela02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415937352989519826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escutar Chavela Vargas é ter a certeza de que estou fazendo tudo errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;center&gt;&lt;object data="http://assets.myflashfetish.com/swf/mp3/mixpod.swf" type="application/x-shockwave-flash" height="128" width="320"&gt;&lt;param value="false" name="menu"&gt;&lt;param value="TL" name="salign"&gt;&lt;param value="window" name="wmode"&gt;&lt;param value="myid=k75mw&amp;autoplay=false&amp;addMode=false&amp;prev=3" name="flashvars"&gt;&lt;/object&gt;&lt;/center&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que "Piensa en Mi" foi usado por Almodovar em um de seus filmes... Kika?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3752447029831446536?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3752447029831446536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3752447029831446536' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3752447029831446536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3752447029831446536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/chavela-vargas.html' title='Chavela Vargas'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SylGU-K1r9I/AAAAAAAAAPE/TFut1sao7wA/s72-c/Chavela02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7894410204613828239</id><published>2009-12-07T19:43:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T05:23:00.009-08:00</updated><title type='text'>A mulher, o homem e o mar (da série "Reciclar é Viver")</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sx3Lw-3TY1I/AAAAAAAAAOs/DK6g8sgmbPE/s1600-h/galeao.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 244px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sx3Lw-3TY1I/AAAAAAAAAOs/DK6g8sgmbPE/s320/galeao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412706369538319186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu mui digno capitão, emproado em seu barquinho, a singrar a contracorrente das águas do tempo. Que tesouros amealhaste em tal  desnavegar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meias desemparelhadas, peixes já comidos, pneus gastos, beijos em bocas que se foram, a mãe sobre a pedra fria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E onde levas carga tão preciosa e perdida, mui amável capitão?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aos pés que as perderam, ao motorista distraído, ao amante descuidado, ao filho que ainda chora. E assim, restituir o calor, o conforto fugidio, a saliva à boca que ainda procura, o sopro ao corpo desamparado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E o que queres de mim, velho lobo do mar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Navegar-te assim, meu amor, como quem busca refazer a própria história”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E consertar o que já não pode ser reparado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que outra coisa busca o teu aceno nesta margem que me escapa?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7894410204613828239?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7894410204613828239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7894410204613828239' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7894410204613828239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7894410204613828239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/mulher-o-homem-e-o-mar-da-serie.html' title='A mulher, o homem e o mar (da série &quot;Reciclar é Viver&quot;)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sx3Lw-3TY1I/AAAAAAAAAOs/DK6g8sgmbPE/s72-c/galeao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3830531839979240717</id><published>2009-12-01T13:28:00.000-08:00</published><updated>2010-01-25T05:47:06.535-08:00</updated><title type='text'>A ESTÓRIA DA ESCRITA : um conto de muitas secreções (resgatado do naufrágio do Segunda Mão)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxWLc3PZ5hI/AAAAAAAAAOk/XrXueRKcVTk/s1600/GiantDespair.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 246px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxWLc3PZ5hI/AAAAAAAAAOk/XrXueRKcVTk/s320/GiantDespair.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410383855336678930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criança ainda escutava a frase. Ao rememorá-la, não posso impedir que meus dedos percutam, contra a minha vontade, em um teclado imaginário; por vezes, um tamborilar quase imperceptível. “Para uma estória apenas você nasceu; será uma e apenas esta. Escrita. E essa estória é o sentido de você ter nascido”. Vida afora me ocuparam a responsabilidade, a vagueza da empreitada e o aparente paradoxo que ela continha: uma estória que prepara um narrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos oito, procurei definir melhor o meu destino e o estilo a ele associado. “Quantas palavras tem a tal estória? Qual a palavra que a começa ou termina?” A essas indagações minha avó nada respondia. Ameaçava-me com uma bordoada se insistisse. Quando estava de bom-humor, desenhava no ar com o corpo um passo de cavalo-marinho, fazia uma careta qualquer com sua boca murcha. De um jeito ou de outro, encerrava a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos nove, postei-me diante dela depois de ter tomado banho. Abri meu caderno "Brasil, Avante!" e mostrei-lhe minha primeira tentativa. “Não sabe que eu sou analfabeta! Leia”, disse, ajeitando na boca o cachimbo, depois brindar o galo do terreiro com sua cusparada precisa. Apertava bem os lábios, comprimia bruscamente as bochechas e lá ia o jato. Comecei e terminei minha narrativa do seguinte modo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando minha mãe tinha quatro anos, minha avó foi embora de casa. Passou um tempão pelo mundo feito uma doida. Trabalhou na enxada e pediu esmola. Voltou um dia chorando feito uma cabra e disse pra ela: eu sou tua mãã-ãã-ãããeee... Minha mãe já era até casada. Mesmo assim, perdoou. Hoje minha avó vive num barraco em cima da merda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse primeiro esboço não agradou dona Tonha, por motivos nem tão óbvios, e eu tive de me haver com a contundência de uma primeira crítica literária. Em carreira desabalada fui alcançado por uma goiaba verde, colhida rapidamente de uma de nossas muitas goiabeiras. Mirou e acertou nas costas - a cabeça era lugar sagrado. Seguiu-se um grito: “E faça o negócio certo, cabra safado!” A idéia toda sempre foi que eu sabia a tal estória e precisava apenas colocá-la no papel. Aqui talvez algumas explicações acerca de meu primeiro esboço, minha primeira tentativa de acerto de contas, sejam necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as poucas indicações que tive para escrever a obra de minha vida – uma vez realizada, eu teria cumprido meu destino sobre a terra -, até que não me sai mal. Escrevi uma epopéia concisa; deixei de fato muito detalhe, muita coisa que julguei sem valor, de lado. Fui direto ao fundamental. O abandono de minha mãe estava lá; a peregrinação enlouquecida de minha avó, sua vida dura de bóia-fria, os bichos que criou, galinhas, perus e cabras, estavam todos implicitamente lá; o retorno depois de vinte anos, a generosidade desumana de minha mãe, meu sentimento inconfessável, tudo estava lá. Faltava o meu tio José, é verdade. E talvez tenha sido muito abrupta a passagem entre o perdão filial e a vida num barraco em cima de uma fossa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refletindo depois, pensei que poderia ter me alongado um pouco mais ali. Falado que, tendo ela sido alcoólatra durante muito tempo, e constituída de um gênio irascível, meu pai nunca aceitou partilhar com ela o mesmo teto. Diante da insistência de minha mãe, todavia, resolveu construir-lhe um lugar onde morar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandou primeiro seu Mariano da Sanfona esvaziar a fossa que havia ao lado do galpão de sua marcenaria. Esse era o trabalho lá dele cujo andamento eu gostava de apreciar, desgostando muito, tendo muita repulsa. “Por que o senhor trabalha nisso, seu Mariano, carregando bosta dos outros?” Eu não disse. Mas pensei e ele como que ouviu a pergunta que eu não ousava. Ele então olhou bem nos meus olhos, sorridente, envolto em querosene e disse: “Primeiro, o como: tomo um quartinho de aguardente sempre antes e passo querosene no corpo. Depois o por quê: não escutei minha avó quando era menino. Ela me dizia ‘Pra uma estória somente tu foi feito...” E gargalhou enchendo de sua presença, humor e respiração de intocável o bairro da Bomba-Grande. Cobri-me de uma vergonha sufocante.&lt;br /&gt;&lt;div class="pre-spoiler"&gt;&lt;br /&gt;&lt;input id="xs" value="Leia Mais" style="margin-left: 50px; padding: 0px; width: 80px; " onclick="if (this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display != '') { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = '';this.innerText = ''; this.value = 'Ocultar'; } else { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = 'none'; this.value = 'Leia Mais';}" type="button"&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="spoiler" style="display: none;"&gt;&lt;br /&gt;Retirado o conteúdo daquele buraco, acertadas as contas com seu Mariano, meu pai aprofundou a fossa, reforçou sua estrutura de alvenaria, cobriu-a com uma tampa muito resistente e ergueu da noite para o dia uma casa de madeira, aproveitando no processo, evidentemente, uma das paredes do galpão onde exercia o ofício de marceneiro. O suspiro da fossa, um cano grosso responsável por eliminar gases fétidos e explosivos, ultrapassava o telhado. “É como se fosse uma chaminezinha...”, pensava de mim para mim. Minha avó entrou ali dentro reclamando. Mas ficou. E favela é assim mesmo. Uma parede encerra pelo menos dois ambientes, ou divide duas casas; um chão de cimento é um piso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não lembro quantas vezes minha avó se foi e retornou àquela cabana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como cheguei à conclusão de que a tal estória envolvia minha avó, não sei dizer. Mas julguei equivocadamente o que a havia desagradado em meu primeiro esboço. “Tirei a merda da estória”, disse-lhe alguns dias depois de iniciada minha carreira peculiar de contista. Ela nada respondeu, mas me olhou com tamanha tristeza que entendi perfeitamente ser aquela a única coisa que me aproximava de minha tarefa de vida, a única ponte entre mim e meu ponto final. Silenciei aquele fogo por algum tempo, mas tirei minhas conclusões. Numa tarde em que ela estava ocupada com o cerzido de alguma roupa, ou emendava trapos à sua infindável colcha de retalhos, muito atenta com seus óculos de uma perna só, fiz-lhe a pergunta. “Como morreu meu tio José?” Ela estancou sua costura. Os ruídos do quintal, canto de passarinho, briga de porco, o sol avermelhando-se no horizonte soluçaram e os raios do fim do dia espicharam-se o mais que puderam em direção à resposta. Fez-se uma pausa longa. O resto de dia espreguiçou-se. Minha avó continuou seu cerzido e disse calmamente: “Você não sabe, macuco...” “Pouco”, respondi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a máquina do tempo e da memória, um e mesmo engenho, se pôs em movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contou-me detalhadamente sobre os últimos dias da vida de meu tio: como o consumiram a aguardente, farras muitas no Mercado de São José, onde era vigilante, doenças venéreas, a tuberculose; contou-me como um dia o levou morrendo em seus braços para um hospital público qualquer e concluiu: “Sabe você, macuco, o que é isso, sonha sequer? Ver os olhos de desespero de seu filho e não poder fazer nada; ver a boca dele se abrir em busca de um ar qualquer, um sopro; ver o corpo dele se torcer e a cabeça espichar-se para fora desse mergulho terrível! Morreu afogado em catarro, o meu filho”. Deixou sete palmos acima uma prole considerável, no entanto. Procurei o seu rosto sem as lágrimas que agora tenho e deixamos a tarde escurecer. Olhamo-nos por dentro dos últimos barulhos de galos e galinhas se empoleirando.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nesta noite sem estrelas, fiz de papel e gravetos uma fogueirinha no quintal. E lhe ofereci balões de folha de jornal incendiados, dancei bumba e cantei versos safados de pastoril. E ela me ensinou palavrões cabeludos e rimos o quanto pudemos. Já indo me deitar disse pra ela: “Avó, de qualquer jeito que essa estória sair, quando eu souber o que dizer, no meio dela alguém há de cantar umas loas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o véio mais a véia&lt;br /&gt;Foro tomar bãin de bica,&lt;br /&gt;A véia escorregou &lt;br /&gt;E o véio passou-lhe a pica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vai-te embora daqui, peste safado”. O que no contexto equivalia a: “Boa noite, meu querido”. No outro dia, porém, acordei acabrunhado. Considerava o tamanho de minha dívida e, dos meus doze anos de idade, tive medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta dessa idade, ou talvez um pouco antes, meu corpo começou a se transformar. Ganhei vontades e traços novos, como de resto aconteceu com todos os meus amigos de infância. Ganhamos pêlos, mudamos o timbre da voz, cobrimo-nos de espinhas e de desejos. Mas aqui uma peculiaridade deve ser registrada. Diferentemente dos outros garotos de minha idade, minhas costas e ombros tornaram-se ásperos como grossas lixas. Uma coloração opaca, um marrom esbranquiçado substituiu o tom moreno de minha pele. Tinha muita vergonha do que parecia ser uma doença de pele, mas que não coçava, não ardia e raramente secretava umas gotinhas oleosas, miudinhas como orvalho. Meus pais não fizeram muito caso na transformação. Acreditavam que com o tempo tudo voltaria ao normal. Deram de ombros: uns se tornam enrugados, outros perdem o louro dos cabelos, a suavidade da pele. Eu ganhara esse aspecto meio inorgânico e era só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó diagnosticou algo mais naquela metamorfose. “Hum! Cascavel mudando a casca”, disse apontando o bico de seu cachimbo barato em minha direção. “Um homem é a fera de sua dívida até que a pague!” Inquirir-lhe um pouco mais sobre o assunto seria, como foi, completa perda de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei a usar camiseta mesmo nas peladas da rua e, com o tempo, fui poupado da chacota de meus companheiros. Lentamente se impôs entre eles certo desconforto e por fim temor diante de um corpo de traços tão inóspitos. Cresci também muito em relação a eles. Já aos quatorze, tinha um metro e noventa. Aprenderam a não disputar bola comigo, nem botar a mão no meu ombro. Medo de contágio, creio. Medo de algo que não era exatamente transmissível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num meio-dia desses da vida, entre um bolo e outro de feijão com farinha, minha avó olhou-me fechando um olho como para mirar com mais atenção e disse: “As escamas não tardam”. De fato, no prazo de alguns meses, toda aquela epiderme esquisita que então me cobria o torso, parte dos braços e das cochas, deu lugar a escamas brilhantes e muito pequenas. O resto do corpo continuara bastante humano.  “Macuco, paga tua dívida. É isso ou viver apartado, arrastando a barriga pelo mundo, com medo das botas de gente maior e mais pesada que tu”. Não pude lhe dar ouvidos, embora desejasse, embora temesse um fim semelhante ao de seu Mariano da Sanfona, transformado em roedor, ninguém entendia como, e degolado numa ratoeira que armou um vizinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos dezesseis ganhei o mundo trabalhando num circo mambembe. Sob uma lona adornada de remendos e, dentro destes, alguns buracos, minha metamorfose era vista pela platéia como algum truque barato, algo muito menos interessante que a mulher contorcionista, que depois de dar uma volta sobre o corpo beijava o próprio sexo, ou Maciste, o homem mais forte do mundo, ou Láika, a cadela que andava na corda bamba diante de um pano azul estrelado. Fiquei entre os meus por alguns anos, aberração entre aberrações, atração que obtinha atenção variável dependendo da cidade em que armávamos nossa tenda. Fiquei até que numa briga em uma cidade pequena do sertão pernambucano mordi e quase matei envenenado um filho ilustre daquela localidade. O homem, segundo soube, curou-se, mas nunca mais teve serventia para as coisas práticas do mundo. Caçado, corri o mais que pude por entre pedras e matos secos daquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondido e achado, cumpri uns dois anos de cadeia, temporada de férias em que voltei a pensar na minha avó. “Para uma estória apenas você nasceu”, a frase se formava nas pedras da rua atrás da cadeia, distorcidas pelo calor e pela minha tristeza imensa. Aos vinte, bicho solto, voltei à casa dos meus pais decidido a por um ponto final no conto que eu devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe havia morrido uma semana antes, soube através de minha avó. Morreu de um infarto após discutirem acerca de uma ninharia qualquer. “Coração de ouro e de cristal era”, disse-me. “O que fazia ela nesse mundo de panelas de ferro, pratos de zinco, copos de latão?”. E eu a odiei então como sempre a havia odiado, odiei tão vermelhamente que meu corpo tombou no chão da pequena casa que minha mãe construíra para as duas pudessem viver juntas, depois que meu pai se encantou pelo mundo e nunca mais foi visto. Disse-lhe apenas: “Agora você tem a sua casa. Só sua”. Mais não pôde a ira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viveu ainda dois anos. Morreu uma semana depois que eu lhe narrei a estória pela qual me havia torturado toda a infância e parte da adolescência. Não sei se era o que ela desejava, nem sei se é possível alguém escrever uma estória que não seja sua, uma estória por encomenda. Mas, e por outro lado, afinal aquela seria a estória de minha vida, a estória que quitaria minhas dívidas e me deixaria uma sobrevida inútil para fazer todas as bobagens e delícias que a inutilidade pode proporcionar.  Na tal estória eu transformava mãe e filha numa só personagem, numa só personalidade, dando-lhes a oportunidade de estarem juntas como nunca estiveram. Não reproduzirei o conto, digo apenas que quase todas as minhas escamas caíram e transcrevo a frase final com a qual minha avó-mãe o fecha: “No final, alegria, fome, raiva, mágoa, desespero, pamonha e canjica feita em fogão de lenha, São João e Dia de Finados, praça, coreto, carpideira, defunto, bofetada, facada, coice, beijo na boca, foder por dentro dos matos, plantar e ver crescer; no final é preciso que tudo se compareça. Ou então, que sentido faz tanta dor?"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3830531839979240717?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3830531839979240717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3830531839979240717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3830531839979240717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3830531839979240717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/12/estoria-da-escrita-um-conto-de-muitas.html' title='A ESTÓRIA DA ESCRITA : um conto de muitas secreções (resgatado do naufrágio do Segunda Mão)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxWLc3PZ5hI/AAAAAAAAAOk/XrXueRKcVTk/s72-c/GiantDespair.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2584039259297189194</id><published>2009-11-27T14:47:00.000-08:00</published><updated>2009-11-29T03:17:49.906-08:00</updated><title type='text'>Inventário</title><content type='html'>Vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o tempo passa levando tudo que há de valor: coleção de barbantes, o vôo dos papagaios no céu de novembro, figurinhas raras, a honra de certas cicatrizes, o nome por dentro daquele beijo por detrás daquele casebre, o pão compartilhado em meio à lama, a cabeçorra quadrada do melhor amigo, certos desastres, algumas dores intensas, o choro inconsolável naquele quintal sombrio em que escravos também choraram, e o nome da rua em frente a essa casa dentro daquela dor em meio àquelas árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vigia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o tempo tem mãos ágeis e gatunas e há de te levar, sem que percebas, aquela carteira velha onde uma fotografia de uma certa moça num passado distante e um bilhete de loteria aguardam, coladinhos, o sol e a sorte. E a aspereza de tua mão, a zanga no oco da qual te reconhecem, as ofensas e no quarto contíguo, no próximo passo, os prazeres mais sacanas. As palavras que soaram como cabaças rachadas, os silêncios que encheram tardes. E a tua mãe sobre a pedra e a ira e desespero de tua avó e a imortalidade de teu pai e o amor de tuas irmãs e os ridículos, ridículos, ridículos todos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vigia bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por fim deixa que tudo escape, que tudo se perca, tudo desbote. E o brilho de novas bolhas, de outras bijuterias, dores e epifanias, outros amores e tristezas tenham seu lugar sobre a terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2584039259297189194?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2584039259297189194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2584039259297189194' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2584039259297189194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2584039259297189194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/inventario.html' title='Inventário'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2324135538396872164</id><published>2009-11-27T10:06:00.000-08:00</published><updated>2010-01-06T11:43:19.350-08:00</updated><title type='text'>“Vem buscar-me que ainda sou teu” (fuga sobre um conto de Josias de Paula; a estória completa)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxAVy4YErBI/AAAAAAAAAOc/URVrYnFqXIQ/s1600/coracao.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxAVy4YErBI/AAAAAAAAAOc/URVrYnFqXIQ/s320/coracao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408847116342963218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite de  inverno do ano de 1942, por volta das nove horas, um bimotor cruzou o céu. Lembro termos escutado seu ronco, erguido os olhos e contemplado sua silhueta metálica, flamejante que rasgou o espaço antes de cair com estrondo na entrada do pequeno povoado onde vivíamos. Passado o susto, aproximamo-nos da cratera que ali se formou, para constatar que ali não havia qualquer vestígio da queda. Apenas um foguinho brando demarcava o oco que se formara no lugar do impacto. Do bimotor, nenhum sinal.&lt;br /&gt;&lt;div class="pre-spoiler"&gt;&lt;br /&gt;&lt;input id="xs" value="Leia Mais" style="margin-left: 50px; padding: 0px; width: 80px; " onclick="if (this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display != '') { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = '';this.innerText = ''; this.value = 'Ocultar'; } else { this.parentNode.parentNode.getElementsByTagName('div')[1].getElementsByTagName('div')[0].style.display = 'none'; this.value = 'Leia Mais';}" type="button"&gt; &lt;/div&gt; &lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="spoiler" style="display: none;"&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois, uma chuva fina e muito fria nos levou para dentro de nossas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente amanheceu, constatamos que as labaredas em torno do buraco formado na entrada da cidade continuavam a queimar. Mas, curioso, nem aquelas chamas mortiças nem a própria luz do dia foram suficientes para iluminar o profundo buraco negro que nos contemplava como um olho. Esse fato estranho foi logo esquecido pela visão de um grupo numeroso de saltimbancos postados detrás da cratera, com uma quantidade considerável de bagagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permaneceram ali, estáticos, até que um deles, vestido de piloto, destacou-se do grupo. Sob o estalar de suas palmas, o grupo abriu um enorme biombo vermelho e azul, envolvendo a cratera, ação que fechou então definitivamente a pequena passagem que ainda restara entre o buraco e a mata cerrada e que constituía nossa passagem para o mundo exterior. Terminada essa tarefa, o mesmo homem, de mãos de criança, incrível barba vermelha e roupa de piloto, bradou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El Gran Circo Dom Lefuet apresenta... o maravilhoso e o bizarro! Hoje, às 9 horas da noite! Não choverá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia passou e a noite engoliu o resto de luz que tingia de vermelho a serra. Nada se mexia dentro daquela escuridão sem precedentes, até que relâmpagos abriram medonhas cicatrizes no céu. Chover, no entanto, não choveu. Gotas silenciosas precipitaram-se do espaço, como fossem leves flocos de neve, evaporando-se a apenas alguns metros do chão. Estávamos toldados de tempestade, mas enxutos. Impressionados com o que víamos e tendo ainda fresca em nossa memória a promessa que nos fora feita pela manhã, achamos conveniente aplaudir o fenômeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio nunca escutado naquelas paragens ribombou na ferradura da serra. Dentro daquela ausência, não tivemos tempo de ter medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrespeitável público! El Gran Circo Dom Lefuet convida a todos para o maior espetáculo da terra, para o teatro da vida, morte e ressurreição. Venham e tragam suas almas. Nada mais lhes será cobrado. Rrrespeitável público...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo, todos estávamos nos acomodando nas bordas da cratera, protegidos pelo biombo azul e vermelho que o grupo de saltimbancos havia montado. Entrávamos por uma bocarra de plástico aberta na tenda, de cujo interior a voz do mestre de cerimônias nos convocava. A impressão que tive naquele momento, foi de que sua boca não era menor que aquela através da qual ingressávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr!... Eu vos apresento o maior espetáculo da terra! E invoco aquele que comandará os prodígios que aqui serão testemunhados por todos. Rrrr!... Adorado na África, Ásia e Europa, o magnífico, o inquebrantável, centro do mundo, senhor dos elementos, meio-dia do universo, o fenomenal Dom Lefuet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, um foco de luz iluminou, no centro da arena, um homenzinho de feições delicadas e aspecto gentil, sentado numa poltrona de proporções formidáveis, fartamente adornada de toda espécie de quinquilharia brilhante - ele mesmo não estava mal, vestido a rigor com as cores do seu circo. Sua aparição provocou forte comoção em todos nós, uma vez que o trono bufo sobre o qual imperava estava colocado no centro da cratera, sobre o negror de sua aniquilação, dando a impressão de flutuar no vazio. E de nosso estupor uma certeza brotou: o diabo estava entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um pequeno gesto de sua mão esquerda, o espetáculo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante, sob o comando das palmas curtas do mestre de cerimônias, um burrico pintado de branco entrou no picadeiro. Remancheou sua depauperada carcaça quadrúpede por um tempo, mas por fim dirigiu-se resolutamente na direção de Dom Lefuet. Ali chegando estancou e, suplantando a dor e peso de antigas inflamações em seus joelhos, meneou uma pata, fazendo uma breve reverência. Em seguida, girou cento e oitenta graus, repetindo a vênia para o mestre de cerimônias. Aproveitou o gesto para descarregar uma sonora bufa. Coberto por um odor nauseabundo e por vestígios do pó branco com o qual haviam pintado o burrico, Dom Lefuet gargalhou a plenos pulmões, aplaudindo muito, mas sem esquecer de desferir um pontapé sonoro nas nádegas do animal que ornejou tristemente. Todos rimos muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr! Senhores e senhoras, eu vos apresento o Professor Zartur, o mago que tem as chaves do passado e do futuro, o bruxo que conversa com as plantas e com as águas do rio, o sábio que conhece centenas de línguas, do passarinhês ao chinês, do cigarrês ao cachorrês clássico, conselheiro militar de Gengis Kan, mestre da pintura universal, inventor da penicilina e do copo de água gelada em noites quentes, bala que não se perde, pirulito que nunca se acaba, prodígio sexual, o animal que ensinou a Casanova os mistérios do amor, canoa em meio a rio profundo, bicicleta sem roda, pavio que não se apaga, resto de fim de feira, governador da Babilônia e invencível no carteado. Senhoras e senhores, o Professor Zartur!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto essa apresentação transcorria, o magnífico Professor Zartur balançava sua cabeça asinina, ora concordando, ora negando modestamente os atributos que lhe eram conferidos. Aplaudimos a tudo, encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr! Senhoras e senhores, o Professor está aqui para responder perguntas que estão sem respostas, dar solução a problemas de matemática, aconselhar a quem perdeu a pessoa amada, prever o futuro, ensinar feitiço e contra-feitiço. E eu serei o seu modesto e fiel tradutor. Quem tem sede de descobrir os mistérios da existência? O Professor Zartur só dará a melhor resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escuro da platéia as perguntas espoucavam: “Onde está a cabrita malhada que eu não encontro desde a semana passada?”, “Esse ano eu planto mais feijão ou milho?”, “Minha mulher me trai?”, "Qual o remédio pra queimor de estômago?" “Meu marido vai voltar?”. A todas essas e outras perguntas o burro ia respondendo com sonoros zurros que eram imediatamente traduzidos pelo mestre de cerimônias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No bucho de um onça que a comeu na beira do riacho. Meio a meio. Com a mão na cabeça pra não perder o juízo. Espinheira santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a última pergunta ficou sem resposta. O Professou Zartur ornejou longamente e depois seguidas vezes em staccato até que por fim silenciou. Escutou-se então a tradução e sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eis a escolhida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim falou o professor Zartur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena, a escolhida, mulher do escapulido Zezinho Cabra Solta, era conhecida por seu talento culinário - capaz de encontrar sabor de vitelo em bunda de preá velho, famosa pela pamonha, canjica, bolo de milho, que fazia como nenhuma outra mulher de nosso povoado. Assim, num sentido visceral, gostávamos de dona Helena. E o marido dela, mais que ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos antes da chegada do circo, entretanto, num dia em que a luminosidade do sol nas costas da serra era tanta que quase não conseguíamos enxergar o mundo, Zezinho se pôs a filosofar sob a sombra de uma árvore, no oitão de sua casa. Olhou dentro dos olhos pretos de sua mulher e falou comovido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As coisas todas do mundo, aquelas de que a gente mais estima, são feitas para se perder e nunca mais achar. Coisas de se gastar com o sol e com o tempo. As vezes tenho medo de perder até os ódios profundos, de não mais encontrar nada no mundo que eu reconheça e que valha. E de ficar órfão de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez, então, uma pausa longa, respirou fundo, e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quanto tu és capaz de me guardar, mulher?&lt;br /&gt;- Que pergunta mais doida.&lt;br /&gt;- Mas responde assim mesmo. O quanto tu és capaz de me guardar?&lt;br /&gt;- Muito. Pois no lugar onde te guardo o tempo não ousa entrar e o sol não consegue te desbotar.&lt;br /&gt;- Assim é - perguntou ele com os olhos marejados? Pois cuida para aí também não me perderes. Protege-me nesse lugar inviolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciaram os dois embaraçados com aquelas expressões de afeto tão foras do comum e para as quais, para falar a verdade, não achavam grande serventia. Zezinho Cabra Solta, comovido como estava, fez um gesto para dentro da claridade, deixando a sombra da jaqueira sob a qual conversavam. Caminhou uma centena de passos em direção a uma parte da rua onde o horizonte se contorcia de calor e desapareceu no mais intenso da luz. Nunca mais foi visto. A partir daquele dia quando queríamos dizer que algo havia desaparecido, um animal, um objeto de estimação, dizíamos: "Ofuscou-se como Zezinho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena continuou a vida de sempre, cuidando da roça, das cabras, sem se queixar ou sequer nos perguntar pelo paradeiro de seu marido filósofo e fujão. Voltou a tocar no assunto precisamente naquela noite de eventos prodigiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora ela era o centro do espetáculo que se desenrolava sob o comando de Dom Lefuet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena  ergueu seu rosto redondo e mirou reto nos olhos pequenos de Dom Lefuet, vendo ali por frações de segundo os fios que o ligavam ao burro, ao mestre de cerimônias, ao grupo de malabaristas que aguardava com impaciência o momento de entrar em cena. Fios finíssimos de aranha que o atavam também ao seu destino. O pequeno indicador de Dom Lefuet descreveu um arco lentíssimo até o alto, para em seguida recompor os espaços infinitos desse gesto até o ponto em que entre sua unha afiada e o peito de dona Helena havia uma reta precisa, incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, o burro desandou a zurrar e cavar o nada com suas pobre patas. O mestre de cerimônias o imitava, traduzindo suas revelações aos berros, totalmente entregue à tarefa de ser "cavalo" do burrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O coração! O coração! O coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho supérfluo. Já todos adivinhávamos o que haveria de ser dito e silenciado, o mistério daquela trama mambembe, daquela pantomima melancólica. Compreendíamos o que não era traduzido, mas que o pobre animal ornejava com ardor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grupo de malabaristas, que afinal nos divertiu muito pouco, irrompeu em meio à platéia, tomando dona Helena por sobre suas cabeças, girando-a várias vezes antes de a depositarem com um fardo em frente à poltrona onde se sentava Dom Lefuet. Saíram de modo tão desajeitado quanto haviam entrado em cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Lefuet continuava indicando com o punhal de sua unha um ponto no meio do peito de Dona Helena. O golpe que todos esperávamos, porém, e que a atingiu como um coice, foi produzido pela outra mão, onde uma faca se descobriu de modo súbito. Não importa o que lhe digam, amigo leitor, uma facada é sempre algo brutal, não há poesia, nem qualquer sentido metafórico nisso. Ao baque do metal e do punho que o envolvia não se seguiu qualquer som. Apenas uma expressão de pavor tomou o rosto de dona Helena, contração derradeira que haveria de nos acompanhar vida afora. Ninguém esboçou qualquer movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esperássemos que um truque se revelasse, que o sangue se transformasse em asas de pombas, em pétalas, em chamas. Nada disso ocorreu, o sangue simplesmente corria denso e sem sentido como a morte. Tudo, então, se tornou calmo com uma missa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há cão danado que desconheça o intenso sabor que habita as fibras do coração de uma mulher, sobretudo quando ele lateja, pulsa, sangra. Dom Lefuet usou sua unha afiadíssima para marcar o músculo ainda quente e mais uma vez recorreu à faca que tinha na mão esquerda para fatiá-lo em tantas fatias quantos éramos espectadores. Lembro ainda do momento exato em que ele distribuiu tais sashimis humanos sobre uma bandeja de latão, onde se lia uma propaganda qualquer, fazendo-os circular entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era estranho que encontrássemos tantos sabores diferentes nos pedaços do coração que devorávamos sem mais pensar. A experiência gastronômica única era apreciada entre os comensais daquele repasto de modo tão intenso e variado que alguns entre nós apenas balbuciavam uma ou duas palavras, caindo entre espasmos de prazer, enquanto outros proferiam pequenos discursos, ou choravam saudades esquecidas. Reconhecíamos naqueles pequenos pedaços de carne sabores queridos como tetas rosas,morenas e negras, rasgos fêmeos carmins, pratos de todo o dia, comidas ainda não conhecidas e sequer inventadas. “Canard a l’orange”, dizia um. “Suflê chaud de crevette au camambert”, “faisant au massalé”, diziam dois outros que sequer falavam francês, “sinfonia marítima” lembrava ainda um. "Canard déchiré flambé au massalé vitrifié", prosseguiamos. Encontravam-se ali prazeres escatológicos para sempre sepultados, sabores das mais diversas cores e aromas. Tudo isso nos lembrava dona Helena, mesmo quando mais nada víamos ou sentíamos além de gostos ainda não experimentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada ali nos lembrou mesmo remotamente Zezinho Cabra Solta. Finda a ceia, o burro ornejou longa e tristemente. Uma tempestade de vento então sobreveio e um aguaceiro como não voltaríamos a ver tombou do céu, o que ajudou-nos a lavar as manchas de sangue em nossas roupas. Retiramo-nos para nossas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, a cratera onde tudo havia acontecido estava coberto de água, formando uma lagoa que haveria de nos separar para sempre do resto do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2324135538396872164?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2324135538396872164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2324135538396872164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2324135538396872164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2324135538396872164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/vem-buscar-me-que-ainda-sou-teu-fuga.html' title='“Vem buscar-me que ainda sou teu” (fuga sobre um conto de Josias de Paula; a estória completa)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SxAVy4YErBI/AAAAAAAAAOc/URVrYnFqXIQ/s72-c/coracao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2661420424665548869</id><published>2009-11-18T16:49:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T10:26:25.442-08:00</updated><title type='text'>V (fuga sobre um tema de Josias de Paula)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SwSXa7eimCI/AAAAAAAAAOU/rN96K0K5ans/s1600/0715spear425.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SwSXa7eimCI/AAAAAAAAAOU/rN96K0K5ans/s320/0715spear425.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405611941649618978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu marido, José Pereira Gomes, o ofuscado, retornará algum dia? Eu voltarei a ver meu homem, um bater de asas de beija-flor que seja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena perguntou e calou, perguntou e esperou revelações profundas. Ergueu o rosto ovalado e mirou reto nos olhos pequenos de Dom Lefuet, vendo por frações de segundo os fios que o ligavam ao burro, ao mestre de cerimônias, ao grupo de malabaristas que aguardava com impaciência o momento de entrar em cena. Fios finíssimos de aranha que o atavam também ao seu destino de mulher abandonada e conhecedora dos sabores da vida. Viu, e todos vimos, em seguida o pequeno indicador de Dom Lefuet descrever um arco lentíssimo até o alto de sua própria cabeça e em seguida recompor vertiginosamente o espaço desse gesto até o ponto em que entre sua unha afiada e o meio do esterno de dona Helena havia uma reta precisa, incontornável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, o Professor Zartur desandou a zurrar e cavar a casca do nada com suas pobre patas. O mestre de cerimônias o imitava, traduzindo suas revelações aos berros, totalmente entregue à tarefa de ser "cavalo" do burrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O coração! O coração! O coração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho supérfluo, pois já todos adivinhávamos o que haveria de ser dito e silenciado, o mistério daquela trama mambembe, daquela pantomima melancólica. Compreendíamos o que não era traduzido, mas que o pobre animal ornejava com ardor: “Helena! Helena! Helena!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida o grupo de malabaristas, que afinal nos divertiu muito pouco, irrompeu no espaço reservado à platéia tomando dona Helena por sobre suas cabeças, girando-a várias vezes antes de a depositarem com um fardo em frente à poltrona onde se sentava Dom Lefuet. Saíram tão desajeitadamente quanto haviam entrado em cena, tropeçando no vazio – o que me fez refletir que mesmo em meio ao prodigioso há sempre espaço para a falta de talento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom Lefuet continuava indicando com o punhal de sua unha o meio do peito de Dona Helena. Porém, o golpe que todos esperávamos, e que a atingiu como o coice de uma mula, foi produzido pela outra mão, onde uma faca se descobriu repentinamente. Não importa o que lhe digam, amigo leitor, uma facada é sempre algo brutal, não há poesia, nem  qualquer sentido metafórico nisso. Supreendentemente, ao baque do metal e do punho que o envolvia não se seguiu qualquer som. Apenas uma expressão de pavor tomou o rosto de dona Helena, contração derradeira que haveria de nos acompanhar vida afora. Ninguém esboçou qualquer movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez esperássemos que um truque se revelasse, que o sangue a escorrer se transformasse em asas de pombas, em pétalas, em chamas. Nada disso ocorreu, o sangue simplesmente corria denso como a morte. Tudo, então, se tornou calmo com uma missa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2661420424665548869?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2661420424665548869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2661420424665548869' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2661420424665548869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2661420424665548869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/v-fuga-sobre-um-tema-de-josias-de-paula.html' title='V (fuga sobre um tema de Josias de Paula)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SwSXa7eimCI/AAAAAAAAAOU/rN96K0K5ans/s72-c/0715spear425.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-5943282803318599281</id><published>2009-11-14T13:58:00.000-08:00</published><updated>2009-11-18T11:18:06.857-08:00</updated><title type='text'>IV (fuga sobre um tema de Josias de Paula)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sv8quql2psI/AAAAAAAAAOM/8POuBMh-JRY/s1600-h/sol07.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sv8quql2psI/AAAAAAAAAOM/8POuBMh-JRY/s320/sol07.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404085059063293634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena, mulher do escapulido Zezinho Cabra Solta, era conhecida pelo talento culinário que tinha - capaz de encontrar sabor de vitelo em bunda de preá velho, famosa pela pamonha, canjica, bolo de milho, sarapatel e buchada que fazia como nenhuma outra mulher de nosso povoado. Assim, num sentido visceral, gostávamos de dona Helena. E o marido, mais que ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois anos antes da chegada do circo, entretanto, num dia em que a luminosidade do sol nas costas da serra era tanta que quase não conseguíamos enxergar o mundo, Zezinho se pôs a filosofar sob a sombra de uma árvore, no oitão de sua casa. Olhou dentro dos olhos pretos de sua mulher e falou comovido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- As coisas todas do mundo, aquelas de que a gente mais estima, são feitas para se perder e nunca mais achar. Coisas de se gastar com o sol e com o tempo. As vezes tenho medo de perder até os ódios profundos, de não mais encontrar nada no mundo que eu reconheça e que valha. E de ficar órfão de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez, então, uma pausa longa, respirou fundo, e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quanto tu és capaz de me guardar, mulher?&lt;br /&gt;- Que pergunta mais doida.&lt;br /&gt;- Mas responde assim mesmo. O quanto tu és capaz de me guardar?&lt;br /&gt;- Muito. Pois no lugar onde te guardo o tempo não ousa entrar e o sol não consegue te desbotar.&lt;br /&gt;- Assim é - perguntou ele com os olhos marejados? Pois cuida para aí também não me perderes. Protege-me nesse lugar inviolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silenciaram os dois embaraçados com aquelas expressões de afeto tão foras do comum e para as quais, para falar a verdade, não achavam grande serventia. Zezinho Cabra Solta, comovido como estava, fez um gesto para dentro da claridade, deixando a sombra da jaqueira sob a qual conversavam. Caminhou uma centena de passos em direção a uma parte da rua onde o horizonte se contorcia de calor e desapareceu no mais intenso da luz. Nunca mais foi visto. A partir daquele dia quando queríamos dizer que algo havia desaparecido, um animal, um objeto de estimação, dizíamos: "Ofuscou-se como Zezinho".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Helena continuou a vida de sempre, cuidando da roça, das cabras, sem se queixar ou sequer nos perguntar pelo paradeiro de seu marido filósofo e fujão. Voltou a tocar no assunto precisamente naquela noite de eventos prodigiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora ela era o centro do espetáculo que se desenrolava sob o comando de Dom Lefuet.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-5943282803318599281?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/5943282803318599281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=5943282803318599281' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5943282803318599281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5943282803318599281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/iv-fuga-sobre-um-tema-de-josias-de.html' title='IV (fuga sobre um tema de Josias de Paula)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Sv8quql2psI/AAAAAAAAAOM/8POuBMh-JRY/s72-c/sol07.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2175772612792344204</id><published>2009-11-11T04:55:00.001-08:00</published><updated>2009-11-15T15:14:03.124-08:00</updated><title type='text'>III (fuga sobre um tema de Josias de Paula)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Svq2CwkfOCI/AAAAAAAAAOE/Z3fnUHcNBg8/s1600-h/asno.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 219px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Svq2CwkfOCI/AAAAAAAAAOE/Z3fnUHcNBg8/s320/asno.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402830861498267682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse instante, sob o comando das palmas curtas do mestre de cerimônias, um burrico pintado de branco entrou no picadeiro. Remancheou sua  depauperada carcaça quadrúpede por um tempo, mas por fim dirigiu-se resolutamente na direção de Dom Lefuet. Ali chegando estancou e, suplantando a dor e peso de antigas inflamações em seus joelhos, meneou uma pata, fazendo uma breve reverência. Em seguida, girou cento e oitenta graus, repetindo a vênia para o mestre de cerimônias. Aproveitou o gesto para descarregar uma sonora bufa. Coberto por um odor nauseabundo e por vestígios do pó branco com o qual haviam pintado o burrico, Dom Lefuet gargalhou a plenos pulmões, aplaudindo muito, mas sem esquecer de desferir um pontapé sonoro nas nádegas do animal que ornejou tristemente. Todos rimos muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr! Senhores e senhoras, eu vos apresento o Professor Zartur, o mago que tem as chaves do passado e do futuro, o bruxo que conversa com as plantas e com as águas do rio, o sábio que conhece centenas de línguas, do passarinhês ao chinês, do cigarrês ao cachorrês clássico, conselheiro militar de Gengis Kan, mestre da pintura universal, inventor da penicilina e do copo de água gelada em noites quentes, bala que não se perde, pirulito que nunca se acaba, prodígio sexual, o animal que ensinou a Casanova os mistérios do amor, canoa em meio a rio profundo, bicicleta sem roda, pavio que não se apaga, resto de fim de feira, governador da Babilônia e invencível no carteado. Senhoras e senhores, o Professor Zartur!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto essa apresentação transcorria, o magnífico Professor Zartur balançava sua cabeça asinina, ora concordando, ora negando modestamente os atributos que lhe eram conferidos. Aplaudimos a tudo, encantados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr! Senhoras e senhores, o Professor está aqui para responder perguntas que estão sem respostas, dar solução a problemas de matemática, aconselhar a quem perdeu a pessoa amada, prever o futuro, ensinar feitiço e contra-feitiço. E eu serei o seu modesto e fiel tradutor. Quem tem sede de descobrir os mistérios da existência? O Professor Zartur só dará a melhor resposta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No escuro da platéia as perguntas espoucavam: “Onde está a cabrita malhada que eu não encontro desde a semana passada?”, “Esse ano eu planto mais feijão ou milho?”, “Minha mulher me trai?”, "Qual o remédio pra queimor de estômago?" “Meu marido vai voltar?”. A todas essas e outras perguntas o burro ia respondendo com sonoros zurros que eram imediatamente traduzidos pelo mestre de cerimônias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No bucho de um onça que a comeu na beira do riacho. Meio a meio. Com a mão na cabeça pra não perder o juízo. Espinheira santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a última pergunta ficou sem resposta. O Professou Zartur ornejou longamente e depois seguidas vezes em staccato até que por fim silenciou. Escutou-se então a tradução e sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eis a escolhida. Assim falou o professor Zartur.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2175772612792344204?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2175772612792344204/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2175772612792344204' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2175772612792344204'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2175772612792344204'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/iii-fuga-sobre-um-tema-de-josias-de.html' title='III (fuga sobre um tema de Josias de Paula)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Svq2CwkfOCI/AAAAAAAAAOE/Z3fnUHcNBg8/s72-c/asno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1832248664011359505</id><published>2009-11-08T13:02:00.001-08:00</published><updated>2009-11-18T11:14:00.144-08:00</updated><title type='text'>II (fuga sobre um tema de Josias de Paula)</title><content type='html'>O dia passou e a noite engoliu o resto de luz que chorava sobre a serra. Nada se mexia dentro daquela escuridão sem precedentes, até que relâmpagos abriram medonhas cicatrizes no céu. Só então ousamos acender os candeeiros de nossas casas. Chover, no entanto, não choveu. Gotas silenciosas precipitaram-se do espaço, como fossem leves flocos de neve, evaporando-se a apenas alguns metros do chão. Chegamos a discutir se, dada aquela ausência de contato entre a água que caia e o chão onde pisávamos, podíamos considerar aquilo chuva. De fato, não, concluímos. Estávamos toldados de tempestade, mas enxutos. De qualquer modo, como estávamos muito impressionados com o que víamos e tínhamos ainda fresco em nossa memória o que nos fora prometido pela manhã, achamos conveniente aplaudir o fenômeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, o inverno cansou de pelejar com uma força maior que a da recorrência dos elementos sobre a terra e o tempo aquietou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio nunca escutado naquelas paragens ribombou na ferradura da serra, anfiteatro de nossa existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro daquela ausência, não tivemos tempo de ter medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrespeitável público! El Gran Circo Dom Lefuet convida a todos para o maior espetáculo da terra, para o teatro da vida, morte e ressurreição. Venham e tragam suas almas. Nada mais lhes será cobrado. Rrrespeitável público...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pouco tempo, todos estávamos nos acomodando dentro da cratera, protegidos pelo biombo azul e vermelho que o grupo de saltimbancos havia montado. Entrávamos por uma bocarra de plástico aberta na tenda, de cujo interior a voz do mestre de cerimônias nos convocava. A impressão que tive naquele momento, foi de que sua boca não era menor que aquela através da qual ingressávamos – e percebi ainda, com espanto, que as chamas em torno da cratera continuavam a queimar calmamente o nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Rrrr!... Eu vos apresento o maior espetáculo da terra! E invoco aquele que comandará os prodígios que aqui serão testemunhados por todos. Rrrr!... Adorado na África, Ásia e Europa, o magnífico, o inquebrantável, centro do mundo, senhor dos elementos, meio-dia do universo, o fenomenal Dom Lefuet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, um foco de luz iluminou, no centro da arena, um homenzinho de feições delicadas e aspecto gentil, sentado numa poltrona de proporções formidáveis, fartamente adornada de toda espécie de quinquilharia brilhante - ele mesmo não estava mal, vestido a rigor com as cores do seu circo. Sua aparição, no entanto, provocou forte comoção em todos nós, uma vez que o trono bufo sobre o qual imperava estava colocado no centro da cratera, sobre o negror de sua aniquilação, dando a impressão de flutuar no vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com um pequeno gesto de sua mão esquerda, o espetáculo começou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1832248664011359505?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1832248664011359505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1832248664011359505' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1832248664011359505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1832248664011359505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/ii-fuga-sobre-um-tema-de-josias-de.html' title='II (fuga sobre um tema de Josias de Paula)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2543664154068593397</id><published>2009-11-06T17:15:00.001-08:00</published><updated>2009-11-20T10:13:52.174-08:00</updated><title type='text'>I</title><content type='html'>Era uma noite de inverno, surpreendentemente clara e sem nuvens. Por volta das nove horas um bimotor passou por sobre nossas brincadeiras, conversas e risadas. Lembro ter escutado seu ronco, erguido os olhos e visto sua silhueta metálica sumir no horizonte, antes que um objeto de grande luminosidade rasgasse o céu e caísse com grande estrondo carmim na entrada do pequeno povoado onde vivíamos. Passado o susto, aproximamo-nos lentamente da cratera que ali se formou, para perceber com certa decepção que não havia vestígio de nada que se pudesse apreciar, apenas um fogo brando que resistiu durante toda a noite. Dentro dele o oco e o barro úmido envolvendo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma hora depois, uma chuva fina nos levou para dentro de nossas casas. Abrigados, não conseguimos dormir. Ficamos ouvindo a chuva engrossar por detrás de nossas conversas por um longo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando finalmente amanheceu, constatamos que a chuva não havia arrefecido as labaredas que queimavam em torno do buraco formado na entrada da cidade, quase nos isolando do resto do mundo. Embora ainda mortiças, elas continuavam lá. Esse fato estranho, entretanto, foi logo esquecido pela visão de um grupo numeroso de saltimbancos estranhamente postados detrás da cratera. Permaneceram ali, estáticos, até que um deles destacou-se do grupo, rufou com a língua um tarol imaginário e de sua enorme boca ouviu-se o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El Gran Circo Dom Lefuet apresenta... o maravilhoso e o bizarro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o estalar das palmas de suas mãos delicadas e ágeis, o grupo abriu lentamente um enorme biombo vermelho e azul, envolvendo a cratera, ação que fechou então definitivamente a pequena passagem que ainda restara entre o buraco e a mata cerrada. Nosso isolamento do resto do mundo, assim, completou-se - mas isso só viemos a perceber bem depois. Terminada essa tarefa, o mesmo homem, de mãos de criança e incrível barba vermelha, colocou  sobre a cabeçorra uma  chapéu de couro ornado com dois chifres de bode e bradou mais uma vez:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- El Gran Circo Dom Lefuet apresenta... o maravilhoso e o bizarro! Hoje, às 9 horas da noite! Não choverá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isso, o bando de saltimbancos desapareceu com gestos muito precisos através de uma passagem discreta entre um gomo azul e outro vermelho daquele maravilhoso cilindro de pano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2543664154068593397?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2543664154068593397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2543664154068593397' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2543664154068593397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2543664154068593397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/11/i.html' title='I'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-5444684448531510798</id><published>2009-10-30T15:51:00.000-07:00</published><updated>2009-11-02T15:05:08.520-08:00</updated><title type='text'>O Sonho (outra versão)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SutxYRpzQWI/AAAAAAAAAN8/ShjC6inRCf4/s1600-h/Infinity-Symbol.gif"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 208px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SutxYRpzQWI/AAAAAAAAAN8/ShjC6inRCf4/s320/Infinity-Symbol.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398533240203198818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei-a nos bastidores de um velho teatro, onde ela havia cantado músicas francesas compostas num tempo remoto e frio em que tudo ansiava tristemente pelo azul desmaiado de seus olhos. Não ousei tomar a iniciativa e abordá-la, não me permiti nada além de estar ali, estático, sob o hálito daquele frio e daquele azul. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém nos sonhos o desejo ajusta e repara toda trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olá!”, ela disse, próxima como o contato daquela névoa antiga que correu pelos tempos, das canções para o seu olhar. Sob esse curso e contato, um sorriso amável se descobriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei as rugas produzidas por esse sorriso – rugas, sorriso e tempo fundidos à maquiagem parcialmente removida. Tudo me aguardava. Era bonita assim, na indefinição de um espaço que não era cena nem rua, numa luz que não definia nem ocultava. E real, como tudo que se turva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi. Vim aqui pedir teu autógrafo o número de teu celular teu endereço perguntar pela numeração dos sapatos que tu calças o lado em que preferes dormir na cama catalogar os sinais de teu corpo”, falei tudo num jorro calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abriu um pouco mais o sorriso, pegou do chão um pedaço de papel, tomou a caneta de minha mão e começou a escrever lentamente. E eu vi as primeiras letras de algo se desenharem na folha amarrotada. Ali não havia poesia, notas de uma música nunca escutada, mas algo que eu sabia ser simples e bom como o sabor de pão fresco. As dobras do papel esperavam apenas o ponto final dessa escrita. E eu também aguardava, espreitando, sabendo que tudo já tinha sido dito no momento mesmo em que aquele gesto se esboçara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, leitor, o tempo dos sonhos não é o das narrativas literárias. Neste momento, acordei, entendendo naquele instante que o que é mais importante, concreto e justo não espera a vigília para ocorrer. No breu de meu quarto, fiquei imaginando como ela haveria de dar prosseguimento à sua existência quando percebesse que minha presença de éter havia subitamente evaporado da cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sofri a culpa de ter um sono leve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-5444684448531510798?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/5444684448531510798/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=5444684448531510798' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5444684448531510798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5444684448531510798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/sonho.html' title='O Sonho (outra versão)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SutxYRpzQWI/AAAAAAAAAN8/ShjC6inRCf4/s72-c/Infinity-Symbol.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2938019777390136897</id><published>2009-10-29T06:44:00.000-07:00</published><updated>2009-10-30T09:24:54.106-07:00</updated><title type='text'>O Sonho (versão 2)</title><content type='html'>Encontrei-a nos bastidores de um velho teatro, minutos depois do show terminar. Ela havia cantado velhas músicas francesas compostas para combinar com o azul desmaiado de seus olhos. Não ousei tomar a iniciativa de abordá-la, não me permiti nada além de estar ali. Porém nos sonhos o desejo tudo ajusta e repara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi”, ela disse, sem considerar minha timidez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei as rugas produzidas por seu sorriso - rugas e sorriso fundidos à maquiagem parcialmente removida. Era mais bonita assim, na indefinição de um espaço que não era cena nem rua, numa luz que não definia nem ocultava. Que idade deveria ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi. Vim aqui pedir teu autógrafo o número de teu celular teu endereço perguntar pela numeração dos sapatos que tu calças o lado em que preferes dormir na cama catalogar os sinais de teu corpo”, falei tudo num jorro calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma que desconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu divertida, pegou do chão um pedaço de papel, tomou a caneta de minha mão e começou a escrever lentamente. E eu vi as primeiras letras de algo se desenharem na folha amarrotada. E as dobras do papel esperavam apenas o ponto dessa escrita capaz de tudo revelar. E eu aguardava calmamente, espreitando, por entre esses vincos caóticos, tudo ser dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, porém, acordei - ai, leitor, o tempo dos sonhos não é o das narrativas literárias. No breu de meu quarto, fiquei refletindo como ela haveria de dar prosseguimento à sua existência quando percebesse que minha presença de éter havia subitamente evaporado da cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sofri a culpa de ter um sono leve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2938019777390136897?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2938019777390136897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2938019777390136897' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2938019777390136897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2938019777390136897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/o-sonho-versao-2.html' title='O Sonho (versão 2)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8118480798967044089</id><published>2009-10-26T13:12:00.000-07:00</published><updated>2009-10-29T03:51:02.008-07:00</updated><title type='text'>Funeral coletivo - em homenagem a seu Manuel</title><content type='html'>Dentro de uma luz impossível, emoldurado em madeira barata, cetim vagabundo, jaz o poeta. Sua boca cerrada, seus olhos quase fechados, suas narinas paralisadas já não falam do estrangeiro impresso nas coisas sem valor. E a criança que ele foi eternamente já não flutua sobre sua pança. Em seu corpo exposto apagam-se o gesto e a verdade por onde trafegou como quem dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para além dessa festa do desaparecer, se um vento qualquer abre um livro seu, esquecido sobre a escrivaninha ou sobre a mesa em torno da qual se bebe o morto, uma energia sem dono, um cachorro sarnento e vadio, o assoalho de casas seculares uivam misteriosamente entre os presentes. E, então, todos choram a morte dos que esperam, no futuro, o golpe da mesma flecha o carinho do mesmo canto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8118480798967044089?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8118480798967044089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8118480798967044089' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8118480798967044089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8118480798967044089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/funeral-coletivo-em-homenagem-seu.html' title='Funeral coletivo - em homenagem a seu Manuel'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1617966228590194648</id><published>2009-10-17T07:34:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T10:44:00.431-07:00</updated><title type='text'>O sonho</title><content type='html'>Encontramo-nos nos bastidores de um velho teatro, minutos depois de ela haver terminado seu show. Não ousei tomar a iniciativa de abordá-la, porém nos sonhos o desejo tudo ajusta e repara. “Oi”, ela disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei as rugas produzidas por seu sorriso - rugas e sorriso fundidos à maquiagem parcialmente removida. Era mais bonita assim, na indefinição de um espaço que não era cena nem rua, numa luz que não definia nem ocultava. “Oi. Vim aqui pedir teu autógrafo o número de teu celular teu endereço perguntar pela numeração dos sapatos que tu calças o lado em que preferes dormir na cama catalogar os sinais de teu corpo”, falei tudo num jorro calmo. Calma que desconheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu divertida, pegou do chão um pedaço de papel, tomou a caneta de minha mão e começou a escrever lentamente. E eu vi as primeiras letras de algo se desenharem na folha amarrotada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento, porém, acordei - ai, leitor, o tempo dos sonhos não é o das narrativas literárias. No breu de meu quarto, fiquei refletindo como ela haveria de dar prosseguimento à sua existência de éter quando percebesse que eu havia subitamente saído de cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sofri a culpa de ter um sono leve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1617966228590194648?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1617966228590194648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1617966228590194648' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1617966228590194648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1617966228590194648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/o-sonho.html' title='O sonho'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-6720621777524599578</id><published>2009-10-09T14:35:00.000-07:00</published><updated>2009-10-09T17:03:15.661-07:00</updated><title type='text'>O gato</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Ss-w2qu32gI/AAAAAAAAANs/ON2tjnVTENI/s1600-h/medium_gato.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 251px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Ss-w2qu32gI/AAAAAAAAANs/ON2tjnVTENI/s320/medium_gato.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390721732216084994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gato velho de mil rabos. Demasiado gordo para mudanças bruscas, experiente demais para saltos acrobáticos, duplos twists carpados, para ousar gestos inusitados, para alimentar animosidade com os ratos - tão desgostosinhos e sem sal, tão subterrâneos e fedidinhos... Gato de mil rabos a cantar e gargalhar sobre seu telhado mofado, a fazer estórias das nuvens de bolor por onde suas patas trafegam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mil portas prendem teus tantos rabos? Por que arrastas tantas lembranças atadas nessas tantas pontas e em teu pouco espaço? Reaprende: é do felino o recolhimento de onde saltam o pulo e o precipício. Gato velho de mil rabos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-6720621777524599578?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/6720621777524599578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=6720621777524599578' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6720621777524599578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6720621777524599578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/o-gato.html' title='O gato'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/Ss-w2qu32gI/AAAAAAAAANs/ON2tjnVTENI/s72-c/medium_gato.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-6084663067986545695</id><published>2009-10-06T10:38:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T15:51:18.528-07:00</updated><title type='text'>Os amantes</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsuTxmRx48I/AAAAAAAAANk/RVqZDiNi40o/s1600-h/r208039_795270.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsuTxmRx48I/AAAAAAAAANk/RVqZDiNi40o/s320/r208039_795270.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389563859376923586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, tão rara ventura,&lt;br /&gt;  encontrar-te, aos pedaços, no buraco da fechadura.&lt;br /&gt;- Ai, esse raro ensejo,&lt;br /&gt;  contemplar teu olho de vidro navegando em meu desejo.&lt;br /&gt;- E seguir-te, assim, toda e ausente.&lt;br /&gt;- E tocar-te, pois, quarto e crescente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-6084663067986545695?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/6084663067986545695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=6084663067986545695' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6084663067986545695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6084663067986545695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/onipresenca.html' title='Os amantes'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsuTxmRx48I/AAAAAAAAANk/RVqZDiNi40o/s72-c/r208039_795270.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-6041581489591779361</id><published>2009-10-05T07:42:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T12:49:48.602-07:00</updated><title type='text'>Aforismos alheios</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsoJpdOb-7I/AAAAAAAAANc/Qdn1sAqj-xM/s1600-h/slaughts.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 247px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsoJpdOb-7I/AAAAAAAAANc/Qdn1sAqj-xM/s320/slaughts.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389130511926688690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"If there's one thing you can say about Mankind&lt;br /&gt;There's nothing kind about man" (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tom Waits, o filósofo&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The ship is sinking&lt;br /&gt;The ship is sinking&lt;br /&gt;The ship is sinking" (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tom Waits, o realista&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"God's away, God's away&lt;br /&gt;God's away on business. Business" (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tom Waits, o secretário do Todo Poderoso&lt;/span&gt;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-6041581489591779361?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/6041581489591779361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=6041581489591779361' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6041581489591779361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/6041581489591779361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/10/aforismos-alheios.html' title='Aforismos alheios'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SsoJpdOb-7I/AAAAAAAAANc/Qdn1sAqj-xM/s72-c/slaughts.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2798349289632562134</id><published>2009-09-30T05:20:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T05:24:44.877-07:00</updated><title type='text'>Dez frases que eu não disse na hora que deveria dizer</title><content type='html'>“Tem uma catota saindo do seu nariz” – A ocasião: crise de fúria de uma senhora num super-mercado quando observei que ela não poderia reservar lugar na fila do super-mercado através do seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Então vamos esquecer essa estória. Vamos direto à Delegacia da Mulher! Eu bem que desconfiei daqueles músculos todos...” – A ocasião: depois do primeiro beijo, ao escutar a célebre frase: “Olha, eu estou saindo muito machucada de uma relação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por que ninguém nunca me convida para essas orgias?!” - A ocasião: depois do primeiro beijo, ao escutar, pela enésima vez, a célebre frase: “Olha, eu estou saindo muito machucada de uma relação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha, eu estou saindo de uma relação muito machucado...” – A ocasião: ao encontrarmos o ex-namorado, fortão, ciumento e furioso, da primeira moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fulana?! Ai, gente, desculpem! Eu entrei no bairro errado!” – A ocasião: ao ser encontrado pelo ex-namorado fortão no sofá da moça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eita! Como esse bolo foi parar no meu dedo? Como é que eu vim parar aqui? Estou meio tonto...” A ocasião: minha mãe me pega furando o bolo de aniversário de minha irmã mais nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É melhor não. Daqui a vinte anos eu vou me arrepender muito disso”. A ocasião: quando eu decidi fazer um maldito curso de economia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem coeli et terræ, visibilium omnium et invisibilium”. A ocasião: quando, mais ou menos na mesma época, uma dada ruiva olhou para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...Et in unum Dominum Jesum Christum, Filium Dei unigenitum; Et ex Patre atum ante omnia sæcula”. A ocasião: quando, momentos depois, ela cruzou as pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aguarda na linha que eu vou chamar. Zéé!” A ocasião: “Alô! Aqui é do Banco Tal. O senhor Zé da Goma, por favor...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2798349289632562134?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2798349289632562134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2798349289632562134' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2798349289632562134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2798349289632562134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/09/dez-frases-que-eu-nao-disse-na-hora-que.html' title='Dez frases que eu não disse na hora que deveria dizer'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2052462571842100712</id><published>2009-09-29T04:18:00.000-07:00</published><updated>2009-09-30T04:11:26.010-07:00</updated><title type='text'>Versos que eu gostaria de ter feito</title><content type='html'>Conheço pouco a vida de Noel, apesar de ter visto o filme e gostar muito de sua música. Na última sexta-feira um bando de desocupados, ao mudar de fornecedor de etil (por vezes é inevitável: música ao vivo, só distribuindo munição para os clientes, ou seja, só com a alternativa de deixar os músicos bem mortos), alguém teve a boa idéia (pareceu boa para mim naquele momento) de cantar Noel. Sobre esse carioca ilustre eu diria apenas que ele consegue um equilíbrio maravilhoso e raro entre a melancolia e a risada. Insisto: risada, pois a gargalhada é o avesso do desespero - e, portanto, sua irmã siamesa. E melancolia, e não tragédia, pois Noel era profundamente brasileiro - não entendemos muito bem essa coisa européia, esse sentido trágico da vida, mas não podemos passar sem Amália Rodrigues. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso eu copiei de algum lugar na Internet os seguintes versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O orvalho vem caindo&lt;br /&gt;Vai molhar o meu chapéu&lt;br /&gt;E também vão sumindo&lt;br /&gt;As estrelas lá no céu&lt;br /&gt;Tenho passado tão mal&lt;br /&gt;A minha cama é uma folha de jornal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu cortinado é o vasto céu de anil&lt;br /&gt;E o meu despertador&lt;br /&gt;É o guarda-civil&lt;br /&gt;Que o salário ainda não viu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha terra dá banana e aipim&lt;br /&gt;Meu trabalho é achar&lt;br /&gt;Quem descasque por mim&lt;br /&gt;Vivo triste mesmo assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha sopa não tem osso nem tem sal&lt;br /&gt;Se um dia passo bem,&lt;br /&gt;Dois e três passo mal&lt;br /&gt;Isto é muito natural&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu chapéu vai de mal para pior&lt;br /&gt;E o meu terno pertenceu&lt;br /&gt;A um defunto maior&lt;br /&gt;Dez tostões no belchior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2052462571842100712?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2052462571842100712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2052462571842100712' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2052462571842100712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2052462571842100712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/09/versos-que-eu-gostaria-de-ter-feito.html' title='Versos que eu gostaria de ter feito'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3767401247120673835</id><published>2009-09-18T15:49:00.000-07:00</published><updated>2009-09-18T17:27:22.765-07:00</updated><title type='text'>De um programa de TV</title><content type='html'>Dois amantes encontram-se sobre uma ponte. É noite escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O moço tira da boca um bolso, de dentro do bolso uma caixa e de dentro dela um crucifixo, que pendura delicadamente no pescoço da amada. E ali está a jóia onde sempre esteve. A moça procura sob a saia uma passagem, um jardim, onde colhe um cravo amarelo. Planta nos cabelos do moço a flor. Mas ali cravos nunca faltaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o amor é a possibilidade aberta aos amantes de ganhar aquilo que é mais seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quase dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3767401247120673835?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3767401247120673835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3767401247120673835' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3767401247120673835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3767401247120673835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/09/de-um-programa-de-tv.html' title='De um programa de TV'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2039966485047993211</id><published>2009-09-09T06:58:00.000-07:00</published><updated>2009-09-10T08:50:35.314-07:00</updated><title type='text'>Resposta a um colega francês</title><content type='html'>Que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;eidos&lt;/span&gt;, que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;theoria&lt;/span&gt;, que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Achtung&lt;/span&gt;, que nada! Nada de belas formas, de idéias nobres. Apenas a carne obtusa e humana que treme: em gozo, pavor ou riso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2039966485047993211?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2039966485047993211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2039966485047993211' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2039966485047993211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2039966485047993211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/09/resposta-um-colega.html' title='Resposta a um colega francês'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-486519071233239589</id><published>2009-08-30T09:40:00.000-07:00</published><updated>2009-08-30T09:41:52.667-07:00</updated><title type='text'>Dona Tonha (salvo do naufrágio do Segunda Mão)</title><content type='html'>O crime e olhos terríveis sempre me ligaram à minha avó materna. Antônia Maria da Conceição se chamava. Nome de camponesa, bóia-fria; corpo ágil de dançarina de bumba, voz surpreendente, capaz de entoar ornamentos complicadíssimos, microtonais, ecos mouros em meu coração e na sua garganta. A boca banguela, maxilares castrados de canto a canto desde a adolescência. Assim é que se afirma em minha família, e com razão, que Deus escreve certo por bocas murchas. Tivesse Ele lhe preservado os dentes, alguns poucos marfins, e a história da monocultura nordestina poderia ter sido outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que ela tivesse qualquer consciência política revolucionária, mas sabia odiar bem a mão que a maltratava. “Odiava numa intensidade com a qual não sabia amar”, disse-me dela certa vez meu avô. Haviam juntado os trapos e os bichos-de pé não sei bem como, mas o motivo da separação era comemorado pelos dois quando se tornaram primos e amigos outra vez. Isso só veio a acontecer quando ambos contavam perto de setenta anos.  Riam das traições e vinganças mútuas, novas traições e novas respostas e, acredito, muitas bordoadas nos intervalos. “Aquela mulher era capaz de qualquer coisa... O mesmo jeito que tinha para o bailado, tinha para a maldade”, disse-me certa ocasião meu avô, enquanto macerava cascas de coco apodrecidas. “A vida, por vezes, precipita-se mais que as estórias que a gente conta”, concluiu. Mandou-a embora de sua tapera quando percebeu que seus olhos brilhavam mais que a faca que ela passara o dia acariciando com um esmeril. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que deixou meu avô (o Senhor João da Manteiga, ou João da Ursa, ou João Marques) e minha mãe, esta ainda de colo, levou uma vida cigana por esse vasto mundo que é a cultura canavieira nordestina. Levava consigo meu tio José e uma cadela que amava muito. Sua companheira. Deveria ter um nome, pois minha avó tinha um talento enorme para botar nome nas coisas, fazer imitações perfeitas dos defeitos alheios, e tomar aguardente. Não inventarei um nome qualquer para o seu animalzinho porque certamente ficaria lhe devendo em qualidade, inventividade e bom-humor. Mas a cadela era sua querida parceira de sofrimento, privação e fugas constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Companheira que em um belo dia cruzou com um vira-lata qualquer (um Piaba ou Xaréu da vida) e pegou um bucho, de onde nasceram cinco cãezinhos. A cadela pariu  durante uma das idas de minha avó à roça no único local que lhe pareceu confortável e acolhedor o suficiente: o catre onde dormiam minha avó e meu tio. Ao chegar em casa depois de um dia no cabo da enxada, minha avó contemplou o espetáculo da vida, e seus líquidos, e talvez alguns dos versos finais do Morte e Vida Severina tenham se produzido inconscientemente em seu cérebro. Seus olhos desatinados, fatigados, porém, diziam algo diferente. Pegou um a um os pequenos cãezinhos e arrebentou-os na parede da tapera. Em seguida quebrou o pescoço da cadela e como não houvesse nada mais por fazer em relação ao caso, correu em volta de seu casebre durante duas horas. Parou afinal exausta, diante de uma goiabeira frondosa, e tentou derrubar a árvore a testadas. Não obteve sucesso na empreitada. Após algumas tentativas, caiu inconsciente no chão. Meu tio José, de seus cinco anos de idade e desnutrição, assistiu a tudo paralisado num banco-de-pelar-porco abandonado no quintal. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Dona Tonha acordou sozinha e foi lavar os seus lençóis e limpar a casa do sangue dos pobres animais. Apagou entre lágrimas, mas sem emitir um som, as marcas de seu depoimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele ano a goiabeira teve uma floração estranha. De cada pequena flor amarela que se abria não se percebiam as pequenas e finas pétalas amarelas tão comuns nesse tipo de árvores, mas gritos, gritos intensos que assombraram por um mês os moradores daquelas paragens. Ganidos, uivos, gritos humanos, terríveis gritos de dor compondo uma sinfonia macabra. Quando essas pétalas sonoras caíram, aos poucos uns frutos estranhos, bizarros cresceram de seus receptáculos. Dentes humanos! Dentes humanos, perfeitos, expostos à chuva, ao sol e ao verde do canavial.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-486519071233239589?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/486519071233239589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=486519071233239589' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/486519071233239589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/486519071233239589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/dona-tonha-salvo-do-naufragio-do.html' title='Dona Tonha (salvo do naufrágio do Segunda Mão)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8897488160275847147</id><published>2009-08-27T15:08:00.000-07:00</published><updated>2009-09-09T06:58:42.230-07:00</updated><title type='text'>A língua</title><content type='html'>Quando abro teu sexo rubro e líquido e cofio com meus bigodes teus pelos poucos e precisos, é só a língua que se desdobra, que goteja palavra a palavra, tornando indistintos mundo mão rasgo carmim dureza cega e quente. Dureza silábica; gozo sonoro. Toda melancolia e silêncio, todo adeus inevitável que sempre diz meu sexo ao teu corpo é só a palavra flácida que teima em preencher o oco, dar forma clara ao clarão que não pode ser dito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, não me deixes calar; não permitas seja eu devolvido ao eco do oco do oco onde sei: nada habita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8897488160275847147?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8897488160275847147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8897488160275847147' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8897488160275847147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8897488160275847147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/lingua.html' title='A língua'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1224904288375222225</id><published>2009-08-21T15:50:00.000-07:00</published><updated>2009-08-22T12:03:32.266-07:00</updated><title type='text'>Sino, claro sino!</title><content type='html'>Às vezes a beleza tem que ser exorcizada. Conheço três quadras de Carlos Pena Filho (musicadas por Capiba) que há três dias estão penduradas nos meus bigodes, faça eu o que fizer. Pois então. Aquela estória de Ulisses ter de se atar ao mastro do seu barco para poder não se perder no canto das Sereias é uma verdade profundíssima acerca de nossa relação com a arte - ao menos, da minha. Mas Ulisses, o prudente, não conhecia as artes do exorcismo, como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, aí vão esses versos "que não me pertencem":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sino, claro sino,&lt;br /&gt;tocas para quem?&lt;br /&gt;Para o Deus Menino&lt;br /&gt;que de longe vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois se o encontrares,&lt;br /&gt;traze-o ao meu amor.&lt;br /&gt;E que lhe ofereces,&lt;br /&gt;velho pecador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha fé cansada,&lt;br /&gt;meu vinho, meu pão,&lt;br /&gt;meu silêncio limpo,&lt;br /&gt;minha solidão.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1224904288375222225?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1224904288375222225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1224904288375222225' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1224904288375222225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1224904288375222225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/sino-claro-sino.html' title='Sino, claro sino!'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8068276951429981746</id><published>2009-08-18T15:55:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T02:17:17.573-07:00</updated><title type='text'>Aforismos (ou da preguiça de pensar)</title><content type='html'>* O verdadeiro perigo de olhar o abismo não é ele olhar de volta. É ele dar um muxoxo e virar a cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Blanchot dizia algo assim: “a minha morte é uma impossibilidade”. Quer dizer, Blanchot morreu. Creio que quando ele falava “a minha morte” considerava na verdade “a minha”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Eh!... Não, acho que era só isso mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8068276951429981746?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8068276951429981746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8068276951429981746' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8068276951429981746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8068276951429981746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/aforismos-ou-da-preguica-de-pensar.html' title='Aforismos (ou da preguiça de pensar)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3785121694272437405</id><published>2009-08-16T19:24:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T08:26:02.734-07:00</updated><title type='text'>Seu João</title><content type='html'>Meu avô, já velhinho, os olhos injetados pelo esforço de carregar dentro do peito uma bronquite crônica, caminhava-nos através das poças do inverno recifense. De sob seu guarda-chuva negro tangia uma ursa de carnaval e explicava os mistérios da existência. Consumia um pouco do oxigênio da terra e desfiava a costura das coisas vividas. Por fim, compunha uma face profunda apertando com as pálpebras aqueles olhões que a tuberculose haveria de lamber e tragar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somava: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os assuntos todos do mundo são três e apenas três. Desses, já escutei falar de dois, compus uma moda de viola a respeito de um, embora não lembre mais o tom. Mas posso discursar durante dois dias seguidos acerca de mil duzentos e oitenta e dois”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pingos grossos da chuva afogavam soldadinhos invisíveis deixando-nos ver, por instantes, seus capacetes transparentes. Depois desapareciam sob a tragediazinha de outros e outros e outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3785121694272437405?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3785121694272437405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3785121694272437405' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3785121694272437405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3785121694272437405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/seu-joao.html' title='Seu João'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4036543818163253051</id><published>2009-08-12T17:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T16:31:28.284-07:00</updated><title type='text'>Jura (reciclado)</title><content type='html'>Com labor diligente e corrosivo, esqueci. Coxas rijas, bunda de negra, primeiro; teu sexo pequeno, teus dentes de peixe, depois; por fim, algo importante, e disso estou certo, mas já não sei dizer o quê. Tudo, tanto se perdeu que um dia ao abrir a boca o eco dos carros rolando no asfalto revelaram o oco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4036543818163253051?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4036543818163253051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4036543818163253051' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4036543818163253051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4036543818163253051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/jura-reciclado.html' title='Jura (reciclado)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1665911482502354750</id><published>2009-08-09T10:48:00.000-07:00</published><updated>2009-08-10T16:10:05.105-07:00</updated><title type='text'>A rocha</title><content type='html'>“Alta penha sob a qual um odor fêmeo se assanha. Do alto da pedra sólida apenas a voz humana voa e chama. E o que aos da planície propõe esse lamento dissimulado e triste é a rocha intacta, o tempo feito compacto, o ângulo reto. Corpo inerte esculpido pelos ventos, pelas chuvas e pelo som desse apelo sentenciado, tem piedade das mãos de carne, sangue e perfume que buscam tristemente o teu peito inconsútil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenta o elevador”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1665911482502354750?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1665911482502354750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1665911482502354750' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1665911482502354750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1665911482502354750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/rocha.html' title='A rocha'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3064809176447085812</id><published>2009-08-07T04:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-07T04:13:16.886-07:00</updated><title type='text'>Oral</title><content type='html'>Fruta aberta - como a palavra fruta. Ali nada se poupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulsação viva de sal e mel, tudo em ti paira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e prepara a minha boca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3064809176447085812?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3064809176447085812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3064809176447085812' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3064809176447085812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3064809176447085812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/oral.html' title='Oral'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8699166233734071365</id><published>2009-08-04T15:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T17:44:48.400-07:00</updated><title type='text'>Consultório Sentimental 1</title><content type='html'>Coisas para nunca dizer num primeiro encontro, num segundo encontro, pelo telefone, na rua, na chuva ou numa casinha de sapê. Aliás, é para não dizer jamais, mesmo sob tortura:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Precisamos desconstruir essa coisa que está rolando entre a gente”;&lt;br /&gt;“O chef desse restaurante é ótimo; ele desconstrói pratos e cria idéias para o inverno”;&lt;br /&gt;“Acho que é preciso desconstruir a política brasileira”;&lt;br /&gt;“Ouvi falar que iriam desconstruir aquela igreja para fazer um bordel (pensando bem: nunca use o neologismo “desconstruir”);&lt;br /&gt;“Um beijo no seu coração”; (Aiii!)&lt;br /&gt;“Acho que está rolando uma coisa de pele entre a gente” ou “amor é uma coisa de pele” (é verdade que sou hipocondríaco, mas sempre acho que a pessoa está falando de algum tipo de micose);&lt;br /&gt;“Eu sou uma pessoa muito verdadeira” (manda se lascar e diz que foi um impulso de sua “verdade interior”);&lt;br /&gt;“Ai, eu acho Caetano um gêênio”; (salvo se a pessoa com quem você fala achar a xoxota de Carmem Miranda “um ícone Dadá”, ou seja, salvo seja o próprio gêênio);&lt;br /&gt;“Ai, eu acho que Chico ainda é um gato”; (até o próprio não agüenta mais essa conversa. Quando eu nasci, logo depois do falecimento do último dinossauro, minha mãe me confidenciou baixinho no ouvido: “Zezinho, meu filho, eu acho Chico um gato”);&lt;br /&gt;"Topa ir no show de Ana Carolina, amanhã?"&lt;br /&gt;"O Cinema da Fundação está passando uma mostra do cinema francês" (o próximo passo é o show de Ana Carolina, ou uma desconstrução do filme em questão, ou a constatação de que o cineasta desconstrói valores da família burguesa, ou a idéia burguesa de felicidade, ou a sexualidade ocidental!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8699166233734071365?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8699166233734071365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8699166233734071365' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8699166233734071365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8699166233734071365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/08/consultorio-sentimental-1.html' title='Consultório Sentimental 1'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4084320842888578580</id><published>2009-07-30T13:03:00.000-07:00</published><updated>2009-08-02T04:10:44.017-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='velha(ca)ria'/><title type='text'>Resmungando mais um pouco</title><content type='html'>Da altura de mais de quatro décadas vividas no Recife, posso concluir sem medo de me precipitar:  educação, civilidade não são o forte do recifense. Não que não haja pessoas bem-educadas entre nós; é possível que sejam mesmo maioria - sabe lá Deus. Mas as criaturas que não tem qualquer respeito pelo direito alheio são, no mínimo, extremamente eficientes em se tornarem quase onipresentes em cada centímetro de nosso perímetro urbano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum outro lugar em que tais criaturas tenham a plena convicção que a música que escutam, a propaganda que alardeiam, o sermão que proferem sejam de interesse da totalidade dos mortais? E mais, é de se supor que haja um senso-comum entre elas de que seja necessário nos tratar como se de fato já estivéssemos mortos e que máxima potência de volume seria a única forma de nos fazer retornar do além, de obter nossa atenção. Em todo caso, se o que berram pode não ser de nosso interesse, certamente o é saber da potência do som que dispõem em casa, nas igrejas etc. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum lugar no mundo em que alguém vá fazer compras num super-mercado e deixe um parente na fila do caixa para poder reivindicar o direito a “atendimento prioritário”? Há algum lugar do mundo em que pareça absurdo reclamar disso que, ouso dizer, é um desrespeito a quem não tem parentes ou amigos? Há algum lugar do mundo em que o fato de chegar primeiro a um restaurante não signifique o direito de ocupar uma mesa se a pessoa que está atrás de você tem uma bolsa que possa “demarcar sua propriedade” sobre uma cadeira (e, em decorrência, sobre a mesa que você almeja)? Há algum lugar neste planeta em que direitos mínimos de ir e vir (inteiro) sejam diuturnamente questionados por hordas de motoristas incivilizado(a)s?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui hoje almoçar num restaurante que freqüento há alguns anos. Estacionei ao lado do dito cujo numa vaga desocupada. Ao retornar, o meu carro estava trancado por alguém que não viu problema em resolver  seu problema de estacionamento, tolhendo o direito de outra pessoa ir embora quando quisesse ou necessitasse. Levei algum tempo tentando tomar informações acerca do paradeiro da criatura motorizada. Finalmente, alguém me dá uma idéia de seu paradeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora se incomoda de mostrar um pouco de civilidade e permitir que eu vá embora?&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- A senhora estacionou o seu Mille atrás do meu carro e não consigo retirar o carro da vaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua pendenga comigo, a criatura passa a ser auxiliada pela atendente da loja onde ela comprava blusas, camisas - o que é correto do ponto de vista dos negócios, mas uma sacanagem comigo que passo a ter de me defender de duas criaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A vaga aqui é para clientes.&lt;br /&gt;- Quem disse que eu não sou? Estava olhando as lojas. Depois não há nenhuma placa avisando que eu só posso usar a vaga se efetivamente comprar algo.&lt;br /&gt;- É que tem gente que usa a vaga e vai pagar conta em banco, moço.&lt;br /&gt;- Não é o meu caso. Mas nesse caso, a senhora não acha que o correto seria não deixar entrar? Não deixar sair não parece um contra-senso para resolver o problema em questão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher do Mille assumiu a direção de seu veículo, mas não sem antes dizer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ele falar, Silvana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pelo tom valia dizer: “Não se troque com uma &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;criatura&lt;/span&gt; tão grossa e mal-educada”. Saí da situação com a raiva de quem concluiu a mesma coisa que as minhas algozes: realmente, não valia a pena o sermão. O ser, a entidade em questão não entendia sobre o que eu falava e não havia a mínima chance de me sentir melhor por dizer o que pensava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que tudo tem piorado por aqui. "Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do Rei". Em Pasárgada todos "saberiam com quem estariam falando" - única forma de ser respeitado nessa terra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4084320842888578580?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4084320842888578580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4084320842888578580' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4084320842888578580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4084320842888578580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/resmungando-mais-um-pouco.html' title='Resmungando mais um pouco'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1539269788563697723</id><published>2009-07-27T13:14:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T13:18:02.209-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='velha(ca)ria'/><title type='text'>Resmungando</title><content type='html'>"A vontade que eu tenho agora é mandar tudo se foder!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E por que não manda?..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Acho que me falta autoridade sobre as coisas".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1539269788563697723?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1539269788563697723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1539269788563697723' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1539269788563697723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1539269788563697723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/resmungando.html' title='Resmungando'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4180937096016715584</id><published>2009-07-24T15:53:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T17:38:56.897-07:00</updated><title type='text'>SEXTA-FEIRA!</title><content type='html'>Leio Restif de la Bretonne. Dedo-duro, agente de polícia, censor e literato. Sua obra mais conhecida, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anti-Justine&lt;/span&gt;, pretende ser uma alternativa ao erotismo sadeano, à sua violência extrema. Os dois foram contemporâneos e conterrâneos. De la Bretonne procura fazer um romance excitante, lúbrico (adoro essa palavra), mas em que predomine o prazer mútuo e não a objetificação absoluta do outro (da outra!) como encontramos na obra de Sade. Coincidentemente, comprei também &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Les infortunes de la vertue&lt;/span&gt;, há uns três dias, por meros R$ 8,00 – pela Librio, baratinho que só. Até o momento, a leitura da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Anti-Justine&lt;/span&gt; me dá a impressão de ter nas mãos uma versão edulcorada do terror erótico do velho marquês. Porém, é mais que isso: de la Bretonne não consegue dissociar erotismo e transgressão, erotismo e incesto. A violência sadeana está lá, embora ele próprio não queira admitir. Erotismo como objetificação e, no limite, como terror estão lá para quem ler com atenção mínima. É só prestar atenção no XV capítulo – e na dissimulação com a qual de la Bretonne pretende justificar sua redação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se trata da obra de um homem que tem compromissos que Sade, do xilindró onde passou metade de sua vida, não tinha. Bretonne foi “mouche”, Sade, não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometo-me há algum tempo escrever algo sobre literatura excessiva, sobre o trágico – obviamente, da perspectiva de alguém que nunca teve a tal coragem intelectual de que fala Nietzsche e que acha esse desassossego todo, esse mergulho heróico no trágico menos dionisíaco, que cristão. No final da vida, todos sabemos, Nietzsche alternava a assinatura de seus textos e cartas com dois nomes significativos: O Crucificado e Dionisos. Essa seriedade com que o Cristo aceitou ser crucificado por suas convicções é trágica? Seja como for, sou mole demais para ser trágico, “hiperbóreo” etc. etc. "Dá uma preguiça!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, há de haver algum lugar em que não precisemos encarar nem a filha-da-putice e bunda-molice de de la Bretonne nem o martírio nietzscheano, sadeano como únicas alternativas intelectuais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4180937096016715584?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4180937096016715584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4180937096016715584' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4180937096016715584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4180937096016715584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/que-sexta-feira.html' title='SEXTA-FEIRA!'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-435532692836212861</id><published>2009-07-23T07:11:00.001-07:00</published><updated>2009-07-23T07:13:28.286-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='de profundis'/><title type='text'>A Educação Sentimental</title><content type='html'>Há dois dias tento escrever algo. Qualquer coisa mesmo que soe como o que sempre escrevo: comunicação curta; em lugar de literatura, força bruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada me ocorre, no entanto, salvo os versos de seu Manuel – um vizinho tuberculoso - que retinem em minhas têmporas com a obstinação de bordões de novela de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando a morte cerrar meus olhos duros &lt;br /&gt;- Duros de tantos vão padecimentos,&lt;br /&gt;Que pensarão teus peitos imaturos,&lt;br /&gt;De minha dor de todos os momentos?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando é bom ter formas perfeitas para dar corpo a sentimentos confusos. Pois no fundo sentir é encontrar o caminho certo, é educar o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-435532692836212861?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/435532692836212861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=435532692836212861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/435532692836212861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/435532692836212861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/educacao-sentimental.html' title='A Educação Sentimental'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3870486331231800508</id><published>2009-07-20T21:05:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T03:48:23.862-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='de profundis'/><title type='text'>Estranho e humano</title><content type='html'>Dizia um tal Sigmund Freud que o sentimento de estranheza é algo profundamente humano. Humano e humanizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que este sentimento seja uma marca fundamental de nosso ser, mas também nos apareça como um retorno, como algo inesperado, parece um paradoxo, mas não é. O sentimento de estranheza, de inadequação profunda, o sofrimento diante de de algo que se nos apresenta, de modo duplo, como o mais familiar e o mais distante, é não apenas algo essencialmente do humano, mas a sua experiência sempre nos remonta à nossa finitude e, portanto, humanizaria também. Pois é da essência do humano poder se perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí algumas definições de humanidade (e estranheza) que encontramos na obra do grande mestre austríaco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Humano é usar calcinha com o escudo do seu time de futebol" (Totem e Tabu).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Humano é colocar roupinha no seu animal de estimação" (Mal-Estar na Civilização).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Humano é assistir a concurso de miss e torcer" (Moisés e o Monoteísmo).&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Humano é sempre testar se os números são divisíveis por três" (Estudos sobre a histeria).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Humano é escrever em blog" (Introdução ao narcisismo)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"cachorro é 05, elefante é 12, veado é 24, mas tem que cercar o grupo jogando do primeiro ao quinto" (A Interpretação dos sonhos)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3870486331231800508?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3870486331231800508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3870486331231800508' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3870486331231800508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3870486331231800508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/estranho-e-humano.html' title='Estranho e humano'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4167670203900789033</id><published>2009-07-03T13:37:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T18:09:07.341-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Voyerismo'/><title type='text'>Coisa 2</title><content type='html'>Mergulho no mapa digital seguindo o pulso de um zoom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais e mais e mais. Quase mergulho no Oceano Atlântico, como se recapitulasse um desastre recente. Recupero-me a tempo, no entanto. Esquerda, esquerda e zoom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade do Recife já começa a se desenhar na tela de meu PC. Queda livre de risco. Evitar novamente o Atlântico em busca de uma tragédia mais lenta que o mergulho, a explosão de um avião. Os bairros, como se eu os pudesse abocanhar: Linha do Tiro. Peixinhos. Alto Santa Terezinha. Afogados. Aflitos. Boa Vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomo no mapa meus passos recentes: Rua Floriano Peixoto, Rua da Concórdia. Sigo em direção à Rua da Palma. E já elas! As putas miseráveis da cidade do Recife. Mergulhar mais e mais sobre o que resta dos casarões abandonados, cariados, sifilíticos. Sobre as putas. Perguntar “Que horas são, meu bem?” e recobrar-me da indiferença impossível, dos passos apressados, do respeito cosmético que diz também “Vocês estão mesmo aí?” Zoom. Olhar com atenção os cabelos queimados pela lida e por cosméticos baratos, os corpos marcados e lambidos pelo sol, e abrir enormemente os olhos para a idade a idade a idade daquelas mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Putas velhas! Como a cidade. Putas velhas em uma conversinha curta, discreta, desdentada. Indiferentes à minha indiferença. Zoom. O cheiro de sabonete barato e o brilho de um louro impossível tocam minha pele impregnam minha retina. Toco esses corpos flácidos e perigosos. Aqui é o coração da cidade. "Mas tem que pagar, filhinho!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recife não é mais Recife em nenhum outro lugar. E já não há mergulho possível. Agora recubro minhas pegadas de antes, de seis horas antes, e retorno à Rua Lambari, onde uma putinha de quinze anos, talvez menos, bunda dura e peitinhos um quase, indica com os olhos desafiadores uma escada e um precipício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez aceito e não mais resisto à minha pátria e sina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4167670203900789033?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4167670203900789033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4167670203900789033' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4167670203900789033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4167670203900789033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/07/coisa-2.html' title='Coisa 2'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3529105593161496982</id><published>2009-06-26T17:28:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T17:43:37.937-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Desaforo'/><title type='text'>De novo!</title><content type='html'>Lá vem você de novo espiar pela janela do vizinho!... Gente mais bisbilhoteira! Vôte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que é só você!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3529105593161496982?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3529105593161496982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3529105593161496982' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3529105593161496982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3529105593161496982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/de-novo.html' title='De novo!'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8002827302235276152</id><published>2009-06-19T09:24:00.001-07:00</published><updated>2009-10-06T15:26:57.534-07:00</updated><title type='text'>Coisa 1</title><content type='html'>Quando você me encontrar, acaso me reconhecerá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você que nunca teve notícia de minha pele, tendo passado os dias ao largo dos meus pelos, saberá me identificar pela cicatriz que guardo sob a unha do pé?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechará seus dias passados, dirá “vale!”, como os antigos terminavam suas estórias? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirá que preciso tomar mais sol, que estou pálido, estranhará a cor da camisa que usarei, perguntará por coisas há muito esquecidas (acácias róseas em flor, a rua esburacada pela força do sol, cheiro de peito, animaizinhos de estimação, o calor dos corpos para sempre idos, nomes naufragados entre uma e outra enchente do Capibaribe), desencravará das paredes as risadas que anunciaram os metais do meu quintal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saberá de tudo isso e me dirá coisas inesperadas? Como nossos olhares quase se cruzaram num dia assim e assim, como ficou magoada porque eu ainda não existia por dias e dias e dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando isso for dito, quando forem contabilizados os segundos e séculos todos em que eu ainda me preparava, reconhecerei a tua mão, tomarei teu sexo e saberei imediatamente do áspero-líquido-rubro-quente que me foi preparado desde o momento em que o universo explodiu, num gozo, sua existência? Em teus peitos lembrarei dos cheiros de outros peitos para sempre esquecidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saberei tomar o teu corpo com a confiança de quem adentra sua casa e te amarei como não se ama casa, bichos de estimação, tardes ensolaradas, acácias em flor, o rio que por vezes não reconhecia suas margens? Como só se pode amar uma mulher. E a história caminhará para adiante, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou será que talvez numa outra tarde, anos e anos afora, quando tudo já me for dado, encontrarás, comovidinha, essas poucas linhas que agora, enquanto rezo, saem da ponta dos meus dedos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8002827302235276152?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8002827302235276152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8002827302235276152' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8002827302235276152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8002827302235276152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/coisa-1.html' title='Coisa 1'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-609056529822340889</id><published>2009-06-18T09:30:00.000-07:00</published><updated>2009-06-19T05:17:11.709-07:00</updated><title type='text'>Relendo Dom Quixote</title><content type='html'>A crer em Cervantes, o mundo é o lugar do diálogo pouco provável entre o delírio poético e o bom senso mesquinho, perverso. A cegueira deste e daqueles dita o compasso dessa dança, dessa conversa. Em meio ao grotesco dos passos, pisões de parte a parte, rimos. Sabe lá Deus de quê... Mas o lugar de onde rimos (com dentes delirantes ou perversos) fica mais fácil perceber. No final das contas, não é tão engraçado ver Sancho sendo manteado ou o cavaleiro da triste figura nu, comendo grama por amor da gorda e feia Dulcinéia del Toboso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre, no entanto, eu acordo com o pé esquerdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-609056529822340889?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/609056529822340889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=609056529822340889' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/609056529822340889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/609056529822340889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/relendo-dom-quixote.html' title='Relendo Dom Quixote'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1079046596535939406</id><published>2009-06-14T09:19:00.000-07:00</published><updated>2009-06-14T09:20:05.776-07:00</updated><title type='text'>Bataille, literatura e o mal</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-WiwNekNJGA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-WiwNekNJGA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1079046596535939406?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1079046596535939406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1079046596535939406' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1079046596535939406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1079046596535939406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/bataille-literatura-e-o-mal.html' title='Bataille, literatura e o mal'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8647162497541388527</id><published>2009-06-11T19:00:00.000-07:00</published><updated>2009-06-18T09:29:51.334-07:00</updated><title type='text'>Inventário</title><content type='html'>Vejamos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um papagaio melancólico, quatro sabiás voando vadiamente, um bem-te-vi de peito amarelo-esverdeado-folha-nova-de-jambeiro, cor intensa demais para fazer parte da paisagem, “os os os”, asas assustadas fazem que não escuto, os olhos daqueles quatro sabiás de que falei há pouco, evitam os meus olhos com pulinhos de-quase-alegria-e-um-medinho-assim, gente caminhando em volta da praça, ciscando o asfalto, circulando em shoppings, comendo comida barata, não, esses não, gatos muito pretos, exceto um, espreguiçando-se perto de uma biblioteca abandonada, como todas aqui nessa cidade, águas paradas do rio, Seu Paulo teve um AVC e perdeu o movimento de um dos braços, foi à CEASA de bicicleta para comprar verduras ainda convalescente, a mulher dele ficou furiosa e disse que por ela ele podia morrer, meu pai  acha a mulher de seu Paulo uma filha-da-puta, embora não tenha nada a ver com isso, Xuxa desapareceu no oco do mundo e nunca mais voltou, talvez tenham matado a bichinha, ou ela foi atropelada atravessando a Avenida Caxangá, um sanhaçu muito azul não voa por cima das árvores, os periquitos sim, com a algazarra de sempre, eu os escuto, mas não os vejo, bolas muito grandes e cor-de-rosa flutuando na mão das crianças, goiabas abertas por uma faca precisa, à venda em meio a roupas de São João e barrinhas para jogar futebol em duplas, a vitória do Brasil no Arruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu faço com essa porra toda?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8647162497541388527?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8647162497541388527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8647162497541388527' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8647162497541388527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8647162497541388527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/inventario.html' title='Inventário'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-5299966570867912210</id><published>2009-06-05T18:23:00.000-07:00</published><updated>2009-06-20T23:34:45.592-07:00</updated><title type='text'>Besame, besame mucho...</title><content type='html'>Preparo-me para o teu sexo pequeno, olhando-te quase. Pesam-me duas grossas pálpebras sob cujo rubor escondo meu desejo. E o que sinto, então, dentro dessa luz sanguínea, são tuas mãos mornas sobre minha pele de sapo, constrangendo-a, a ela e a essa aparência pantanosa que ostento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomponho-me com o encantamento e a mágoa que tem o sorriso dos velhos por tudo o que viceja.       Mas algo pulsa em mim: pousaste tuas mãos, ambas, sobre o meu braço negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giro levemente o pulso e guardo minha palma fria para dias melhores, envergonhado desse suor extemporâneo, desse pudor de moço, gotejando, quase, entre esses dedos tantos. Tu nada percebes. Continuas rindo teu sorriso curto e dizes coisas que não escuto bem. Falas de um compromisso e eu anoto em minha agenda teu comando doce e nada, nada escuto. Só tuas mãos sobre meu braço eu ouço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundos depois, as palavras pesam e se assentam sobre a mobília. E dizem coisas assim “dia tal de tal às tantas horas em tal lugar” - alguns números do calendário que grifas com tua voz rouca deslizam sobre a mesa e caem no chão fazendo um barulho assim: dilin-dilin-dilim.&lt;br /&gt;- Leva roupa leve e prepara tua pele dura pois irei vestindo couro e levarei comigo chicotes e facas.&lt;br /&gt;A palavra “facas” retesa-se fincada, entre nós dois, sobre a mesa de mármore; e teus “chicotes” se enroscaram no ventilador de teto. Eu digo apenas:&lt;br /&gt;- Levarei uns discos.&lt;br /&gt;Ao que tu respondes com tua voz que quase escuto:&lt;br /&gt;- Não precisa. Tocarei harpa em tuas tripas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-5299966570867912210?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/5299966570867912210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=5299966570867912210' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5299966570867912210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5299966570867912210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/06/besame-besame-mucho.html' title='Besame, besame mucho...'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4326794204765872758</id><published>2009-05-05T09:13:00.000-07:00</published><updated>2009-05-13T01:58:47.811-07:00</updated><title type='text'>"Palavra má porque não sei dizer", diz o tagarela</title><content type='html'>Falar é escutar a língua. O falante sabe disso, precisa saber. Mas enquanto fala esquece esse conhecimento primeiro. Ou, então, não falaria. O indizível é encontrar-mo-nos, sem perceber, escutando essa escuta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4326794204765872758?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4326794204765872758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4326794204765872758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4326794204765872758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4326794204765872758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/05/sobre-o-inefavel.html' title='&quot;Palavra má porque não sei dizer&quot;, diz o tagarela'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8529003704673895892</id><published>2009-03-05T16:18:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T16:25:04.682-08:00</updated><title type='text'>Sobre a poesia e o silêncio</title><content type='html'>Feita de palavras, ela sumiu, sem deixar vestígio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim animava o incansável refazer de seu corpo alfabético: o alvoroço cotidiano de sexo, secreções, angústia e alguma fúria. As linhas curtas, empilhadas formando uma precária torre de letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfez-se como num vôo o próprio vôo se perde. Calou os dedos, a ironia e por fim deixou a sala levando consigo a mobília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais não disse. Parece que amigou-se com um tal Rimbaud, que também conhece a arte dos silêncios. “Os os os”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8529003704673895892?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8529003704673895892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8529003704673895892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8529003704673895892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8529003704673895892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/03/sobre-poesia-e-o-silencio.html' title='Sobre a poesia e o silêncio'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7507663205826677738</id><published>2009-01-05T16:52:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T03:52:02.240-08:00</updated><title type='text'>Cavalo de Tróia</title><content type='html'>Era um mendigo sujo, pele áspera com a qual viria lixando a sujeira da Avenida Agamenon Magalhães por alguns anos. Nunca o havia percebido antes, no entanto. Flutuou em direção à janela do carona sua cara inchada como um balão de aniversário. Tremia levemente seu corpo esquelético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pediu-me umas moedas "para comer alguma coisa". Olhei-o oscilar no enquadramento da porta de meu carro. Dei-lhe mais que me pediu, alguns Reais, e disse com essa alma caridosa que Deus me deu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aonde quer que você esteja indo, vá depressa. Reserve algumas moedas para o barqueiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos entendemos: ele agradeceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7507663205826677738?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7507663205826677738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7507663205826677738' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7507663205826677738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7507663205826677738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2009/01/cavalo-de-tria.html' title='Cavalo de Tróia'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2950961881148206573</id><published>2008-12-22T08:49:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T10:29:30.676-08:00</updated><title type='text'>A alma do negócio</title><content type='html'>Em uma barraquinha em San Martin, subúrbio do Recife, li a seguinte placa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"RELOJOEIRO &lt;br /&gt; JESUS NÃO TARDA!!"&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esclareço. O relojoeiro em questão, Jesus, conhecido em San Martin, havia saído para almoçar. A placa é um gracejo impagável. Considerei-o meu presente de Natal e como estamos neste clima compartilho-o. Não tendo preço, nada me custou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2950961881148206573?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2950961881148206573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2950961881148206573' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2950961881148206573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2950961881148206573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/12/alma-do-negcio.html' title='A alma do negócio'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8124736756609003338</id><published>2008-12-21T12:10:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T12:14:27.903-08:00</updated><title type='text'>Por una cabeza</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Carlos Gardel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8dStp5hq294&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8dStp5hq294&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Harpa: Lee Che-Yi; Violino: Lin Tain-Chi; Cello: Ou-Yang Whey-Ru&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1eYH0YN_2jE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1eYH0YN_2jE&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8124736756609003338?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8124736756609003338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8124736756609003338' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8124736756609003338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8124736756609003338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/12/por-una-cabeza.html' title='Por una cabeza'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-7906138246470800234</id><published>2008-12-12T16:21:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T13:16:53.751-08:00</updated><title type='text'>Diário do Subúrbio</title><content type='html'>Mais um dia se passou e Vanessa da Mata não me ligou - ou ligou e o celular estava no modo silencioso. "Desvanecida de amor, cor de carmim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde está aquele maldito bilhete da loteria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, fechei a contabilidade do condomínio, tomei vacina para a terceira idade, troquei a roupa de cama, confirmei minha presença no almoço de fim de ano da empresa (mal posso esperar!), esquentei a lasanha de ontem, escovei bem os dentes (nunca se sabe).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei as unhas para aparar amanhã. É preciso ter parcimônia ao desfrutar os prazeres da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o funk rola solto, independente de mim, na plena potência dos seus 1500 watts: "Ado-a-ado... cada um no seu quadrado" "piri-piri-piri-piriguete".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-7906138246470800234?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/7906138246470800234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=7906138246470800234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7906138246470800234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/7906138246470800234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/12/dirio-do-subirbio.html' title='Diário do Subúrbio'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2902460584551761100</id><published>2008-12-05T14:46:00.000-08:00</published><updated>2008-12-07T13:24:38.183-08:00</updated><title type='text'>Pelo telefone</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STmv9xXF3XI/AAAAAAAAAMg/ZECO477emlU/s1600-h/telefonista.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 187px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STmv9xXF3XI/AAAAAAAAAMg/ZECO477emlU/s320/telefonista.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276441914198318450" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo telefone, uma moça da produção de um programa Tal da Rede TAL pergunta se eu me interessaria em  falar sobre Internet, sobre jovens que entram em enrascadas terríveis através dos Orkuts da vida. Nem entendo muito do assunto e estava às voltas com a correção de uns vinte ensaios, mas pergunto em que posso ser útil - o que é sempre um risco: “Será que você poderia comprar um misto quente e uma coca pra mim na cantina aqui em baixo da redação?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus temores todavia não se concretizaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu queria fazer uma entrevista com o senhor, mas antes  gostaria de fazer algumas perguntinhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é a forma que eles julgam educada de dizer: “Bom, alguém falou bem de você, mas a gente nunca sabe, não é? De repente é uma pegadinha e você é completamente imbecil, não é?  Mas a gente confia em você, fica tranqüilo. É que é a emissora TAL, não é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manda ver. Mas se eu for reprovado não conta pra ninguém.&lt;br /&gt;- Recentemente, um "jovem foi aliciado por um travesti pela Internet"; outro jovem foi raptado depois de marcar um encontro pelo Orkut com um desconhecido? O que o senhor acha disso?&lt;br /&gt;- A burrice não escolhe mídia.&lt;br /&gt;- O senhor quer dizer...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- O senhor acha que existe algo socialmente preocupante nesses fatos?&lt;br /&gt;- Na burrice? Claro. Se eu convidasse você para falar sobre a Intenet em meu apartamento, hoje, digamos às 8 horas da noite, você aceitaria?&lt;br /&gt;- Bem, não senhor. Ah... A gente precisa de alguma informação a seu respeito, títulos e tal.&lt;br /&gt;- Zé da Goma, ex-candidato ao Big Brother, atualmente a última Cajuína do Sertão do Cariri”.&lt;br /&gt;Héin?&lt;br /&gt;- Brincadeira. Bota só a “última Cajuína do Sertão do Cariri”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2902460584551761100?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2902460584551761100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2902460584551761100' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2902460584551761100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2902460584551761100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/12/pelo-telefone.html' title='Pelo telefone'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STmv9xXF3XI/AAAAAAAAAMg/ZECO477emlU/s72-c/telefonista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3995710585655350305</id><published>2008-11-28T11:47:00.000-08:00</published><updated>2008-12-03T03:29:43.332-08:00</updated><title type='text'>No restaurante do Ateliê de Brennand</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STBLmDoIa7I/AAAAAAAAAMY/abSF67F5cD0/s1600-h/brennand1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 301px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STBLmDoIa7I/AAAAAAAAAMY/abSF67F5cD0/s320/brennand1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273798280831593394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz de um tempo primeiro. O mundo ainda não é possível. Nada ainda tem a clareza da forma, salvo a forma do ovo, daquilo que talvez nascerá. Um caju abortado. Um bico de passarinho capturado antes de qualquer som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também a forma do essencial. Bustos. Ovos-vaginas, caralhos-mulheres, caralhos-homens, caralhos-soldados, camponês-caralho, caralhos, caralhos, caralhos. Tudo parido da mesma matéria que chorará a noite por vir. Quando essa noite chegar... Quando o claro e as coisas definidas puderem ser sonhadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para onde olho sonho e pesadelo ainda fazem uma coisa só. Uma voz das profundezas da terra e da infância entoa a música: “carpinteiro de meu pai, não me corte os cabelos, minha mãe me penteou minha madastra me enterrou, pelos figos da figueira que o pássaro bicou...” Pássaros-caralhos, não voam, pastam; a música virou pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite, matéria de tudo, parece esperar o tempo de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou meia-volta e não entro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de um pesadelo maior que o meu estanco e recubro minhas pegadas. “Este é mais valente que eu, trazer à luz pesadelos... Tantos. E os mesmos. E neles pendurar etiquetas... “Quer esse em sua sala de estar? Essa matéria de grito custa R$ 30.000,000”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou embora. Diante de tanta força, a inveja em mim fala mais alto: “da outra vez comi melhor no restaurante”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3995710585655350305?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3995710585655350305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3995710585655350305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3995710585655350305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3995710585655350305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/no-restaurante-do-ateli-de-brennand.html' title='No restaurante do Ateliê de Brennand'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/STBLmDoIa7I/AAAAAAAAAMY/abSF67F5cD0/s72-c/brennand1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3739894203250047952</id><published>2008-11-21T09:50:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T10:16:32.663-08:00</updated><title type='text'>Medéia, de Pasolini (1969)</title><content type='html'>Nada, abasolutamente nada, que eu tenha visto no cinema pode se comparar a este filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;parte 1&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/QGPd411gOYA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/QGPd411gOYA&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;parte 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PIBmo0QyWqI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PIBmo0QyWqI&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" 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value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fThXZO6rSEw&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;parte 5&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/3YjhXoKDJ20&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/3YjhXoKDJ20&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;parte 6&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" 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rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3739894203250047952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3739894203250047952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3739894203250047952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3739894203250047952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/media-de-pasolini-1969.html' title='Medéia, de Pasolini (1969)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4926784701104516717</id><published>2008-11-21T03:28:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T12:47:02.275-08:00</updated><title type='text'>Maldição (há muito tempo nas águas da Guanabara...)</title><content type='html'>“COM DORES PARIRÁS TEXTOS ACADÊMICOS ROCOCÓS! POUCOS LERÃO.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Por que você escreve tudo em maiúsculas?...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ ‘VOCÊ’ ?!!! CÃO INFIEL! ‘VOCÊ’ ?!!!!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vós é muito complicado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VÓS SOIS! IGNORANTE”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quero dizer, o uso do pronome ‘vós’... O Senhor não é mesmo onisciente, é?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“SENHOR ESTÁ BOM. FALA ‘SENHOR’... LERÁS TESES ACADÊMICAS, DISSERTAÇÕES, MONOGRAFIAS INTERMINÁVEIS EM TEUS FINAIS DE SEMANA!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“CALUDA! ALUNOS NÃO DEIXARÃO QUE ASSISTAS À NOVELA DAS 8. TERÁS DE DAR AULAS SOBRE MAX WEBER, LER TEXTOS DE BRUNO LATOUR, DERRIDA, DELEUZE".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mea culpa, mea maxima culpa..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O SALÁRIO SERÁ RIDÍCULO. AS MULHERES TE ACHARÃO CAGALHÃO E CONFUSO!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Majestade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“FICARÁS CARECA! LENTAMENTE... PARA QUE EU POSSA GOZAR DO PRAZER DE TE VER RIDICULAMENTE TENTAR VÁRIOS PRODUTOS CONTRA QUEDA DE CABELO. MAS NÃO TÃO LENTAMENTE ASSIM QUE AS PESSOAS NÃO PERCEBAM A PRÓPRIA MORTALIDADE ATRAVÉS DE TUA CABEÇA”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas por que eu?!!! Por que Vossa Excelência não fodeu a vida de Chico Buarque de Holanda?! Tom Jobim?! Esses cachaceiros todos... Gente desregrada e ruim! Excelência, por que me desamparaste?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“SÓ PELA SACANAGEM. E DIGO MAIS: SABES POR QUE ODEIAS TANTO WOODY ALLEN?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“AGUARDA UM POUCO... É DIFÍCIL... ACERTAR O TECLADO... RINDO DESSE JEITO. AI, JESUS! ME ACODE”...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4926784701104516717?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4926784701104516717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4926784701104516717' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4926784701104516717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4926784701104516717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/maldio-ou-h-muito-tempo-nas-guas-da.html' title='Maldição (há muito tempo nas águas da Guanabara...)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4766742511994954349</id><published>2008-11-19T09:39:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T11:10:20.515-08:00</updated><title type='text'>VI</title><content type='html'>- POR VEZES ME ACOSTO NO HÁLITO ESPESSO DO PASSADO E QUASE VEJO A BOCA DO TEMPO SE FECHAR SOBRE MIM. E DURMO. ALI NO ÚMIDO-QUENTE, MAIS UMA VEZ, TENHO A OPORTUNIDADE DE VENCER AS BATALHAS QUE PERDI - E QUE ME PERSEGUEM, COMO FOSSEM SOMBRAS DE MINHA SOMBRA. E DANÇO, ENTÃO, CANTO, DESENHO NO VENTO GESTOS QUE ME TERIAM SALVADO A PELE E A HONRA. VEJO MEU INIMIGO OBSERVAR MEU CORPO RECUPERADO DA DOR E DA QUEDA E OUTRA VEZ TENTO A VITÓRIA. MAS PERCO RENOVADAMENTE, POIS NÃO APENAS A DISPOSIÇÃO GUERREIRA SE INSTALA EM MIM, EM MEU SONHO, MAS TAMBÉM A MEMÓRIA DE QUE TUDO ESTÁ IRREMEDIAVELMENTE PERDIDO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O QUE O SENHOR PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- DANÇANDO CEGO NA CHUVA DE ONTEM.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- MAS COMO, TU, CÃO!, OUSAS USURPAR AS LETRAS MAIÚSCULAS PARA TAL??!! AS MAIÚSCULAS!!! MINHA PRERROGAGIVA DIVINA! ALMA PERDIDA, CAÍDA! REI DA FULEIRAGEM, CAGÃO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ôpa! Foi mal, capitão, fui me deixando envolver pelo calor das palavras, pelos anjos de barro do meu sono...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- HÁ UM REMÉDIO PARA ESSA INSOLÊNCIA. FICARÁS SEM DIREITO À FALA ATÉ SEGUNDA ORDEM. AGORA, OUVE.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- nhmmm...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- IN PRINCIPIO CREAVIT DEUS CAELUM ET TERRAM &lt;br /&gt;TERRA AUTEM ERAT INANIS ET VACUA ET TENEBRAE SUPER FACIEM ABYSSI ET SPIRITUS DEI FEREBATUR SUPER AQUAS &lt;br /&gt;DIXITQUE DEUS FIAT LUX ET FACTA EST LUX &lt;br /&gt;ET VIDIT DEUS LUCEM QUOD ESSET BONA ET DIVISIT LUCEM AC TENEBRAS &lt;br /&gt;APPELLAVITQUE LUCEM DIEM ET TENEBRAS NOCTEM FACTUMQUE EST VESPERE ET MANE DIES UNUS &lt;br /&gt;DIXIT QUOQUE DEUS FIAT FIRMAMENTUM IN MEDIO AQUARUM ET DIVIDAT AQUAS AB AQUIS &lt;br /&gt;ET FECIT DEUS FIRMAMENTUM DIVISITQUE AQUAS QUAE ERANT SUB FIRMAMENTO AB HIS QUAE ERANT SUPER FIRMAMENTUM ET FACTUM EST ITA &lt;br /&gt;VOCAVITQUE DEUS FIRMAMENTUM CAELUM ET FACTUM EST VESPERE ET MANE DIES SECUNDUS &lt;br /&gt;DIXIT VERO DEUS CONGREGENTUR AQUAE QUAE SUB CAELO SUNT IN LOCUM UNUM ET APPAREAT ARIDA FACTUMQUE EST ITA &lt;br /&gt;ET VOCAVIT DEUS ARIDAM TERRAM CONGREGATIONESQUE AQUARUM APPELLAVIT MARIA ET VIDIT DEUS QUOD ESSET BONUM...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4766742511994954349?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4766742511994954349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4766742511994954349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4766742511994954349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4766742511994954349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/vi.html' title='VI'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-9034969292108996769</id><published>2008-11-18T06:14:00.001-08:00</published><updated>2008-11-18T06:14:33.461-08:00</updated><title type='text'>Intermezzo - Tom Waits cantando Rain Dogs</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qVaEPx_VyXs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qVaEPx_VyXs&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-9034969292108996769?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/9034969292108996769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=9034969292108996769' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9034969292108996769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9034969292108996769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/intermezzo-tom-waits-cantando-rain-dogs.html' title='Intermezzo - Tom Waits cantando Rain Dogs'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-583846806253321085</id><published>2008-11-10T09:59:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T13:47:04.367-08:00</updated><title type='text'>IV</title><content type='html'>- EU SOU O VERBO! EU SOU A BOSSA! EU SOU O ALFA E O ÔMEGA! JOIADO TODO, A INSPIRAÇÃO DE PAULO... E DE PAULO COELHO, DO ‘APOCALIPSE’ E DE ‘BRIDA’! EU MATO A FOME DE HOJE COM A FRUTA QUE VAI NASCER AMANHÃ, EU CARREGO AZEITE EM PENEIRA, EU ESTOU EM TODO LUGAR - E POR ISSO NÃO POSSO, POR DEFINIÇÃO, EVITAR ESTAR AQUI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Essa estória de onipresença pode ser bastante constrangedor. O capitão não sabe delegar, não? Ver a toilete de Camila Pitanga, tudo bem, é compreensível, embora politicamente incorreto, mas ver Delfin Neto em seus momentos mais íntimos... Excelência me desculpe, mas acho uma aberração!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não consigo evitar. EU SOU A VERDADE E A VIDA! NENHUMA FOLHA CAI SOBRE O SOLO SEM A MINHA PERMISSÃO, NADA CRESCE NEM SE CORROMPE SEM QUE EU ASSINE EM BAIXO! EU SOU O AVALISTA DE TUDO O QUE HÁ, A PILHA DURACEL DO UNIVERSO. EU SOU A BRASTEMP DAS BRASTEMPS, EU ASSOBIO, CHUPO CANA E IMITO FRANK SINATRA AO MESMO TEMPO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desde menino eu aprendi que Deus havia morrido. Mas, capitão, se for esse o caso, Vossinhoria gravou propaganda por uma eternidade. Tudo que eu queria era uma morena peituda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- SILENCE!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-583846806253321085?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/583846806253321085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=583846806253321085' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/583846806253321085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/583846806253321085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/iv.html' title='IV'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1334107701007368734</id><published>2008-11-06T14:03:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T10:38:41.699-08:00</updated><title type='text'>III</title><content type='html'>(Barulho de vidro quebrando)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Merda! Quem tirou maldito o centro do lugar? Acho que me cortei e agora não vou conseguir me orientar direito nesta merda de sala. Quem tirou o centro do?... Haverei de sangrar aqui até morrer, sem  um socorro, um bandaid... Poderia ir até o banheiro, mas há os cacos de vidro. Não vou agora cortar também os pés. Sangro confortavelmente na minha cadeira até morrer, se eu a achar... Pronto. (pausa. Gritando) Você bem poderia ser de alguma serventia! Fica aí, sem dizer nada, sem tomar uma atitude. Você não tem qualquer compaixão!! E eu já fiz poesia, propus paradoxos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Breve instante, um rolo de gaze e um frasco de antisséptico voam até o seu colo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigado... Deus! Quem mais viria ajudar? (desconfiado, abre e cheira o frasco de antisséptico). Quem mais me ajudaria, além de Deus? (derrama um pouco do atinsséptico sobre a gaze e volta a cheirar). Você, você não me escuta, não se move, não fala, raramente cheira, e pode muito bem ser uma fantasia de minha cabeça. Há tanto tempo confinado nesse espaço... Mesmo assim, fantasia ou pesadelo, ou criatura de carne e pelo, eu odeio você! Cacete, como isso dói! Acho que não está estancando... É melhor chamar um médico. (esbarra em algo outra vez). Chama um médico, por favor. Está tudo fora do lugar! Está tudo fora do lugar! Onde está a porra do telefone?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- (sussurrando) “Quem se eu gritasse, entre as legiões dos anjos me ouviria?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Héim? Você disse alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É só um arranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deus?!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O próprio. E antes que eu me esqueça, vai tomar no teu cu.Tu reclamas pra caralho.(recompondo-se) Chamaste-me, meu filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desculpai! Altíssimo... É Deus, mesmo?!!! Na verdade eu estava esperando uma morena peituda, por volta de uns 25 anos, bonita. Não é que eu não aprecie sua companhia... Mas como você é onipotente, não é?, cheio de truque, não é?, isso seria moleza pra você. Dá pra trocar essa experiência mística por algo mais carnal???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ESPÍRITO DE TREVAS!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cuma?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1334107701007368734?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1334107701007368734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1334107701007368734' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1334107701007368734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1334107701007368734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/iii.html' title='III'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-650831162629619627</id><published>2008-11-04T06:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T07:07:46.493-08:00</updated><title type='text'>II</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SRBjc08cunI/AAAAAAAAAMQ/1EF9u3ourHE/s1600-h/white.bmp"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SRBjc08cunI/AAAAAAAAAMQ/1EF9u3ourHE/s320/white.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264817311295781490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acordei pensando que morrer é coisa de vivo. (pausa) Todo morto é imortal, sem precisar ter sucesso na Academia, nem nada. O morto já não morre e, portanto, é imortal. (pausa) Mas se morrer é coisa de vivo, quanto mais vivo, mais mortal. Deito, um furacão, sobre as costas do nada e quanto mais me agito, mais esfrego minhas costas nas costas de coisa nenhum. Só o morto esfrega-se com a morte de frente, mas isso já o faz como imortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Grumpf! Hmm!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é que eu goste particularmente de paradoxos, mas eles têm o poder de comandar uma resposta. (pausa) Um paradoxo é aquilo que não admite o silêncio, é aquilo que solicita a voz do ouvinte. Talvez você tenha respondido ao paradoxo que propus e é isso que espero.(pausa) Maldita gripe que me deixou meio surdo. Preciso ir a um otorrino, talvez amanhã. (pausa longa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você falou alguma coisa? Você está aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não. (pausa) O comer-se do morto e da morte é vedado ao vivo, ao mortal. Mas isso já está enchendo o saco. Erotismo mórbido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor mudar de assunto, melhor evocar imagens fulgurantes, o sol que queima sangüíneo através das pálpebras, o mundo denso das coisas sob a chuva, visões que grudam na sua pele, antes de entrarem em sua retina. E eu esperando notícias dessas coisas aqui, através de você, que pode nem estar aí. Escuro adentro, noite afora, para além de minha cegueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Grumpf! Hmm!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um som que seja... Você está aí?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-650831162629619627?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/650831162629619627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=650831162629619627' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/650831162629619627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/650831162629619627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/11/ii.html' title='II'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SRBjc08cunI/AAAAAAAAAMQ/1EF9u3ourHE/s72-c/white.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-9032294341105760716</id><published>2008-10-30T14:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-30T15:06:07.099-07:00</updated><title type='text'>I</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SQotnHsTkRI/AAAAAAAAAMI/TeR9kxZvIvM/s1600-h/stary.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 256px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SQotnHsTkRI/AAAAAAAAAMI/TeR9kxZvIvM/s320/stary.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263069264638873874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você está aí, não é?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Houve um tempo em que minha cegueira era tão densa que a brisa não fazia vibrar os espaços dessa sala. Som nenhum, coisa alguma, era assim. O barulho de sua respiração não era sequer intuída por essa bengala que teimo em rolar entre os dedos da mão direita. De um para o outro lado. Depois passo para a esquerda.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Hoje fez um calor terrível, mas ontem foi pior.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Quando falo e a sala está vazia é diferente. O som volta metálico dando notícias de superfícies planas, ângulos retos. Quando você está aqui é diferente. Seu corpo devolve-me não só um som, mas notícias de um perfume, de coisas feitas longe daqui e de mim. Mas não consigo sentir o seu perfume, de fato. Apenas imagino.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Já contei aquela estória triste do meu amigo que sonhava ser chargista, que era muito feio e muito pobre? Sonhava. Disse que ele morava embaixo da escada da pensão de Dona D.? E que quando os outros pensionistas chegavam com seus passos pesados e bêbados sempre o acordavam do oco onde colocara sua cama? Vivia como um rato, meu amigo. E foi decapitado por uma jamanta quando subia, ou descia, já não lembro, a Serra em direção a Santos. Decapitado como um rato.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- O outro que ia dirigindo a moto, a gente o chamava Carioca, salvou-se. Caiu fora da estrada, rolou pelo acostamento e se salvou. Não o quis ver, não fui ao seu funeral. O Carioca me disse que ele “me prezava muito”. Não chorei e a tarde não se entristeceu particularmente. Apenas, acho que as coisas nesses momentos sempre ganham uma opacidade especial, mesmo que o dia tivesse sido ensolarado naquela cidade de bosta. Certas pessoas se vão sem comoção. Morreu como um rato.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Você acha que se eu tocasse uma lira o ar entre nós vibraria agora mais comovido? Acho que essa é uma imagem de Rilke, mas não estou certo. Lá fora escuto barulhos de uma farândola. Digo ‘farândola’ porque acho a palavra sonora, o fato é que alguns saltimbancos divertem o começo da noite. Você os ouve?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Rasgo de púrpura, tufão de borboletas azuis. Digo isso porque soa tão bonito... Sou cego, nada sei de azuis cintilantes nem do tecido púrpura de um vento que pode se descoser em vaginas. Digo isso porque soa... porque assim escuto, quero escutar, sua respiração discreta se apressar.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Um pouco que seja. Você sabe, aqui não é particularmente solitário, sobre essa cadeira de balanço, medindo o mundo com essa bengala. Se quiser me levanto, você sabe. Se quiser vou embora. Mas fico sempre, lá fora, sem saber se você ainda continua na sala.&lt;br /&gt;-...&lt;br /&gt;- Você está aí?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Você ainda está aí?&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-9032294341105760716?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/9032294341105760716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=9032294341105760716' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9032294341105760716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9032294341105760716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/i.html' title='&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SQotnHsTkRI/AAAAAAAAAMI/TeR9kxZvIvM/s72-c/stary.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2286610075154554182</id><published>2008-10-27T15:56:00.000-07:00</published><updated>2008-10-27T15:57:44.558-07:00</updated><title type='text'>Não é novidade, mas é engraçado: Biro-Biro vs Ronaldinho</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fx5ByxxUUkU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fx5ByxxUUkU&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2286610075154554182?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2286610075154554182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2286610075154554182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2286610075154554182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2286610075154554182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/no-novidade-mas-engraado-biro-biro-vs.html' title='Não é novidade, mas é engraçado: Biro-Biro vs Ronaldinho'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-9033503877870440237</id><published>2008-10-21T15:31:00.000-07:00</published><updated>2008-10-21T15:37:02.255-07:00</updated><title type='text'>Intermezzo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SP5ZO1t687I/AAAAAAAAAMA/-UhLzrmGtC4/s1600-h/lady+killer.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SP5ZO1t687I/AAAAAAAAAMA/-UhLzrmGtC4/s320/lady+killer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259739526288044978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;- Sua primeira vez por aqui?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-9033503877870440237?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/9033503877870440237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=9033503877870440237' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9033503877870440237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/9033503877870440237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/intermezzo.html' title='Intermezzo'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SP5ZO1t687I/AAAAAAAAAMA/-UhLzrmGtC4/s72-c/lady+killer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3011938600559378113</id><published>2008-10-16T14:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-18T05:57:50.446-07:00</updated><title type='text'>Ludwig</title><content type='html'>Pois, então. Lá no &lt;em&gt;Cazzo &lt;/em&gt;alguém colocou o terceiro movimento da nona sinfonia de Beethoven como fundo musical para a leitura dos posts sobre sociologia etc. Ah, o romantismo alemão! Ah aqueles hormônios todos! Romantismo é música movida a testosterona, é concentrado de catuaba e jurubeba nas orelhas, romantismo é calor na bacurinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, essa juventude toda... Diz que Ludwig ficou surdo de tanto escutar esse negócio - mas como era viciado, continuou compondo mesmo sem escutar. Para quem é valente e assume com intensidade o risco do próprio desejo, aí vai o maestro Karalhan (um homem com um nome desses, só podia ser especialista em interpretações românticas) regendo o primeiro movimento da dita cuja. Sempre me dá um susto arretado quando a peça principia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/O2AEaQJuKDY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/O2AEaQJuKDY&amp;hl=pt-br&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3011938600559378113?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3011938600559378113/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3011938600559378113' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3011938600559378113'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3011938600559378113'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/ludvig.html' title='Ludwig'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-5357655828617646393</id><published>2008-10-07T15:22:00.000-07:00</published><updated>2008-10-09T11:36:45.085-07:00</updated><title type='text'>Barbeiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOvhvn9SFII/AAAAAAAAAL4/fFCbG6HXBTQ/s1600-h/k95.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOvhvn9SFII/AAAAAAAAAL4/fFCbG6HXBTQ/s320/k95.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254541598553937026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversa boa  é conversa de barbeiro. Nunca conheci um sequer a quem faltasse assunto, uma opinião contundente sobre a política nacional, detalhes sobre o último assassinato do bairro, uma descrição de eventos escandalosos cercando uma moça que "se desencaminhou e que era filha do pastor protestante". Se você já encontrou algum com um com um papo enfadonho, este tal estava por certo na profissão errada. Infelizmente, nem sempre essa habilidade no campo da comunicação -  nem sempre a boa e velha habilidade de produzir fofoca, boato - é traduzida em um bom corte de cabelo. O que é uma lástima. Daí que me tenha afastado lentamente ao longo dos anos das barbearias e me contentado com este ou aquele cabeleireiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cabeleireiro é uma estória completamente diferente. Começa pelo resultado que eles conseguem com minhas ralas madeixas - são sempre exímios na arte ninja de disfarçar calvices graves, carecas inseguras, ou seja, em expor, um pouco mais, seus clientes ao ridículo ensinando-lhes como administrar suas calvas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que não há careca que saia de um salão de beleza - que tem sempre nomes com y e consoante dobrada: Styllus, Maison da Shirlley etc. -  sem aquela convicção íntima que tudo poderia ser ainda pior no Zé da Barbearia. O que nem sempre é o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a conversa de cabeleireiro é realmente uma tragédia, não há como negar. Ontem, foi dia de visitar Deividisson, famoso mestre da tesoura na Maison de Shirlley:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como é que vai ser, senhor?&lt;br /&gt;- Dá um jeito, apara um pouco. Curto, mas sem exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trai-me nesse momento: mesmo a um cabeleireiro não escaparia esse sinal claro de uma personalidade calva. O malabarista das tesouras aperta um sorriso no canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E em cima...&lt;br /&gt;- Corte o suficiente para que eu saia crente que ainda não sou careca - resolvo não me dar por achado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o estilo... Clássico ou Moderno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca entendi o ar de profunda sabedoria e mesmo certa arrogância que sempre acompanha essa pergunta. Além disso, a redução de minhas possibilidades existenciais e estéticas sempre me irrita terrivelmente. E é esse o ponto: nunca conheci cabeleireiro que não me colocasse diante dessa sinuca estética. Barbeiros, não. Por que teria de restringir meus horizontes estéticos e existenciais ao clássico ou moderno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu prefiro algo mais barroco em cima, algo expressionista dos lados e rapa zero atrás.&lt;br /&gt;- ....&lt;br /&gt;- Brincadeira, faça o que você quiser, mas evite me deixar com a cara do Gianecchine como da última vez.&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-5357655828617646393?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/5357655828617646393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=5357655828617646393' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5357655828617646393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/5357655828617646393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/barbeiro.html' title='Barbeiro'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOvhvn9SFII/AAAAAAAAAL4/fFCbG6HXBTQ/s72-c/k95.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4703063183360857990</id><published>2008-10-03T16:59:00.000-07:00</published><updated>2009-10-23T19:21:06.484-07:00</updated><title type='text'>Uma estorinha curta</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOa0U27b3ZI/AAAAAAAAALw/q0PJReznguQ/s1600-h/kids.gif"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOa0U27b3ZI/AAAAAAAAALw/q0PJReznguQ/s320/kids.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253084285809450386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Éramos crianças de uma mesma rua de barro vermelho, da rua General Mena Barreto. Menino durante a ditadura militar, acostumei-me a ver o nome de generais, marechais espalhados por toda parte. Em contas de luz, placas, nos noticiários da TV, nas aulas de história e “moral e cívica”. Minha amiga compartilhava comigo essas placas, aulas, cultura cívica, mas com a imunidade que o desapego aos estudos lhe conferia. “Quem foi o General Mena Barreto?” “O pai do Marechal Deodoro... sei lá!” “Não! Primo do General Garrastazu, abestalhada.” O interesse de minha amiga por uma erudição tão precoce era mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tínhamos mais ou menos a mesma idade, mas como ela era menina, eu preferia brincar com Teco, seu irmão mais novo. Mulato do cabelo de índio, bronquite crônica,  sempre com um grosso fio de catarro escorrendo de cada narina. Era quase um traço de personalidade aquilo. Ficava impressionado com aquela substância esverdeada pairando no ar, aguardando os últimos acontecimentos políticos,  indecisa com relação ao futuro do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num fração de segundos, porém, já não estava mais lá, tudo decidido, reconduzida ao peito magro que a continha. A cena era bastante constrangedora, com aquele ocus-pocus de mucos, sobretudo porque Teco tinha o hábito de espiar as pessoas almoçando. Eram mais pobres que eu, meu amigo e sua irmã. “Pronto, chegou o sete-mesas! Perdi o apetite. Vai assoar este nariz, menino!”, alguém ralhava sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostava de brincar de Telecatch com Teco por conta dessa secreção gelatinosa que sempre me carimbava o peito. Era desagradável. Eu ganhava sempre a luta, mas era uma vitória de Pirro, condenada ao escarnádio da molecada. “Eca! Foi carimbado! Que nojo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, e por motivos menos confessáveis, comecei a dar lições de luta livre à irmã de Teco,cabocla forte e corpulenta que perambulava por entre as brincadeiras dos meninos da rua. Ela suportou bem os primeiros ensinamentos, mas ao fim e ao cabo revelou um comportamento anti-desportivo que me fez abandonar os ringues e toda a minha boa intenção. Fraturou-me a borda de um dente quando eu lhe explicava os segredos da imobilização sobre o solo.Golpe curto e preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me do ensino dessa modalidade olímpica e do fragmento de um incisivo e dediquei-me a esportes mais cerebrais. Bola de gude, empinar papagaio, pique. Diná gabou-se por semanas, não apenas de sua vitória no solo, mas de ter dado uma resposta insofismável às minhas dissimuladas intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era feia,no entanto, aquela garota com formidável gancho de esquerda. Criada, como eu, na poeira das ruas da Iputinga, carregando enormes latas d'água compradas no chafariz de Seu Nô, ou retiradas da bomba d'água da casa de meus pais. Dela lembro o corpo coberto da poeira vermelha da rua onde vivíamos, o odor acre e o corpo suado. Esquecida, ponta de rama de uma família numerosa, filha de pai ausente que foi tentar a vida em São Paulo - a vida é cheia desses lugares comuns, creia-me - e nunca mais achou o caminho de casa. Por lá, segundo  se dizia, constituiu nova família. Na Rua General Mena Barreto, os filhos foram crescendo, entretanto, tomando o rumo previsível do pai, deixando para trás minha amiga, seu irmão e a mãe, uma mulher pequenina, ágil, já beirando os sessenta, por essa época em que afastei-me dos ringues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prometi uma estória curta. Deixe-me então avançá-la rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diná deveria ter um pouco mais de dez anos quando sua mãe aceitou em sua cama  um homem com aproximadamente trinta anos de idade. Não recordo como se chamava, mas era um jovem garboso, ou assim parecia quando comparado à sua amante. Tiveram suas noites de prazer tórrido, diziam as línguas, por mais de um ano na pequena casa onde morava o que sobrou da família V. Os detalhes do romance tornaram-se correntes naquele conjunto de casas de paredes finas. Durou até que o moço, cansado das carnes já flácidas da mãe, passou a exigir as da filha. Saciado e cansado da boca desdentada da mãe, quis provar a boca de poucos marfins intactos da filha; desinteressado por seus peitos murchos, antegozava as tetas recém-adquiridas de Diná. Esse seria o preço a ser pago pelo silêncio - para que um marido fujão e distante não ficasse sabendo daquelas noites de luxúria e prazer. Para salvar as aparências dos que ficaram para trás, tristemente esquecidos, para não privá-los de sua invisibilidade. A vida raramente segue uma trama coerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que por volta dos onze, doze anos, minha amiga deitou-se com o amante da própria mãe. “Ela está quebrando um galho para mim”, explicou desse modo aquela primeira noite, outras viriam, de sua filha. Disse-o ao ouvido impassível de minha avó. E o que não foi dito, e o que foi ocultado na treva da noite e sob os lençóis encardidos do quarto materno é o que não consegui deixar de ver durante as semanas que se seguiram ao fato: com o rosto salgado de suor e lágrimas, imobilizada pelo peso da chantagem e pelo dever filial, esquecida na poeira da Rua General Mena Barreto, minha amiga teve sua primeira noite com um homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4703063183360857990?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4703063183360857990/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4703063183360857990' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4703063183360857990'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4703063183360857990'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/uma-estorinha-curta.html' title='Uma estorinha curta'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOa0U27b3ZI/AAAAAAAAALw/q0PJReznguQ/s72-c/kids.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8963806239979354896</id><published>2008-10-01T17:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-02T16:49:52.535-07:00</updated><title type='text'>As últimas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOQd_Cj1nDI/AAAAAAAAALo/vjzae-cwTkU/s1600-h/Quijote2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOQd_Cj1nDI/AAAAAAAAALo/vjzae-cwTkU/s320/Quijote2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252356034276990002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção de um aforismo sempre me pareceu algo como uma crise de asma do vernáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem sua compensação: podemos enfeitar o final de cada frase com asteriscos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto-ironia é uma forma envergonhada de auto-comiseração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexo não é tudo na vida, mas algo em torno de uns cento e dez por cento.&lt;br /&gt;*&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8963806239979354896?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8963806239979354896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8963806239979354896' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8963806239979354896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8963806239979354896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/10/o-aforismo-algo-como-se-o-vernculo.html' title='As últimas'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SOQd_Cj1nDI/AAAAAAAAALo/vjzae-cwTkU/s72-c/Quijote2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4019243018580567665</id><published>2008-09-17T12:57:00.000-07:00</published><updated>2008-09-21T14:14:32.818-07:00</updated><title type='text'>Dois aforismos de Jonathan Swift</title><content type='html'>"Um homem teria poucos espectadores se ele se propusesse a mostrar por três pences como seria possível enfiar um ferro em brasa num barril de pólvora, sem atear fogo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os elefantes são geralmente desenhados menores que o são na natureza, mas uma pulga sempre maior".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei porquê, mas essas máximas me remeteram ao guia eleitoral ao qual assisto, todo santo dia, na TV.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4019243018580567665?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4019243018580567665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4019243018580567665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4019243018580567665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4019243018580567665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/09/dois-aforismos-de-jonathan-swift.html' title='Dois aforismos de Jonathan Swift'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1574568225075897250</id><published>2008-09-15T16:15:00.000-07:00</published><updated>2008-12-07T13:26:47.982-08:00</updated><title type='text'>Manjericão</title><content type='html'>Vesti meu hálito de manjericão como quem colocasse sobre si um fato: não houvesse métrica ou rima para cuidar nessa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti-o para contar estórias sem esqueleto e falar a língua de seres que se mexem sob o solo e aquém da fala. Causos que verdejariam em teu ouvido por um século. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti-o para sussurrar coisas inconfessáveis e moles, querida, carícias quer roçariam para sempre tua pele de leite e de baunilha. Versos brancos que entorpeceriam, mas que não te deixariam dormir. Palavras escorregadias como gotas, deslizando pelas tuas costas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vesti esse hálito-hábito pensando em tua bunda de negra, em como abririas para mim cavernas submersas em algas e vertigem. Sabendo que minha boca, dentes e saliva encontrariam o caminho de teu ventre, de teus peitos de menina, de teus lábios de língua áspera. Então já seria em ti, inteiro, como um caramujo em sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais diria de folhas, de pequenos vermes ou de bichos minúsculos mergulhados no que é seu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1574568225075897250?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1574568225075897250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1574568225075897250' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1574568225075897250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1574568225075897250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/09/manjerico.html' title='Manjericão'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-256549931481796343</id><published>2008-09-13T13:35:00.000-07:00</published><updated>2008-10-01T09:51:33.570-07:00</updated><title type='text'>Sobre coisas prosaicas e sentimentais</title><content type='html'>Artista de sombras, espelhos e mentiras, guardo meu coração de gelo e musgo dentro de uma caixa de fósforos. Tum-tum e o verde pulsa um pouquinho, tum-tum e o olho da caixa entumesce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro invariavelmente o músculo sentimental e aquoso quando já nada espero, quando já não o procuro, quando me estorva o gesto. Surpreso, sempre, identifico essa coisa pouca dentro da forma de ângulos retos, feita de papel grosseiro e azulado. Derretendo e pulsando, secretando bolor e clorofila, molhando os palitos e a pólvora com os quais pretendia incendiar a casa e o quarteirão em que moramos, a coisa se apresenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-256549931481796343?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/256549931481796343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=256549931481796343' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/256549931481796343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/256549931481796343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/09/sobre-coisas-prosaicas-e-sentimentais.html' title='Sobre coisas prosaicas e sentimentais'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2263372031119601740</id><published>2008-09-07T14:07:00.000-07:00</published><updated>2008-09-13T13:19:34.008-07:00</updated><title type='text'>LILITCHKA!</title><content type='html'>Acordei com os versos finais deste lindo poema de Maiakovski, isto é, o poema como foi traduzido por Augusto de Campos no livro &lt;em&gt;Poemas&lt;/em&gt;. O livro é um esforço conjunto de tradução de Boris Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos e foi publicado em 1982 pela Perspectiva. 'Lilitchka' foi escrito em 1916.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fumo de tabaco rói o ar.&lt;br /&gt;O quarto -&lt;br /&gt;um capítulo do inferno de Krutchônikh&gt;&lt;br /&gt;Recorda - &lt;br /&gt;atrás desta janela&lt;br /&gt;pela primeira vez&lt;br /&gt;apertei tuas mãos, atônito.&lt;br /&gt;Hoje te sentas,&lt;br /&gt;no coração - aço.&lt;br /&gt;Um dia mais&lt;br /&gt;e me expulsarás,&lt;br /&gt;talvez com zanga.&lt;br /&gt;No teu hall escuro longamente o braço,&lt;br /&gt;trêmulo, se recusa a entrar na manga.&lt;br /&gt;Sairei correndo,&lt;br /&gt;lançarei meu corpo à rua.&lt;br /&gt;Transtornado,&lt;br /&gt;tornado&lt;br /&gt;louco pelo desespero.&lt;br /&gt;Não o consintas,&lt;br /&gt;meu amor,&lt;br /&gt;meu bem,&lt;br /&gt;digamos até logo agora.&lt;br /&gt;De qualquer forma&lt;br /&gt;o meu amor&lt;br /&gt;- duro fardo decerto -&lt;br /&gt;pesará sobre ti&lt;br /&gt;Onde quer que te encontres.&lt;br /&gt;Deixa que o fel da mágoa ressentida&lt;br /&gt;num último grito estronde.&lt;br /&gt;Quando um boi está morto de trabalho&lt;br /&gt;ele se vai&lt;br /&gt;e se deita na água fria.&lt;br /&gt;Afora teu amor&lt;br /&gt;para mim&lt;br /&gt;não há mar,&lt;br /&gt;e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.&lt;br /&gt;Quando o elefante cansado quer repouso&lt;br /&gt;ele faz como um rei na areia ardente.&lt;br /&gt;Afora o teu amor&lt;br /&gt;para mim&lt;br /&gt;não há sol,&lt;br /&gt;e eu não sei onde estás e com quem.&lt;br /&gt;Se ela assim torturasse um poeta,&lt;br /&gt;ele&lt;br /&gt;trocaria sua amada por dinheiro e glória&lt;br /&gt;mas a mim&lt;br /&gt;nenhum som me importa&lt;br /&gt;afora o som do teu nome que eu adoro.&lt;br /&gt;E não me lançarei no abismo,&lt;br /&gt;e não beberei veneno,&lt;br /&gt;e não poderei apertar na tempora o gatilho.&lt;br /&gt;Afora&lt;br /&gt;O teu olhar&lt;br /&gt;Nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.&lt;br /&gt;Amanhã esquecerás&lt;br /&gt;que eu te pus num pedestal,&lt;br /&gt;Que incendiei de amor uma alma livre,&lt;br /&gt;e os dias vãos - rodopiante carnaval -&lt;br /&gt;dispersarão as folhas dos meus livros...&lt;br /&gt;Acaso as folhas secas destes versoss&lt;br /&gt;far-te-ão parar,&lt;br /&gt;respiração opressa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me ao menos&lt;br /&gt;Arrelvar numa última carícia&lt;br /&gt;teu passo que se apressa".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2263372031119601740?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2263372031119601740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2263372031119601740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2263372031119601740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2263372031119601740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/09/lilitchka.html' title='LILITCHKA!'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-2802124761118216611</id><published>2008-09-04T18:13:00.000-07:00</published><updated>2008-12-07T13:28:29.037-08:00</updated><title type='text'>A mulher, o homem e o mar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SMCLLNfheDI/AAAAAAAAAI4/BOYXbnvvqng/s1600-h/galeao.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SMCLLNfheDI/AAAAAAAAAI4/BOYXbnvvqng/s320/galeao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5242342990975957042" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu mui digno capitão, emproado em seu barquinho, a singrar a contracorrente das águas do tempo. O que tens encontrado neste teu desnavegar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meias desemparelhadas, peixes já comidos, pneus gastos, beijos em bocas que se foram, a mãe sobre a pedra fria”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E onde levas carga tão preciosa e perdida, mui amável capitão?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aos pés que as perderam, ao motorista distraído, ao amante descuidado, ao filho que ainda chora. E assim, restituir o calor, o conforto fugidio, a saliva à boca que ainda procura, o sopro ao corpo desamparado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E o que queres de mim, velho lobo do mar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Navegar-te assim, meu amor, como quem busca refazer a própria história”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E consertar o que não pode ser reparado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que outra coisa busca o teu aceno nesta margem que me escapa?”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-2802124761118216611?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/2802124761118216611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=2802124761118216611' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2802124761118216611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/2802124761118216611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/09/mulher-o-homem-e-o-mar.html' title='A mulher, o homem e o mar'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SMCLLNfheDI/AAAAAAAAAI4/BOYXbnvvqng/s72-c/galeao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-8933560097130292549</id><published>2008-08-25T06:18:00.000-07:00</published><updated>2008-08-25T06:19:51.976-07:00</updated><title type='text'>A Textura do Amor (salvo do naufrágio do Segunda Mão)</title><content type='html'>Procurava com tanto afinco impressionar a moça, mas tanto mesmo, que num belo dia ao esboçar algo particularmente radical, teve suas vísceras ejetadas de dentro de si para o claro da manhã. Ficou assim por um tempo, estuporado, pelo avesso, o ventre explodido, os bofes de fora, o coração e os pulmões entrando e saindo de sua boca num vai-e-vem ritmado. Sem mais o que fazer senão tocar a vida, decidiu sair de casa daquele jeito mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então. Saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi até a praça dar milho aos pombos e desafiar, no trajeto, os cães vadios que o cheiravam de longe, excitados, rosnando, mas sem coragem suficiente para se servirem daquele banquete ambulante. Na rua, chamava atenção aquela coisa indefinível: algo como se um açougueiro, um tripeiro, mercadejasse de porta em porta usando o próprio corpo para expor tripas, pedaços de músculo, bofes. Forçando uma atitude positiva diante da vida, lá ia a coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se via era algo assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Skj  ksdab  a sd   943q  34213987&lt;br /&gt;       Dlkj  sd sd-0 das %9  7!!!!&lt;br /&gt;  34289       329843 b34 fnsd a df &lt;br /&gt;     Osaidn349-=n n≡ⁿ 3409 &lt;br /&gt;~[çl  çlaoa sdfnm&lt;br /&gt;      KJAS    er09  34  4398””&lt;br /&gt;            JWEQ   ≈∞≡ ┤&lt;br /&gt;                     Lk!!!!!!&lt;br /&gt;,m     df,, r5io fl k  dflkdf /;&lt;br /&gt;..,gfçlk             ldslk sd   dfskj df &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D    df df dddf &lt;br /&gt;             Kj )(*()*&amp;(&amp;(&amp;!!!!&lt;br /&gt;                 sdf sdf  4  cvkl      x&lt;br /&gt;  s  asd   asdsd !!!!!!&lt;br /&gt;                as da 34  fdar!!!!!&lt;br /&gt;   kl134ç]o~´~]edp´]m     we~m  wqe õ]~][!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-8933560097130292549?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/8933560097130292549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=8933560097130292549' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8933560097130292549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/8933560097130292549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/08/textura-do-amor-salvo-do-naufrgio-do.html' title='A Textura do Amor (salvo do naufrágio do Segunda Mão)'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-4473363750931323287</id><published>2008-08-13T15:27:00.000-07:00</published><updated>2008-12-07T13:30:16.499-08:00</updated><title type='text'>Viajante</title><content type='html'>"Viajante, caminhado por esta estrada sombria! Onde quer que ventos e pernas te conduzam, leva sempre ao teu lado alguma coisa viva e suculenta. Há tigres por essas paragens. Entre as folhagens e por cima dos gravetos passeiam essas feras seu poder e sua tristeza. Talvez precises negociar tua vida. Leva ao teu lado uma presa tenra, algo que aplaque aquele caminhar macio e fatal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alguns dardos de citalopram, por vias das dúvidas?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Hum!..."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-4473363750931323287?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/4473363750931323287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=4473363750931323287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4473363750931323287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/4473363750931323287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/08/viajante.html' title='Viajante'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1472071191308627246</id><published>2008-08-01T17:50:00.000-07:00</published><updated>2008-12-07T13:31:54.788-08:00</updated><title type='text'>Entre uma sexta e um sábado</title><content type='html'>Hora de trocar de pele, que a linfa pulsa e palpita. Acalma-te, respiração ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sobre a paisagem precária de escamas sem cor e líquidos íntimos, o fio de uma lâmina passeia sua carícia. Não fosse a evidência dessas descamações que se acumulam sobre a mesa; não fosse a voz de Carmen esbofeteada cantar entre dentes “tra-la-la-la-la, coupe-moi, brûle-moi, je ne te dirai rien”, a abrir ainda mais a ferida; não fosse este livro dividido ao meio, esperando o vento, doloroso demais para que a próxima porta se abra... Quase uma carícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hora pois de rastejar sobre os detritos, por entre a beleza demasiadamente dolorosa, por entre o bafio do passado, pelas aragens dos dias que virão e que aguardo com as mãos úmidas. Hora de encontrar o caminho e o corpo para fora da sala e da dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1472071191308627246?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1472071191308627246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1472071191308627246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1472071191308627246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1472071191308627246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/08/entre-uma-sexa-e-um-sbado.html' title='Entre uma sexta e um sábado'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-600135342372179658</id><published>2008-07-30T15:10:00.000-07:00</published><updated>2008-12-09T18:30:41.278-08:00</updated><title type='text'>Efeito Estufa e Xoxotas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SJDnmOLOLoI/AAAAAAAAAG4/xtQX0g-A0kI/s1600-h/rainforest.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SJDnmOLOLoI/AAAAAAAAAG4/xtQX0g-A0kI/s320/rainforest.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228933811203354242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou terrivelmente mal-informado sobre tudo que está acontecendo ao meu redor. Pingüins se bronzeando em Sergipe, o crime organizado jogando pesado nas eleições do Rio de Janeiro, guerra de liminares entre juízes de primeira instância e do Supremo, Naji Nahas, Daniel Dantas, a viagem de Barak Obahma ao exterior, a roda de negociações de Doha, tudo isso escuto meio-zumbi no rádio e na TV e de nada me informo. Mas se alguém quiser alguma notícia sobre o capítulo anterior de Pantanal, é comigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga minha, outra viciada na soap dos anos 80, comentou acerca da variação que houve na moda, desde então. Cita Lipowetski, Elias, Debord e uma penca de sociólogos menos conhecidos, mas o seu foco analítico é bastante específico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você já percebeu como as xoxotas mudaram de penteado nesses últimos vinte anos?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Minha memória é curta, mas acho que há um ponto a ser explorado no que você diz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não viu a Muda tomando banho com Juma no rio? Pois é, a Muda ostentava um penteado completamente Black Power. Linda. Acho que os anos sessenta foram embora aos poucos. Woodstock acabou na xoxota da Muda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por força de vocação e dever de ofício, sempre procuro incentivar uma idéia original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não deixa de ter razão. Ah, os anos oitenta... Lembro-me de uma célebre edição da Play Boy na qual aparecia Cláudia Ohana em pelo. Aliás, era pelo pra cacete. Na época, eu fiquei muito impressionado. Achava sexy. Tenho um amigo que ainda guarda o número de lembrança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas hoje nada restou da força selvagem de um púbis desgrenhado, além do exemplar da Play Boy do teu amigo. Minhas amigas, namoradas eventuais, todas reduziram seus pelos a um traço, um arabesco, um leirão de pelos. É a tal sociedade do espetáculo, tem que mostrar tudo em detalhe, tornar tudo explícito, higienizar...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bom, contra higiene eu nada tenho. Mas acho que você tem uma hipótese sociológica interessante...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ou será um certo saudosismo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sociólogos são mesmo conservadores. Eu gostava da Cláudia Ohana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu também”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-600135342372179658?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/600135342372179658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=600135342372179658' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/600135342372179658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/600135342372179658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/07/efeito-estufa-e-xoxotas.html' title='Efeito Estufa e Xoxotas'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_xAi-VeiSyfk/SJDnmOLOLoI/AAAAAAAAAG4/xtQX0g-A0kI/s72-c/rainforest.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-1726582147045281538</id><published>2008-05-15T05:30:00.000-07:00</published><updated>2008-05-15T05:31:01.764-07:00</updated><title type='text'>Intermezzo</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/UgbsV6aTHts&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/UgbsV6aTHts&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-1726582147045281538?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/1726582147045281538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=1726582147045281538' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1726582147045281538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/1726582147045281538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/05/intermezzo.html' title='Intermezzo'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-891815949669689989.post-3748333104055382810</id><published>2008-05-02T13:59:00.001-07:00</published><updated>2008-05-02T14:01:15.652-07:00</updated><title type='text'>No especialista</title><content type='html'>“Tosse, tosse, tosse... Então doutor, não dá pra tocar um tango argentino?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Homessa! Que dá, dá, mas a criatura dentro de seu peito é mais chegada num metal pesado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Morder uma ou duas cabeças de morcego de hora em hora?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hum!... Precisamos começar a pensar em um tratamento menos homeopático”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/891815949669689989-3748333104055382810?l=zedagoma.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://zedagoma.blogspot.com/feeds/3748333104055382810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=891815949669689989&amp;postID=3748333104055382810' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3748333104055382810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/891815949669689989/posts/default/3748333104055382810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://zedagoma.blogspot.com/2008/05/no-especialista.html' title='No especialista'/><author><name>Zé da Goma</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14813037635046165023</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
